quarta-feira, 9 de março de 2011

A Agência do Trabalhador

Decidido a mudar sua vida, Zé Mané levantou cedo na segunda-feira, pôs sua melhor camisa xadrez e foi procurar um emprego na Agência do Trabalhador. Ele chegou às 8 horas, mas quando viu o número de pessoas que estavam sentadas esperando sua vez, ele percebeu que devia ter chegado mais cedo ainda.
Ele foi até a recepção, pegou uma senha e procurou um lugar para esperar sentado. Ao ver sua senha, agradeceu por ter lugar para ele sentar, sua senha era 122, no painel a última senha chamada era a 15. Enquanto esperava sua vez, Zé Mané olhou para as pessoas que ali estavam e começou a pensar em quanta gente estava desempregada na sua cidade. Muitos dali não tinham nem curso superior, e os que tinham não deveriam estar achando emprego em sua área. Ele até pensou se não estaria “roubando” o emprego de alguém, já que ele mesmo cursava uma faculdade e não precisava estar ali naquele momento.
Mas logo esse pensamento sumiu e ele passou a ouvir as músicas do seu ipod. Seu gosto musical era bem eclético, indo do Rock, Pop e Hip Hop, passando pelo Sertanejo e Reggae. Ao som de Mil Acasos do Skank, Zé Mané viu sua senha aparecer no painel e enquanto caminhava em direção ao guichê, enrolou o fio de seu fone de ouvido e guardou seu ipod.
– Bom dia. – cumprimentou Zé ao sentar-se em frente ao atendente.
– Bom dia. O senhor já tem cadastro? – perguntou o atendente.
– Não.
– Vou precisar dos seus documentos: RG, CPF, carteira de motorista, título de eleitor, se tiver, e, caso tenha trazido, a carteira de reservista.
– Ta. – disse Zé, enquanto tirava os documentos da carteira.
Ele ficou olhando o atendente e decidiu começar uma conversa.
– Sabe, eu não sei se muda alguma coisa, mas eu faço faculdade de Design. – disse Zé.
– E por que não procura um estágio? – perguntou o atendente.
– É que ta difícil, sabe, estágio na minha área. E eles não pagam bem.
– Que área o senhor gostaria de trabalhar?
– Ah, qualquer uma que tiver vaga aí, o que eu quero é trabalhar.
– Temos 20 vagas para servente de pedreiro na construção de um condomínio no bairro Campo Comprido. – disse o atendente, deixando Zé com os olhos arregalados.
– Hã, não tem algo mais leve, não? – ele disse rindo. – Você disse Campo Comprido, ouvi dizer que lá ta tendo bastante construção desse tipo, daqui a pouco o nome do bairro vai ser “Condomínio Comprido”. – Zé brincou e riu em seguida, mas logo parou ao perceber que o atendente estava sério. – Não achou graça? É, eu também não.
– Apareceu uma vaga num escritório de advocacia ali na Avenida Visconde de Guarapuava, que acabou de sair no sistema. Descrição do trabalho: arquivar documentos, atender telefone, possíveis idas ao fórum. Procura-se secretário homem, não é necessário experiência. Horário das 13h às 18h. Salário de 500 reais. Interessa?
– É claro que sim. Esse cargo foi feito pra mim. – disse Zé rindo.
– Vou marcar a entrevista. – disse o atendente saindo.
Zé Mané estava nas nuvens, sua primeira vez procurando emprego e já conseguiu uma entrevista. Era bom demais pra ser verdade.
– Tudo certo. Eles estão te esperando até o meio dia, se não só depois das 14. Aqui está a sua guia, e... – nesse momento ele foi interrompido por Zé.
– Muito obrigado, você não sabe o quanto isso significa pra mim...
– De nada, mas...
– Eu to tão emocionado, esse emprego é perfeito. A primeira vez que venho aqui, e já aparece algo tão bom...
– Hã... senhor, eu queria dizer...
– Bom, eu vou indo, pra não chegar atrasado né? – Zé Mané disse e riu. – Valeu pelo atendimento, cara, você foi demais. – ele finalizou e saiu.
– Mas que zé mané, nem deixou eu falar que o escritório pediu que ele fosse de terno e gravata pra entrevista. – disse o atendente voltando para os seus afazeres.
Zé Mané saiu da Agência todo feliz, colocou a guia dentro do envelope branco no qual havia trazido seu currículo, que no final nem foi utilizado. Ele virou à esquerda na Travessa da Lapa e seguiu em direção à Av. Visconde de Guarapuava. No caminho ele entrou numa galeria, mas mal sabia ele que isso mudaria todo o seu destino.

terça-feira, 8 de março de 2011

Afinal quem é o sexo frágil?

Desde sempre a resposta à essa pergunta é a mulher, mas acho que isso sempre foi um disfarce para não entregar a verdade. Afinal, quem nunca ouviu aquela frase "Por trás de um grande homem há uma grande mulher"? Há alguns séculos elas cansaram de ficar atrás dos homens. Tudo começou com a igualdade de salário e hoje elas estão na política, futebol, artes, literatura, música, cinema e todas as áreas que antes eram só para homens, e a maioria está fazendo melhor. Tem muito homem que ainda usa o argumento "a mulher tem 10000 neurônios a menos que o homem". Esse fato, cientificamente comprovado, só aumenta a credibilidade da mulher e humilha ainda mais os homens que a criticam. Elas tem menos neurônios, mas elas os utilizam bem melhor que a gente. Como você, leitor homem, explica o fato de mulheres com 16 anos pensarem em casamento, dívidas, filhos e todos os problemas da vida adulta, enquanto homens de 21 ainda se preocupam com jogos eletrônicos e balada?
Por experiência própria, eu posso dizer que, quando querem, elas arrebentam em uma discussão, eu perdi a conta de quantas vezes perdi discussões para mulheres. Elas pensam mais rápido, são mais criativas, e se tem um problema, são as primeiras a pensarem numa solução. Agora, farei uma defesa às loiras. Muito homem ainda diz que loira é burra, ledo engano. Eu conheci, em minha vida escolar, muitas loiras e todas inteligentes. Aliás, minha melhor amiga é loira e ela não é nada burra, não =D. Pra mim, elas ainda vão dominar o mundo, e contam  com a minha torcida e apoio. Mas não como políticas, pois essas sempre vão fazer o que os homens mandarem, isso se não roubarem mais que eles. Elas vão dominar com suas idéias e atitudes. O homem pode ter a força física, mas a mulher tem a inteligência, e se quisesse faria um exército e daria uma surra nos homens, mas elas preferem algo menos violento. Mais uma vez, elas estão certas.
Então homens lembrem-se: as mulheres podem ter 1001 defeitos, mas elas tem infinitas qualidades.
Feliz dia da mulher, mulheres!

segunda-feira, 7 de março de 2011

Vamos falar de tribos sociais?

Pra mim começou com os roqueiros, um bando de nego com roupa preta e cabelo comprido, lá em mil novecentos e antigamente. Depois apareceram os manos nos Estados Unidos, que futuramente inspirariam os manos no Brasil. Até os dias de hoje muitas tribos surgiram e ficaram ou sumiram com o tempo, como os punks, os góticos, entre outros. Uma que existe desde o início dos tempos, mas que só foi nomeada no século passado é a dos nerds. Muita gente é nerd e não sabe, talvez depois do filme "A vingança dos nerds" quem não sabia que era acabou descobrindo. Desde que o computador foi criado, essa classe se ramificou em outra que só ficou mais conhecida na última década, os geeks. Mas não é só computador, qualquer fanático por eletrônicos pode ser considerado geek.
Agora num nível mais Brasil, Curitiba e recente, temos 3 tribos atualmente em nossa cidade que se destacam: manos, emos e coloridos. Os manos surgiram primeiro, seguindo a linha de seus inspiradores da América do Norte. Eles gostam de rap, hip hop e r&b, usam roupas e tênis largos, tem mais furos no corpo do que precisam. Começou com os homens, mas logo as mulheres aderiram a tribo, seja por influência de namorado ou por gostar do estilo musical e das roupas mesmo. Influenciados e apoiados por bandas, os emos surgiram e foram ficando, hoje tem bem menos, graças a Deus. Curtem bandas como Simple Plan, Good Charlotte, My Chemical Romance, entre outras do mesmo estilo, o famoso rock emo, uma verdadeira decepção para o rock. Ao contrário dos manos, essa tribo começou com as mulheres, mas devido as bandas serem masculinas, logo os homens se tornaram emos. Essa denominação vem da palavra emotivo, ou seja, eles choram e ficam tristes por qualquer coisinha, o menor problema, pra eles, é o fim do mundo. Eles se vestem de preto, obrigatoriamente usam cabelo liso, e usam uma franja que, acidentalmente ou não, fica exatamente sobre um dos olhos, deve ser pra economizar a vista. Alguns chegam até a usar maquiagem preta nos olhos e pintar as unhas de preto, não, eu não estou falando das mulheres. Recentemente, uma nova banda de "rock" surgiu para criar uma nova tribo, a mais tosca e rídicula de todas, na minha modesta opinião. Não irei dizer o nome da banda, mas todos devem saber qual é. A mais recente tribo gosta de usar roupas coloridas, quando eu digo colorida não são as boas cores primárias azul, vermelho e amarelo, são variações bizarras e cegantes dessas cores. Outra característica é o fato de serem "bonzinhos" e "alegres" o tempo todo, será que isso é possível?
Enfim, se você não se encaixa em nenhuma dessas tribos, fique feliz. Se você faz parte de alguma dessas e não concordou ou não gostou de algo que eu disse, comenta ae. Se você quer fazer parte de alguma dessas, o que eu não aconselho, saiba uma coisa: os emos e os coloridos são ridicularizados e zoados fora do seu círculo social, enquanto os manos são temidos e discriminados. De qual tribo eu sou? Em outro post eu respondo. ;D

domingo, 6 de março de 2011

Você já ficou 24hs acordado?

Eu já. É bem legal, principalmente quando você dorme no dia seguinte. Eu normalmente passo essas noites em claros, sim foi mais de uma vez, jogando jogos eletrônicos com meus amigos. Dependendo da quantidade de gente e do ritmo com que você está fazendo o que for, até o cara mais sonolento desperta e fica até o sol raiar. A idéia é sempre jogar junto para um manter o outro acordado, e conversar, sempre conversar e rir, ajuda bastante. O máximo que fizemos foi em 5 pessoas, ninguém ficou com sono até pararmos lá pelas 7h da manhã. Isso eu digo, todos no mesmo lugar, na mesma casa, senão não funciona. Normalmente é apenas eu e um amigo meu, quando nós dormimos bem no dia anterior e tivemos uma semana de sono tranquilo, é bem fácil passar a noite, mas quando essas condições não são mantidas, nós passamos por algumas fases. Primeira, animação total, vamos jogar isso, vamos jogar aquilo, e fazer isso e aquilo. Segunda, momento de sono após algumas horas no mesmo jogo, mas não os dois ao mesmo tempo, um por vez. Quando isso acontecer, faça algo diferente, lave o rosto, levante e se alongue, beba algo com cafeína. Eu fazia um pouco de tudo isso e normalmente funcionava, em último caso, nós trocávamos de jogo pra acordar. Depois que você passa da segunda fase, a fase do sono, você fica acordado até... Só não pode ficar parado, tem estar sempre fazendo alguma coisa e conversando. Se você passou por tudo isso e viu o amanhecer, mas jogou tanto que está quase na hora do almoço e agora você não quer dormir, vou te dar algumas dicas do que não fazer para não dormir.
Não leia, não escreva, não fique em posições confortáveis ou sequer chegue perto de uma cama, veja TV ou ouça uma música bem agitada. Obviamente, tome um banho, ajuda muito. E nunca, nunca mesmo, fique parado pensando, porque em questão de segundos o pensamento pode virar um sonho. Esse foi um guia resumido de como passar 24hs acordado, talvez um dia eu faça um mais detalhado. Último conselho: não tente fazer isso sozinho.

sábado, 5 de março de 2011

Alguém sabe por que tem tanto acidente nas estradas?

Eu acho que sei. Ontem eu estava com a minha mãe levando a minha avó para casa dela e por um acaso usamos uma rodovia como caminho, por ser mais rápido, normalmente. Antes de ir ao assunto principal porém vou fazer algumas explicações. A tal rodovia que passamos liga a cidade até a BR-277, que por sua vez liga a cidade às praias. Certo, ao sairmos, esquecemos totalmente que era uma sexta-feira véspera de um feriado prolongado, às 17hs da tarde. Mesmo assim fomos e logo descobrimos que não devíamos ter ido. Com tanto tempo em que ficamos parado, fiquei pensando no porque daquele trânsito digno de São Paulo.
Basta um feriado de pelo menos 3 dias para as pessoas decidirem ir pra praia e não importa o tempo, ontem por exemplo estava chovendo muito, e eu acredito que vai chover o carnaval inteiro. Mas parece que as pessoas não ligam pra isso. O que importa é viajar, sair de casa, mesmo que o destino não seja agradável e a estadia pior ainda. E assim, o que deveria ser um feriado relaxante acaba estressando mais ainda alguém que já teve estresse mais que suficiente durante uma semana de trabalho. Por que as pessoas insistem em viajar em feriados prolongados? Por que não ficam em casa? Aumentando e melhorando os laços familiares? Talvez seja isso que está faltando para o país, famílias mais famílias. Mas voltando ao título do post, se todo mundo decide ir para o mesmo lugar, no mesmo horário e pelo mesmo caminho, boa coisa não pode dar. Em várias partes do trajeto vai haver trânsito e é aí que o estresse vai aumentar, gerando uma vontade de ir mais rápido e sair logo dali. Nesse momento ocorrem os acidentes. Ontem, por pouco não estive envolvido em um. Minha mãe estava na direção, passando ao lado de um caminhão bem grande, e ele dando sinal para vir pra pista em que estávamos, mas nós já estávamos quase passando ele, mas ele não quis esperar, veio "comendo faixa aos poucos", fomos obrigados a andar os últimos metros no acostamento, e da janela do carona eu pude ver o farol dele quase encostar na nossa traseira. Foi um "quase" bem arrepiante.
Se as pessoas pensassem em formas alternativas de aproveitar os feriados prolongados não haveria tantos acidentes como há em todo o Brasil. Ir pra praia é bom, mas não quando você sabe ou pelo menos tem uma leve desconfiança de que vai chover o tempo todo que você estiver lá. Então, acho que falta um pouco mais de bom senso e criatividade para os brasileiros.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Vivendo perigosamente

Ela abriu os olhos e notou que não estava deitada em sua confortável cama em seu quarto. Com dificuldade, ela levantou e se apoiou no que conseguiu distinguir como sendo uma árvore. Ela sentiu o seu corpo todo dolorido, como se tivesse sido atropelada por um elefante ou levado a maior surra de toda a sua vida. Ainda meio tonta, ela conseguiu descobrir que estava em uma floresta. Em uma das direções em que olhou, ela viu uma grande luz e resolveu ir até lá. Ao chegar, ela imaginou que a floresta iria acabar e ela chegaria a uma estrada ou algo assim.
Bem, a floresta realmente acabou e ela viu uma estrada, mas bem abaixo dela. Apesar do cansaço e da exaustão, ela não pôde deixar de admirar a vista ao seu redor. Vários morros cobertos por uma imensa vegetação, um seguido do outro indo em direção ao mar, como uma serra. Ela finalmente descobriu o que precisava: sua localização. Ela mexeu na alça de sua mochila e, ao ver que tudo estava em ordem, deu alguns passos para trás e correu em direção à luz.
Ela pulou e dois compartimentos, um de cada lado de sua mochila, se abriram formando asas com um mini foguete em cada uma. Mesmo com toda a dor que tinha ela não podia deixar de sentir uma liberdade sem comparação quando voava com sua mochila a jato e nesses momentos, ela sentia que estava na profissão certa, pois quando ela agia, fazia o seu melhor, e ninguém era melhor no que ela fazia: ser uma espiã.
Érica pousou a duas quadras do prédio em que morava no bairro Água Verde em Curitiba. As pessoas não ligaram para o fato de ela estar usando um colante preto, estar com o cabelo sujo e com vários cortes em seu belo rosto. Ela chegou em seu apartamento e jogou a mochila no sofá, foi para a cozinha e comeu uma banana com muita vontade, e decidiu fazer uma refeição melhor depois de um bom e demorado banho.
Ela chegou em seu quarto e tirou o seu uniforme colante de espiã, se dirigiu ao banheiro e ligou o chuveiro no mais quente. Com 18 anos, ela tinha um corpo muito bonito, com as curvas nos lugares certos e sua massa bem distribuída no seu 1.70m de altura. Seus cabelos eram longos na altura do cotovelo, lisos e negros, mas não um liso qualquer, aquele liso que não precisa fazer nada pra ser assim, ele simplesmente é liso, não importa o que.
Embaixo do chuveiro, ela deixou a água correr pelo seu corpo, lavando os seus hematomas e cortes, adquiridos em sua última aventura, que ela estava tentando lembrar qual era. Passando as mãos pelos seus cabelos, foi como se ela tivesse tido uma visão do que aconteceu.
Jonas Parvo era um empresário que estava sendo acusado de fazer negócios ilegais com contrabando de armas e poderia estar ligado com crimes recentes que ocorreram na cidade. Todos acreditavam na culpa de Parvo, mas faltavam provas concretas e para consegui-las, Érica foi chamada. Ela se disfarçou de repórter e marcou uma entrevista com o empresário, ele lhe ofereceu um café, ela aceitou. Na hora de pegar a xícara, ela “acidentalmente” derrubou café na calça de Parvo.
Assim que ele saiu para trocar de roupa, ela foi direto ao computador dele, procurou e encontrou rapidamente o que procurava. O único problema foi que Parvo tinha desconfiado dela e voltou para pegá-la em flagrante. Ela só teve tempo de desviar a atenção dele tirando seu pendrive do computador, quando na verdade, ela tinha mandado tudo o que precisava para o seu email pessoal. Por isso, ela se deixou ser presa e jogada na íngreme floresta da Serra do Mar.
Ainda havia uma coisa por fazer: imprimir os documentos copiados e entregar para o seu chefe na agência de espionagem. E ela sabia com quem podia contar para fazer isso.
– Barbosa, eu preciso de um favor. – ela disse ao entrar na papelaria.
– É claro que precisa, por que outro motivo você viria aqui? Pra perguntar como anda minha vida? – ele disse.
Ele olhou os documentos antes de imprimir e se assustou um pouco.
– Se metendo com os tubarões de novo? – ele perguntou.
– Sabe como é, eu gosto de viver perigosamente.
Barbosa colocou os papéis impressos num envelope branco e deu pra Érica, que estava mais arrumada, vestindo uma camisa branca e uma calça jeans. Seus cabelos estavam presos em um rabo de cavalo.
– Cuidado com isso garota. – Barbosa alertou.
– Pode deixar.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Por que as pessoas fazem perguntas idiotas?

Por várias vezes, quando estava numa lanchonete comendo meu x-salada e bebendo minha coca sossegado, alguém aparecia e perguntava pra algum funcionário: 'tem maionese?'. Eu ficava torcendo pra aquela pessoa receber uma resposta do tipo: 'Não, não temos. Você vai ter que comer a seco, p#**@'. Desculpem minha exaltação. Mas para pra pensar, pra uma pessoa abrir uma lanchonete, ela precisa de alguns itens indispensáveis, nos quais se incluem maionese, ketchup e mostarda. Então é óbvio que vai ter, nenhum empreendedor vai deixar faltar esse tipo de coisa no seu estoque. Acho que o grande problema das pessoas é não saber fazer as perguntas certas, será que é tão difícil falar: 'Me alcança a maionese?', ou o ketchup ou a mostarda. Pelo que eu vejo, parece que é.
Outra pergunta grotesca e que dá vontade de bater num infeliz, é: 'Você tá dormindo?'. Minha resposta: 'Graças a você, agora não to mais.'. Por que perguntar se a pessoa ta dormindo? Nunca vi sentido nisso. Mais uma pra fechar as perguntas: 'Você tem horas?'. Duas opções de resposta, 1: 'Não, mas tenho um relógio que marca elas.', 2: 'Sim.'. E continua o seu caminho se você foi abordado na rua, ou vira pro lado se você está no ônibus.
Deus nos deu dois olhos, basta usá-los para ver se a pessoa usa relógio ou não, em caso afirmativo, é só perguntar: 'Por favor, que horas são?'. Em caso negativo, poxa gente, quem não tem celular hoje?
Agora pra terminar o post, vou falar de uma expressão que está impregnada no nosso ser, e acredito que nunca vai sair. A pessoa vai na panificadora comprar pão. Nada mais natural não é? O que não deveria ser natural é o jeito de pedir o pão. - Vendedor: 'Pois não?' - Freguês: 'Me vê cinco pãezinhos.'. Primeiro que pouca gente fala "pãezinhos", mas tudo bem, não é esse o foco. Por que a gente usa o verbo ver para pedir algo? Não é estranho? Numa situação normal, se uma pessoa pedir para outra ver alguma coisa, ela não vai pegar essa coisa e entregar pra primeira pessoa. Então POR QUE NÓS FALAMOS VER PRA PEDIR ALGUMA COISA? Não sei. E, sinceramente, acho que isso é um mistério que ficará por muito tempo em aberto. Outra crença minha, vamos continuar "vendo" e pedindo pras pessoas "verem" muitas coisas pra gente.

quarta-feira, 2 de março de 2011

O que se espera de um blog?

Talvez essa devesse ter sido a primeira indagação a ser feita. Afinal, o que se espera de um blog? Quando uma pessoa decide seguir um blog, o que ela espera que ele ofereça? Bom, a resposta é muito ampla e depende de muitas variantes. Primeiro, depende do foco do blog, sobre o que trata, do que ele fala. Segundo, de quem é o blog, se for de alguém famoso ou que você conhece, não precisa ser muito bom não é? Se for de alguém que está começando, como é o meu caso, acho que a exigência é um pouco maior. Terceiro, a frequência de posts, se eu fosse o seguidor de um blog, eu gostaria de ver pelo menos um post novo por dia, no máximo a cada dois dias. A não ser em casos extraordinários, acredito ser bem possível o dono do blog postar todo dia.
Vou dizer agora o que eu espero de um blog, citando um exemplo. Vamos usar um blog de notícias da moda como exemplo. Eu começo a seguir e entro todos dias. O que eu espero? Que todo dia que eu entre tenha um post novo, porque senão eu posso acabar perdendo o interesse de ver. Eis o que pode acontecer: o dono do blog deixa de postar um dia, tudo bem acontece. Eu entro no outro dia, mas ainda não tem post novo. Uma semana se passa e eu continuo entrando, mas depois de tanto entrar e não ver novidade alguma, eu vou eventualmente esquecer de entrar um dia, e quando eu notar, nem vou estar entrando mais, e quando o blogueiro voltar a postar, eu não vou mais ver. Agora vamos pensar numa escala maior, e se todos os seguidores agirem como eu, e deixarem e visitar o blog depois de um tempo sem post, o que vai acontecer? O blog vai cair no esquecimento e logo o dono estará postando para ninguém.
Para fechar vou dizer o que você, que segue ou só entra de vez em quando pra ver, pode esperar desse blog, Contos e Indagações. Você pode esperar no mínimo um post por dia, quando não mais, e se não tiver post novo no dia, é por que eu realmente não pude. Você pode esperar contos engraçados, tristes, com aventura e até inspirados em histórias reais. Você pode esperar indagações que poucos tem coragem de fazer por medo ou comodismo, coisas sobre política, esporte, cultura e qualquer outro tipo de assunto. Você pode esperar comprometimento de minha parte para com você. E eu espero que você goste, pois estarei fazendo o meu melhor.

Jogos da Madrugada

Zé Mané tocou a campainha e ficou esperando seu amigo João Carlos mais conhecido pelo apelido Joca, atender.
– E aí, Zé, tudo beleza? – perguntou Joca ao abrir a porta.
– Tudo, e você? Como ta? – devolveu Zé Mané enquanto entrava e apertava a mão do amigo.
– Beleza. – ele respondeu, fechando a porta e acompanhando Zé até a mesa da sala de jantar.
– O Rob já chegou? – perguntou Zé por Roberval, outro amigo dele que também era mais conhecido pelo apelido, ao ver dois laptops na mesa.
– Sim, ele ta no banheiro. Ei, você trouxe seu laptop né? – perguntou Joca.
– Isso é pergunta que se faça? É claro que eu trouxe.
Zé Mané colocou seu laptop entre os dos amigos e começou a ligar, quando Rob voltou e os dois se cumprimentaram. Esse tipo de encontro acontecia uma vez por mês, independente do que acontecesse. Os três amigos se reuniam na casa de Joca, que era a maior e com internet mais rápida, para jogar todo tipo de jogo eletrônico e falar besteira a madrugada toda.
– E então, vamos começar com o que? RPG online? – perguntou Zé.
– Lógico. – respondeu Joca.
A jogatina já estava acontecendo há umas duas horas, quando Zé Mané decidiu contar aos amigos a mais recente novidade de sua vida.
– Galera, tenho uma coisa a dizer pra vocês. – ele começou. – Hoje eu saí com uma gatinha, nós fomos ao cinema e durante o filme até rolou uns amassos. – ele terminou com uma risadinha.
Os dois amigos ficaram encarando ele por um tempo e até pararam de jogar, simplesmente viraram o rosto e olharam para Zé Mané. Ao perceber algo errado no jogo, ele avisou os amigos.
– Hã, pessoal, vocês vão morrer. – ele disse calmamente.
Eles voltaram rapidamente suas atenções para o jogo e salvaram seus personagens da morte iminente.
– Você disse que saiu com uma gatinha? – perguntou Rob.
– E que rolou uns amassos? – emendou Joca.
 Zé Mané explicou tudo detalhadamente, como conheceu Duda, como eles pararam de se falar, o incidente no ônibus, até o encontro no cinema.
– Uau! Você teve uma semana bem agitada hein Zé? – se admirou Rob.
– E a próxima vai ser mais ainda. Eu decidi que vou ter fazer algo que realmente não queria, mas que com uma namorada é indispensável.
– O que? – Rob e Joca perguntaram juntos.
– Vou procurar um emprego. – ele disse em um tom bem sério.
Os dois amigos repetiram a encarada que fizeram da primeira vez, mas dessa vez, Zé percebeu logo e rapidamente os tirou do transe.
– Vocês vão morrer de novo. – ele disse brincando.
Eles se recuperaram e voltaram a si.
– Você ta namorando e vai começar a trabalhar? Onde esse mundo vai parar? – zombou Joca.
– Engraçadão. – Zé fez uma careta, enquanto os dois amigos riam. – Agora vamos jogar, que a madrugada passa muito rápido.
Jogaram em seus laptops até umas 4 da manhã, então decidiram trocar de jogo, e foram jogar no console de Joca. Variando entre luta, futebol e corrida, eles ficaram até 8 da manhã nesse ritmo, quando enfim cansaram.
 Rob foi ao banheiro, enquanto Joca arrumava os colchões para eles dormirem até 1 ou 2 horas da tarde.
– Não precisa pra mim. – disse Zé Mané.
– Por quê? – perguntou Joca.
– Não to com sono.
– Você ta há 24 horas acordado, é claro que você ta com sono.
– Bom argumento. Eu só não quero dormir agora, beleza?
– Ta bem. – concordou Joca.
Zé Mané esperou Rob voltar do banheiro e se despediu dos amigos. Ele foi cochilando no ônibus de volta pra casa, mas com o pensamento constante de que tinha muito o que fazer naquele dia, currículos para montar, ligações para fazer, pessoas para conversar, e enfim mudar o rumo de sua vida.

terça-feira, 1 de março de 2011

Quantos "negos" é preciso para ser preconceito?

Bom, já foi postado a parte de Contos do título deste blog, e agora chegou a vez de uma Indagação. Resolvi começar com um assunto forte e delicado ao mesmo tempo, mas necessário. Para evitar qualquer tipo de interpretação errada, devo dizer desde já que não sou racista nem preconceituoso, para mim todas as pessoas são iguais, e somente Deus pode julgá-las e diferenciá-las. Apenas para enfatizar o fato, e não por querer me defender de algo que eu possa vir a dizer, quero dividir com vocês algumas informações sobre mim. Meus dois avôs são negros, o que fez com que quase todos meus tios e meus pais, nascessem morenos, uns mais outros menos, eu tenho tios e primos negros, e eu acho que isso faz de mim um pouco negro =D.
Mas chega de enrolar, vamos ao assunto do post, começando pela origem dele. Eu participo de um chat no msn e lá acontece muita brincadeira e piada sobre negros, eu mesmo já fiz algumas, e eu me perguntava: 'isso é racismo?'. Meu avô materno, que é negro, vive fazendo piadas sobre negros e acho que a maioria que eu sei, aprendi com ele, mas acho que nesse caso tudo bem né? Afinal ele é negro, um negro fazendo piada de si mesmo não tem problema, certo? Por que? Se for assim, só gay poderá fazer piada de gay, só português poderá fazer de português, loira de loira, e assim por diante. Acho que tudo depende de quem está falando, quem está ouvindo e o modo que o primeiro fala e o segundo interpreta.
Nesse chat que eu participo muitas vezes nos referimos a nós mesmos com o termo nego, mas lá no chat tudo bem, todo mundo já ta acostumado. Imaginando que não havia nenhum problema, eu decidi usar esse termo de verdade, fora da internet. No último ano novo, durante o jantar da virada, num assunto que eu não me lembro qual, eu usei a palavra nego e uma das pessoas da mesa perguntou: 'mas por que nego?'. Eu disse que nego era sinônimo de qualquer pessoa e parou por aí. Foi então que eu comecei a pensar, as pessoas ainda criam problemas por causa de algo que deveria estar extinto. O bom humor é a chave para o bom convívio e conhecer as pessoas também ajuda bastante, mas às vezes precisamos dar uma chance para quem não conhecemos. Por isso quando alguém disser que tinha 3 nego muito engraçado na TV ou no último escanteio do jogo os 10 nego do time foram pra área, não necessariamente está sendo racista ou preconceituoso. Está só usando gíria, gíria essa que muitas vezes é má interpretada pelas pessoas. Finalizo esse post sério dizendo que 90% das vezes a maldade está na cabeça de quem interpreta mal as palavras do próximo.