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segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

A Arte De Roubar T04C13 - Capítulo Final da Série

A ARTE DE RECOMEÇAR 

Quando Léo descobriu o IP de um dos computadores da empresa de Barton, todos decidiram ir embora da favela e ir para o julgamento. Imaginaram que teriam problemas com Polaco Azedo, mas este se mostrou bem compreensivo. 
― Sabia que esse dia chegaria. - ele começou. - Em 10 dias, vocês contribuíram bastante para os meus negócios. Mais do que eu imaginaria. Eu deveria obrigá-los a ficarem aqui e continuar com suas funções, mas não sou tão mal assim. Deixo as portas abertas para quando quiserem voltar. - o traficante loiro disse. - Fiquei sabendo que estão sem carro agora. 
― Precisamos nos livrar deles para ajudar o Joel. - Charger explicou. 
― Hum, então podem escolher dois dos que vocês estavam trabalhando, com exceção do meu, é claro. - Polaco disse e surpreendeu a todos. - Agora vão, antes que alguém comece a chorar. 

― Então, no fim ele é uma boa pessoa, apesar de ser um criminoso. Isso é muito contraditório? - Joel disse ao fim da narrativa. 
― Um pouco. - Lívia disse. 
― Tenho um anúncio muito importante a fazer. - Joel disse a todos que estavam no Centro de Operações. - Eu decidi que nós vamos devolver todo o dinheiro que roubamos. 
― O que? - Facada foi o primeiro a questionar. 
― Como é que é? - Charger emendou. 
― Você pirou? Depois de tudo pelo que passamos. - Léo disse. 
― Calma, pessoal, calma. - o líder pediu. - Só vamos devolver o dinheiro do shopping e do museu, o do banco nós não temos. Se tem alguém que merece ser roubado nessa história é o Barton, por isso é só com o dele que ficaremos e é mais do que suficiente para mudarmos de vida. - finalizou. 
― Mas como vamos devolver o dinheiro sem ninguém perceber? - Taís quis saber. 
― Eu tenho um plano. - Joel disse. 
O grupo contratou duas pessoas e duas vans para fazer a entrega do dinheiro nos dois lugares em que iriam devolver. Nenhum dos entregadores sabia do conteúdo que carregava. A surpresa tomou conta de todos, quando as malas foram abertas e notas de dinheiro começaram a voar. A notícia passou em todas as mídias. 

                            

A cidade de Fênix, situada na região centro-norte do Paraná, recebeu três novos moradores. Joel comprou duas casas, uma para morar e outra para abrir uma oficina mecânica. Três meses se passaram desde que tinham se mudado de Curitiba e toda sua agitação de cidade grande. 
Era tarde da noite e Joel decidiu olhar seu e-mail. Havia uma mensagem de Léo. 
“E aí, como estão as coisas? Imagino que bem, notícia ruim costuma vir rápido. Desculpa pela demora em responder, mas andei bem ocupado nas últimas semanas. Você queria saber como todo mundo se arranjou, não é? Muito bem, lá vai. 
“Taís vendeu a oficina do pai dela e se mudou com Charger para o Abranches, onde comprou um lugar maior ainda. Os dois têm trabalhado bastante, mas me disseram que sentem falta de um bom gerente. Eu disse para contratarem alguém, mas eles não querem ninguém desconhecido gerindo o negócio deles. Não posso culpá-los. 
“Bomber usou parte do seu dinheiro para 'comprar' sua entrada na polícia de novo. Os corruptos que armaram contra ele se tornaram os manda-chuvas hoje, por isso não foi difícil para o nosso amigo falar a língua deles. Muito embora, de algum jeito misterioso, ele conseguiu tirar todos eles da corporação sem se sujar. Ele e a Sandra noivaram e pretendem se casar ano que vem. Ela está estudando para entrar na polícia também. 
“Eu abri uma empresa de manutenção de computadores. Você não tem ideia de quantos PCs eu recebo para arrumar por dia. Não sei se você lembra, quando me inflitrei no BACEN, conheci uma menina linda, Luana era o nome dela. Por conta da operação, nunca mais havia falado com ela, mas o destino foi generoso e me fez encontrá-la outra vez. Inventei uma história qualquer para explicar meu sumiço e desde então, temos saído.
“Outro que se deu bem com uma funcionária do BACEN foi o Facada. Lembra aquela mulher que nos viu quando saímos do arquivo? O nome dela é Marquieli. Ao contrário de mim, o Luiz não esperou pelo destino e foi atrás dela assim que a poeira baixou. Depois de um tempo, eles começaram a namorar e recentemente se mudaram para uma fazenda em uma cidade vizinha daqui. Dá para acreditar nisso? Mas eles vêm gastar o dinheiro aqui nos fins de semana. 
“Ah, sua amiga Lívia continua acompanhando o caso do Estado contra o Barton, mas parece que isso vai demoraaar. Que eu saiba, ela não fez nada de extravagante com o dinheiro que recebeu de você. Falando nisso, e você? O que tem feito? Como tá a nova vida? Valeu a pena sair da cidade grande? Abraços de toda a galera!”
Joel abriu um largo sorriso ao saber sobre seus amigos e prontamente respondeu o e-mail de Léo. Quando acabou, seu filho entrou no escritório. 
― Papai, conta uma história para eu dormir? - Leandro pediu. 
― Claro que sim, filhão. Vamos lá. - Joel disse, enviou a mensagem e desligou o computador. 
“Léo, não sabe o quanto fiquei feliz em saber da galera. Mudar para essa cidade pequena foi a melhor coisa que fiz. Meu filho tem muito mais liberdade e já fez vários amiguinhos na escola. Eu também conheci muita gente bacana aqui. A May decidiu me ajudar na oficina, mas por meio período só. Ela disse que alguém tem que cuidar da casa e que com certeza eu não vou. 
 “Quando as coisas se estabilizarem por aqui, pretendemos ir para Curitiba. A mãe da May mora aí afinal. Ela não quis vir com a gente. Ainda bem, assim a May não reclama de ir aí. Enquanto ela passar com a mãe, eu saio com vocês e nós tomamos aquela breja. E espero vocês aqui qualquer dia também. Abraços para todos!”
― Que história vai contar, papai? - Leandro perguntou ao ser coberto até o pescoço. 
― A história de um homem que tinha tudo, mas não percebeu e precisou perder quase tudo para dar valor. - Joel disse e viu a careta do filho. - Falando assim parece chato, mas acredite há muito mais ação do que você imagina. 
― O que aconteceu com ele? - a criança perguntou. 
― Já quer saber o final? - o pai se supreendeu. - O que posso dizer é que depois do pior ter passado, ele se tornou o homem mais feliz do mundo. - Joel disse e logo seu filho adormeceu. 
Apagou a luz e deixou a porta entreaberta. Foi para o seu quarto e deitou ao lado de sua mulher. 
― Acha que devia contar essas histórias para ele? - May perguntou. 
― Ah, você ouviu! - Joel disse e riu. - Sabe a melhor parte das histórias, amor? - ele perguntou e respondeu. - São só histórias. - disse e beijou a esposa. 
                       
                                                                        FIM

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

A Arte De Roubar T04C12

VEREDICTO

O júri chegou a um veredicto? – o juiz perguntou aos jurados.
Sim, Meritíssimo. – o porta-voz do júri respondeu.
E qual seria? – o juiz quis saber.
O júri considera o réu: para a acusação de porte ilegal de arma, culpado; para a acusação de tentativa de homicídio, culpado.
Começamos bem, hein. - Joel sussurrou para Lívia.
Isso já era esperado. Agora vem o importante. - ela devolveu o sussurro.
― …para a acusação de formação de quadrilha, inocente. - o porta-voz disse e o público se agitou, forçando o juiz a bater o martelo. - E para a acusação de roubo, inocente.
O juiz esperou o silêncio acontecer para dar a sentença.
Joel Dasco, devido ao fato de você ser réu primário e não ter negado as acusações das quais foi considerado culpado, vou sentenciá-lo a 500 horas de trabalho comunitário mais uma multa de 1500 reais. - o mais velho da sala decretou.
Muito obrigado, Meritíssimo. - Joel disse.
Mas que raio de sentença é essa? O senhor está maluco? - Barton gritou ao juiz. - Cadê a justiça? - ele disse e se levantou.
A justiça está no fato de que recebi há pouco uma prova de que o IP do computador que adulterou as câmeras é da sua empresa. Logo, pode esperar um longo processo a caminho. - o juiz declarou quase rindo e também se levantou.
O que? - o empresário surtou. - Você está louco? Ele enganou todos vocês, é tudo armação dele, seu velho insano. - Barton disse espantando a todos e irritando o juiz.
Agora, o senhor passou dos limites! - O juiz disse. - Guardas! Prendam-no! - ordenou e os oficiais foram até o empresário.
Não! Me soltem! Sabem quem eu sou? - Barton gritou e foi sendo arrastado da sala. - Isso não acabou, Dasco! Eu ainda acabo com você!
Até mais, Barton! - Joel disse e acenou.


Quando o empresário foi levado pelos guardas, o público foi deixando a sala.
Você não tem medo, Joel? - Lívia perguntou enquanto esperavam para sair.
Claro que tenho, mas ele não precisa saber. - o réu absolvido disse.
No corredor do fórum, Mayara e Leandro esperavam por Joel e Lívia.
Papai! - o garoto chamou ao vê-lo e correu para o colo do pai.
E aí, filhão! - Joel disse ao pegá-lo e beijá-lo. - May. - disse ao chegar perto da esposa. - Obrigado por vir.
Não podia deixar o pai do meu filho ir para a cadeia. - ela respondeu.
Esse foi o único motivo? - ele quis saber.
Não. - ela disse com relutância. - Mas agradeça a sua amiga, se não fosse ela, eu não teria nem cogitado vir.
Eu sei. - Joel disse e olhou para a loira que ficou vermelha de vergonha.
Que isso, gente. Não foi nada. - ela disse e eles saíram do fórum.
Do lado de fora, Joel reconheceu cinco pessoas em um grupo de seis que estava reunido próximo do local.
Ei, vocês vieram! Não é perigoso estarem aqui? - Joel disse ao se aproximar, mas não conseguiu falar mais nada antes de receber um abraço de cada um de seus amigos: Charger, Taís, Tecno Léo, Luiz Facada e Bomber. - Você, eu não conheço. - disse à mulher que estava com Bomber.
Meu nome é Sandra. Sou a namorada do Marcelo. - ela respondeu.
Foi por ela que eu saí do grupo e deixei de participar da última operação. Sinto por isso, Joel. - Bomber disse
Não sinta. Se eu tivesse deixado tudo isso de lado por uma mulher desde o começo, eu não teria quase sido preso. - Joel disse e olhou para May. - Aproveitando, pessoal, essa é a dona do meu coração, May.
Muito prazer! - ela disse.
Bom, eu vou indo. Vocês têm muita conversa para pôr em dia. - Lívia disse e começou a se virar.
Como assim? - Joel perguntou. - Você mentiu em um tribunal de justiça para me defender e precisa receber por isso.
Tem razão. - ela concordou.
Vocês estão sem carro agora, né? - Joel lembrou ao perguntar para os amigos.
Na verdade, não. Mas vamos esperar a poeira baixar para te atualizar. O Barton pode estar à escuta. Aliás, cadê ele? - Charger disse.

Foi preso. - Joel chocou a todos. - Vamos para o Centro de Operações. Conto tudo lá.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

A Arte De Roubar T04C11

TESTEMUNHAS

― Consegui! – Léo vibrou e chamou a atenção de Facada.
― O que? – o atirador de facas perguntou.
― Finalmente quebrei a segurança do sistema eletrônico da empresa do Barton. – o técnico de informática disse.
― E isso adianta alguma coisa agora? – Facada.
― Sim, com certeza. Agora poderemos ter a prova que falta para o Joel sair livre e o Barton se complicar de vez.


― Agora, vamos para as testemunhas de cada lado. – o juiz decretou. – Primeiro, a acusação.
― A acusação chama o senhor Wanderson Arrais. – Rosolen disse e um homem velho se levantou do público que assistia o julgamento.
O homem sentou no banco de testemunhas e fez o juramento. Logo na sequência, o promotor se aproximou para questioná-lo.
― Era o senhor que estava na recepção quando o Sr. Dasco chegou?
― Sim, senhor. – a testemunha respondeu.
― Olhando naquele momento, o senhor diria que ele é perigoso?
― Ele estava com uma expressão séria e parecia bem nervoso. – o porteiro respondeu.
― Em comparação com as outras pessoas que vão frequentemente visitar o Sr. Barton, o senhor diria que o Sr. Dasco é uma delas? – Rosolen perguntou.
― Não, senhor. O Sr. Dasco é bem diferente das pessoas que entram lá no prédio normalmente. – Wanderson respondeu.
― Obrigado. Sem mais perguntas. – o promotor disse e se sentou.
― Seu Wanderson, o senhor ficou até depois do seu horário no dia em que o meu cliente foi ver o seu chefe, não é? – Lívia perguntou.
― Fiquei, sim, senhora. – a testemunha respondeu.
― Apesar da diferença para com as pessoas que lá vão normalmente, como o senhor afirmou, o meu cliente lhe tratou mal de alguma forma?
― Não, senhora. Como eu disse, ele só estava nervoso com alguma coisa. – Wanderson disse.
― Obrigada. – a loira agradeceu e retornou ao seu lugar.
― Só isso? – Joel reclamou.
― Relaxa, essa era a testemunha deles. Na nossa, eu arrebento. – ela disse para acalmá-lo.
― A defesa tem alguma testemunha? – o juiz perguntou.
― Sim, Meritíssimo. – Lívia respondeu. – A defesa chama a Sra. Mayara Dasco.
A morena levantou e se dirigiu ao banco de testemunhas. Passou pelo juramento, mas dessa vez foi Lívia quem começou as perguntas.
― Como a senhora avalia o seu casamento com o meu cliente? – a loira perguntou.
― Com altos e baixos, assim como a maioria dos casamentos.
― E como diria que está agora? – a advogada quis saber.
― Bem baixo, há algumas semanas eu voltei para a casa da minha mãe. – Mayara respondeu.
― Por quê? O que houve? – Lívia emendou.
― O último negócio do Joel não deu certo e ele insistiu em fazer um empréstimo com um empresário conhecido dele, uma grana alta. – Mayara disse. – Eu pedi para não fazer isso, mas ele não me ouviu e eu disse que não iria fazer parte daquilo.
― No entanto, hoje a senhora está aqui. – a loira disse.
― Ele é pai do meu filho e eu ainda o amo. – a morena disse e respirou. – E eu não poderia deixar de vir... ajudar a impedir que... o Joel seja condenado por algo que... ele não fez. – ela conseguiu dizer depois de várias pausas.
― Sobre isso, a senhora acha que seu marido seria capaz de roubar? – a advogada perguntou.
― Sim. – a testemunha respondeu e surpreendeu a todos. Joel ficou sem entender e Barton sorriu. – Desde o momento em que o conheci, Joel roubou meu coração e desde então roubou muitos beijos meus. – ela disse e o réu respirou aliviado, enquanto o público ria e aplaudia, e o juiz martelava por silêncio.
― Obrigada. Sem mais perguntas. – a loira disse e voltou ao seu lugar. – Está bom para você? – ela perguntou para Joel.
― Tirando o quase infarto que eu tive, sim. – ele e sorriu, enquanto Rosolen levantava para interrogar Mayara.
― A senhora disse que está semanas longe de seu marido. Como pode ter tanta certeza de que ele não roubou durante esse tempo? – o promotor perguntou.
― Eu confio nele e, além disso, tem as evidências para provar isso. – ela disse e provocou vários murmúrios no público.
― A senhora é mesmo confiante, não é? – ele devolveu.
― Sim, eu sou. – ela respondeu de imediato, encarando-o.
― Sem mais perguntas. – ele disse sem mais argumentos.
O juiz declarou intervalo para o júri avaliar os testemunhos e as novas provas para definir o veredicto.
Enquanto tomava uma água e revia alguns documentos em sua sala, o juiz foi surpreendido pela entrada de um rapaz e um guarda.
― Senhor, desculpe, ele disse que é urgente. – o oficial disse e o juiz deixou o rapaz entrar.
― Desculpe interrompê-lo, meu nome Rômulo e sou perito. Hoje descobri algo que pode ser a prova que definirá esse caso que o senhor está presidindo agora. – o jovem disse e entregou um papel para o juiz.
― Os jurados precisam saber disso. – ele disse e levantou o olhar. – Isso muda tudo, rapaz!

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

A Arte De Roubar T04C10

VERDADE

― Eu também tenho uma evidência para acrescentar ao processo, Meritíssimo. – Lívia disse e avançou para entregar os papeis ao juiz. – Esses são recibos de compras de carros. Recebi hoje pela manhã no meu escritório de modo anônimo. Após uma rápida conferência, descobri ser os mesmos veículos usados nos roubos do Shopping Barigui, do Museu Oscar Niemeyer e do Banco Centra. – a advogada concluiu.
― Protesto! Isso não tem relação com o caso. – Rosolen argumentou.
― Claro que tem. – Lívia revidou antes do juiz falar. – Se for verdade, o seu cliente é o ladrão da história.
― Ela tem razão. – o juiz concordou e Rosolen olhou para Barton.
― Isso não é verdade. – Barton disse.
― Então, não vai se importar de olharmos a garagem da sua empresa. – a loira sugeriu e encurralou o empresário.
― De modo algum. – ele disse sem opção.
A audiência foi interrompida até que houvesse a verificação dos carros na garagem do prédio em que ficava a seguradora de Barton. Lívia só pôde ficar torcendo para que Taís e Charger tivessem conseguido executar o plano da morena. Enfim, os guardas enviados pelo juiz voltaram com a confirmação.
― Sr. Barton, a sua situação acabou de ficar bem complicada. – o juiz disse. – Agora, vamos aos testemunhos do réu e da acusação. Primeiro, o réu. – decretou.


Joel foi levado ao banco das testemunhas e em seguida, um guarda foi até ele com uma bíblia na mão.
― Jura dizer a verdade, somente a verdade, nada além da verdade, em nome de Deus? – o oficial disse.
― Eu juro. – o réu respondeu, sabendo que eventualmente teria de quebrar o juramento.
― A defesa tem a palavra. – o juiz decidiu e Lívia se aproximou de Joel.
― Sobre o que você foi conversar com o Sr. Barton, na noite em que foi preso? – Lívia perguntou a Joel.
― Fui pedir mais tempo para pagar o dinheiro que devo a ele. – o réu respondeu.
― Ele aceitou? Quanto deve? – ela perguntou.
― Devo 20 mil e ele não aceitou. Disse que precisa do dinheiro agora.
― Por que levou uma arma? – a loira quis saber.
― Eu estava desesperado. Ele já estava me cobrando a tempos. Eu só queria assustá-lo. Nunca pretendi atirar. – Joel contou.
― E por que atirou? – Lívia quis saber.
― Porque ele atirou antes. Meu dedo estava no gatilho, quando fui atingido, disparei no reflexo. – explicou o réu.
― Sem mais perguntas, Meritíssimo. – a loira sentou em seu lugar e o promotor se levantou para se aproximar de Joel.
― Bom dia, Sr. Dasco. Como vai? – Rosolen iniciou.
― Já estive melhor. – o réu respondeu.
― Diga, Sr. Dasco, por que não aceitou quando meu cliente lhe ofereceu ajuda para levantar? – o promotor perguntou.
― O cara tinha acabado de atirar em mim. Acho que reagi da maneira mais condizente. – Joel respondeu.
― Certo. E mesmo sabendo das implicações que viriam, o senhor não tentou fugir quando chegou ao térreo. Por que? – Rosolen quis saber.
― Como fugiria? Estava mancando e sangrando, seria pego antes de chegar à esquina. – o réu disse e sorriu ao fim.
― Faz sentido. Agora, vamos falar sobre a sua equipe. Onde ela está agora? – o advogado de acusação disse.
― Não há equipe, achei que tínhamos superado essa parte. Seja quem for que roubou o Sr. Barton, não tem nenhuma ligação comigo. – Joel explicou.
― Preciso lembrar-lhe que está sob juramento? – o promotor disse.
― Preciso lembrar-lhe das evidências? – o réu revidou.
― Sem mais perguntas, Meritíssimo. – Rosolen disse e voltou a seu lugar.
― Sr. Dasco, pode voltar para o seu lugar. – o juiz decretou. – Sr. Barton, dirija ao banco de testemunhas, por favor. – o empresário obedeceu e passou pelo processo de juramento. – A defesa tem a palavra.
― Segundo os autos, o meu cliente chegou ao seu escritório às 18h03. Isso está correto? – a loira perguntou.
― Sim. – Barton respondeu calmamente.
― Segundo a perícia, para roubar os objetos, dinheiro e documentos de todos os andares da sua empresa, uma pessoa levaria pelo menos uma hora. Considerando que o tempo em que as câmeras de tais andares foram alteradas é o mesmo em que o meu cliente estava com o senhor, o que pode ser provado graças ao vídeo que o senhor mesmo forneceu, é possível concluir que seria impossível ao meu cliente roubar seu prédio ao mesmo tempo em que estava em seu escritório. O senhor concorda? – a loira finalizou.
― Sim. – ele disse desconfortável. – Mas tem a equi...
― Quando meu cliente lhe apontou o revólver, o senhor não pareceu abalado. – Lívia aumentou o tom de voz e o interrompeu.
― Eu sabia que ele era um homem perigoso, mas sabia que iria querer me ameaçar antes. – o empresário disse.
― O senhor admite ter pensado que meu cliente não iria atirar? – a loira indagou.
― Sim, quer dizer, não. – Barton se atrapalhou ao responder.
― Vejam, senhores e senhoras. – a advogada se virou para o júri. – Com isso, eu tenho quase certeza que o conceito de legítima defesa vai por água abaixo. – ela se voltou ao empresário. – A ligação à polícia foi feita às 18h07, quatro minutos depois que meu cliente entrou em sua sala e um minuto antes de ele lhe apontar a arma. Como o senhor explica isso? – ela disse mas não o deixou responder. – Não, não, deixa que eu explico. O senhor contratou uma equipe para roubar sua própria empresa e enquanto conversava com o meu cliente, um funcionário seu os observava e ligou para a polícia, pedindo muitas viaturas, pois o prédio estava sendo assaltado. Ou seja, o senhor fez tudo isso para incriminar meu cliente e chegarmos a esse julgamento hoje. – ela concluiu.
― Não foi assim que aconteceu. – ele disse com raiva.
― Então como foi? – ela devolveu com mais ferocidade e se apoiou na bancada em frente a ele, encarando-o.
― Como eu disse à polícia. – ele respondeu ao se ver novamente encurralado pela advogada loira.
― Sem mais perguntas. – ela disse e voltou ao seu lugar, mas falou ao passar pelo promotor. – Bate essa, bonzão. – sorriu e se sentou.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

A Arte De Roubar T04C09

PROVA

Apesar de não haver provas concretas que comprovem a participação de Joel no assalto ao prédio de Barton, o ladrão achou melhor Lívia ir ver o que Taís encontrou nos documentos que roubou. Após muita insistência de Joel, a loira aceitou ser buscada por um de seus amigos.
― O Polaco pode ser nosso aliado hoje, mas ele ainda é um traficante e a Vila Zumbi ainda é perigosa para quem é de fora. – o ladrão argumentou.
O local marcado foi um shopping. A própria Taís foi buscar a advogada. Após o reconhecimento inicial, foram para o carro. No caminho, conversaram sobre Joel e o processo. Um pouco antes de chegar, a morena deu um aviso.
― Você vai precisar fazer vista grossa para o que verá onde estamos. – Taís disse.
― Eu entendo. – a advogada disse.
Ao entrarem na casa, a morena foi procurar os três amigos para a loira conhecê-los.
― Esse é o resto do grupo: Charger, Léo e Facada. – Taís disse e apontou para cada um enquanto falava. – Essa é a Lívia, amiga e advogada do Joel. Nós vamos lá para o meu quarto, está bem? – ela avisou aos amigos.
Enquanto subia as escadas, a loira viu um homem mal cheiroso com sacos de maconha, indo para os fundos. Lembrando das palavras da morena, ela desviou o olhar. O quarto da mecânica era o mais limpo da casa. A advogada se sentiu bem pela primeira vez desde que chegara ali.
― Bom, não vamos perder tempo, certo? – Taís disse ao fechar a porta do cômodo. – Aqui estão todos os documentos que peguei dos escritórios do prédio. Os rapazes ficaram bem bravos comigo, foi uma mochila inteira só disso. Aqui está o que eu achei que pode ser útil. – a morena entregou uns papéis para Lívia.
― Isso são recibos de compras de carros. – a advogada notou.
― Dos carros usados nos roubos do Shopping Barigui, Banco Central e Museu Oscar Niemeyer. – Taís especificou.
― Isso não livra o Joel das acusações. – Lívia disse.
― Não, mas põe o Barton em maus lençóis. E o Léo está, desde que chegamos aqui, tentando passar pela segurança eletrônica da empresa do Barton para mexer nas configurações mais complicadas. – a morena contou.
― Bom, atrapalhar o Barton é melhor que nada. – a advogada disse tentando ver uma utilidade naquilo tudo.


Antes do juiz chegar, Joel olhou para trás pela primeira vez desde que tinha entrado na sala. Todos os bancos estavam ocupados. No meio de tanta gente, ele notou uma criança dormindo ao lado da mãe, que estava olhando o celular. Lágrimas surgiram nos olhos do réu, que se virou para sua advogada.
― Você conseguiu. – ele disse.
― Ah, você viu. – ela disse calmamente. – Era para ser surpresa. Ela me ligou hoje cedo.
― Muito obrigado. – Joel disse no momento em que o juiz sentou em seu lugar.
― A sessão está iniciada. – o juiz bateu o martelo para silenciar a todos. – Hoje é a segunda audiência do caso Seguradora Barton contra Joel Dasco. O Sr. Dasco é acusado de tentativa de homicídio, porte ilegal de arma, formação de quadrilha e roubo de objetos, documentos e dinheiro da Seguradora Barton. – o juiz fez uma pausa. – Bom, para começar...
― Meritíssimo! – os dois advogados chamaram e levantaram juntos.
― A acusação tem a palavra. – o juiz definiu e Rosolen avançou.
― Gostaríamos de adicionar uma nova evidência ao processo, Excelência. O pessoal de informática do meu cliente conseguiu ontem acesso a câmera do escritório em que meu cliente e Sr. Dasco conversavam. – o promotor disse.
― Vamos ver. – o juiz disse e o advogado foi até a televisão que havia na sala e colocou o DVD no aparelho abaixo da tela e ligou.
― Infelizmente, Excelência, não foi possível recuperar o áudio, mas as imagens falarão por si só. – Rosolen disse e na TV mostrava o momento em que Joel entrou no escritório. – Para não ficarmos assistindo em silêncio, irei narrar para vocês. Vejam como meu cliente é cortês e simpático desde o primeiro momento em que o Sr. Dasco entrou em sua sala. Agora, ele o convida para sentar, mas o Sr. Dasco recusa. A conversa evolui e meu cliente está sempre sorrindo. Então, do nada, o acusado saca uma arma de fogo e aponta para o meu cliente, que percebendo o perigo que corria, colocou sua mão embaixo de sua mesa, onde havia uma arma de fogo, legal e com registro em dia, e atirou antes do Sr. Dasco. – Rosolen dizia e apontava para a tela, enquanto olhava para o público e o júri. – Vejam como meu cliente é solícito para ajudar o homem em quem acabou de atirar. O Sr. Dasco recusa e se arrasta para longe até enfim conseguir sair da sala. – o advogado concluiu.
― Protesto! – Lívia disse e levantou novamente. – Meritíssimo, com um vídeo sem áudio qualquer interpretação pode ser feita. Não sabemos o teor da conversa entre os dois. – ela argumentou.
― Independente da conversa, doutora, seu cliente apontou uma arma de fogo para o Sr. Barton e isso por si só já é crime. – o juiz decretou. – Agora, me diga o que queria. A defesa tem a palavra. – ele disse, enquanto Rosolen voltava para o seu lugar.
― Bate essa, gatinha! – o promotor disse ao passar pela loira.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

A Arte De Roubar T04C08

FATOS

Dez dias se passaram desde que Joel foi contactado por seus amigos através de Oliver. Em todo esse tempo, o ladrão foi vigiado pelos homens do Barton. Eles se revezavam, mas sempre tinha um ali. Joel chegou até a falar com alguns. Enquanto isso, na Vila Zumbi, Taís continuava a ler e reler os papeis que havia roubado do prédio do ex-financiador do grupo de ladrões.
Por vezes, Joel tentou marcar com que Taís e Lívia se encontrassem, mas a loira estava sempre muito ocupada. Com a ajuda de Charger e os outros, os negócios de Polaco estavam cada vez melhor, e o traficante não poderia estar mais feliz.
Mayara passou esses dez dias com dificuldades para pegar no sono, pois toda noite pensava na decisão que precisava tomar. E pelas manhãs, se pegava pensando nisso também.
Lívia foi buscar Joel para irem à primeira audiência.
― Nervoso? – ela perguntou enquanto dirigia.
― Um pouco. – ele admitiu.
Na sala de audiência havia a bancada do juiz e seus escrivães. Uma mesa estava de modo transversal a ela, formando um T. Havia seis lugares, mas apenas quatro estavam preenchidos. De um lado, Olívio Barton e seu advogado, Gastão Rosolen, e do outro, Joel e Lívia. O juiz chegou e sentou em seu lugar.


― Vamos iniciar a primeira audiência do caso Seguradora Barton contra Joel Dasco. – anunciou. – O réu é acusado de roubo, porte ilegal de arma, formação de quadrilha e tentativa de homicídio. A acusação tem algum acordo para propor? – o juiz perguntou.
― Sim, meritíssimo. – Rosolen respondeu e olhou para os olhos azuis de Lívia, que estava sentada a sua frente. – Meu cliente retirará todas as queixas se o Sr. Dasco devolver tudo o que roubou da Seguradora Barton. – disse e sorriu.
― O que a defesa tem a dizer? – o juiz intermediou.
― Antes, meritíssimo, gostaria de lembrar meu colega de profissão que meu cliente não roubou nada da Seguradora Barton. Logo, é impossível aceitar tal acordo. – a loira disse.
― Então, você admite a existência de uma equipe por trás do roubo. Equipe essa que foi protegida pelo seu cliente. – Rosolen devolveu.
― Não é o que está em julgamento aqui. Além do que, em dez dias de investigações e análise dos peritos não foi encontrado nada que comprove uma ligação do meu cliente com os ladrões que roubaram o seu cliente. – Lívia disse.
― Ela está certa. – o juiz confirmou. – A polícia ainda está tentando descobrir e encontrar os responsáveis pelo roubo da seguradora. Mas o que estamos julgando nesse caso é se o Sr. Joel Dasco tem algum envolvimento em tudo isso ou não. Isso ficou claro?
― Sim, meritíssimo. – os dois advogados responderam.
― Muito bem. Dito isso, irei repassar alguns pontos. – o juiz disse e limpou a garganta para começar a falar. – O Sr. Dasco chegou às 18h à empresa do Sr. Barton. Todo o seu trajeto da recepção até a porta do escritório são visíveis nas câmeras, entretanto a conversa entre os dois não é vista. Ambas as partes já deram seu testemunho e a versão contada pelo Sr. Barton foi aceita pela polícia. Ao sair do escritório, o Sr. Dasco, já mancando devido ao tiro que levou do Sr. Barton, parece estar falando com alguém, mas segundo ele foi apenas um delírio do momento. – o juiz fez uma pausa e continuou. – A saída do elevador não mostrou nada de anormal e o Sr. Dasco saiu assim que a polícia mandou e foi bem cooperativo. Segundo laudo pericial, o computador central foi alvo de piratas e várias câmeras tiveram seu conteúdo alterado. Alguma pergunta? – o juiz perguntou ao terminar de ler.
― Não, meritíssimo. – Rosolen respondeu.
― Não, meritíssimo. – Lívia emendou.
― Confesso que peguei o caso hoje e dei uma lida rápida pela manhã. Há muito que preciso entender e analisar, mas acredito que amanhã, na sessão com júri e aberta ao público, as peças comecem a se encaixar. – o mais velho da sala disse. – Há algo que desejam acrescentar? – o juiz perguntou e os dois advogados responderam negativamente. – Então, preparem suas testemunhas e até amanhã. Essa sessão está encerrada. – disse e bateu o martelo.
Do lado de fora, acusação e defesa se encontraram.
― Você deveria aceitar meu acordo, Dasco. – o empresário falou.
― E você não deveria achar que já ganhou, Barton. – o ladrão devolveu.
― Por que não guardamos esse energia para amanhã? – Lívia disse puxando Joel para longe do empresário.
― Devo admitir que ele tem razão. Não ganhamos ainda. – Rosolen disse assim que a defesa saiu.

― Não se preocupe. Fatos talvez não possam ser mudados, mas a opinião das pessoas sim. – o empresário falou, com um sorriso no rosto.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

A Arte De Roubar T04C07

CONTATO

Ao abrir a porta, Joel recebeu um abraço inesperado.
― E aí, primo! Há quanto tempo! – o homem disse e o apertou forte, deixando seus rostos colados e a boca de um bem próximo ao ouvido do outro. – Seus amigos me mandaram aqui, finja que sou seu primo e me deixe entrar. Achamos que pode ter escutas na sua casa e além disso, tem o zóiudo ali do outro lado da rua. – o homem sussurrou e Joel confirmou o que já suspeitava, estava sendo vigiado.
― Tempo mesmo! – o ladrão disse abrindo um largo sorriso. – Entra aí, temos muito para conversar. – disse e deixou o visitante entrar.
Joel serviu bebida aos dois e eles sentaram para conversar.
― Trouxe um presente para você. – o falso primo disse e entregou uma grande Bíblia para Joel.
― Oh, muito obrigado, primo! Estou mesmo precisando melhorar o meu lado espiritual. – o ladrão disse e abriu o livro.
Todas as páginas estavam com um grande retângulo em seu meio. Para preencher esse vazio, havia um tablet. Joel clicou em um botão e a tela se iluminou, mostrando um grande arquivo de texto.
“Oi, Joel, aqui é o Léo, tudo bem? Antes de começarmos, agradeça ao Oliver por ter ido aí te entregar esse presente, sem ele não teríamos como nos comunicar de modo seguro.”
― Obrigado, Oliver. Muito gentil da sua parte. – Joel agradeceu.
― Não foi nada. Mas infelizmente não poderei ficar muito tempo. – o primo se levantou. – Vamos marcar de ir beber uma cerveja um dia desses.
― Com certeza! – Joel concordou e levantou para acompanhar o visitante até a porta.
Após a despedida, o ladrão voltou para dentro de casa para ler a ‘Bíblia’ que acabara de ganhar.
“Bom, primeiro, o pessoal e eu queremos agradecer pelo que você fez na última operação. Não fosse você, estaríamos todos presos agora. Por causa disso, não deixaremos que seu sacrifício tenha sido em vão. Além de objetos de valor, a Taís também pegou vários papéis dos escritórios do prédio do Barton.
“Ela disse que tem um que pode limpar sua barra e sujar a dele, mas ainda estamos vendo isso. Você deve estar se perguntando onde estamos. Bom, quero deixar bem claro que fui contra isso, mas estamos na Vila Zumbi, sob a proteção do Polaco Azedo. O Oliver é um dos homens dele, que aceitou nos ajudar a te entregar esse tablet.
“Recarregue-o de noite e verifique sempre durante o dia e não esqueça de folhear as páginas, para parecer que você está lendo um livro de verdade. É só isso por enquanto. Se quiser nos responder, certifique-se de que não está sendo visto. Cuide-se, Joel.”
Joel fechou a Bíblia e sorriu.


Lívia foi obrigada a aceitar o chá de camomila oferecido por Dona Roseli, mãe de Mayara, mulher de Joel. O filho do casal estava brincando no chão da sala enquanto as duas mulheres esperavam por Mayara. Esta, ao chegar, ficou surpresa.
― Não sabia que teríamos visita. – ela falou e deixou a bolsa em um armário, enquanto Leandro corria para abracá-la.
― Mamãe! – ele gritou e a apertou. – Essa moça é amiga do papai.
― Meu nome é Lívia. Muito prazer! – a loira se levantou e estendeu a mão.
― Por favor, vá embora. Não tenho nada para falar sobre o Joel. – Mayara passou com o filho no colo, pela sala.
― Pelo menos ouça o que tenho a dizer. Depois, prometo que a deixo em paz. – Lívia disse.
― Mãe, leve-o para o quarto. – Mayara disse para e entregou o filho para Dona Roseli. – Seja breve, trabalhei o dia inteiro e estou cansada. – ela disse e se sentou em um poltrona ao lado do sofá em que Lívia estava.
― Além de amiga, eu também sou advogada do seu marido. – a loira disse. – O Joel foi preso.
― Uma hora ia acontecer, eu sabia. – Mayara comentou.
― Ele está respondendo ao processo em liberdade. Haverá audiências e um julgamento para decidir o futuro do Joel. – Lívia disse.
― Nada mais justo. Vamos ver se assim ele aprende. Eu o avisei tanto. – Mayara disse. – Chega um ponto que a gente cansa.
― O seu testemunho seria importante e ajudaria muito o Joel.
― E por que eu faria isso? – Mayara devolveu. – Eu pedi para ele parar, disse que daríamos um jeito. Ele não quis me ouvir. Por que eu o ajudaria agora?
― Porque ele a ama, e muito. Você e o pequeno Leandro são as pessoas mais importantes para o Joel. – a loira disse.
― Não parece. – a morena continuou irredutível.
― Pensa em como vai ser ruim para o Leandro crescer com o pai na cadeia, ou sem ele. Você não pensa no seu filho?
― É só nele que eu penso. – Mayara respondeu e olhou feio para Lívia, que se arrependeu do que disse, mas então sua expressão se aliviou. – Sabe, apesar de todos os defeitos, uma coisa, devo admitir, o Joel sempre consegue fazer bons amigos. – ela disse e deu um sorriso cansado.
― Isso quer dizer que você vai ajudar o Joel? – Lívia perguntou com esperança.
― Isso quer dizer que vou pensar. – a morena respondeu.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

A Arte De Roubar T04C06

RECOLHENDO OS CACOS

― Não os encontramos em nenhum dos locais indicados, senhor. – um homem de terno disse ao telefone. – Nossa última parada foi a oficina da tal de Taís. Tudo indica que estiveram aqui, mas saíram antes de chegarmos.
― Muito bem, deixe um homem em cada local em que foram. Fiquem de olho para ver se o Dasco volta para casa, é quase certo que ele poderá responder ao processo em liberdade.  – Barton disse e desligou. – Desculpe pela interrupção, Dr. Rosolen. – ele disse ao homem com quem almoçava.
― Tudo bem, Sr. Barton, eu entendo. – o advogado disse.
― Quanto ao assunto sobre o qual estávamos conversando antes... – o empresário o lembrou.
― O senhor tem a minha palavra, Sr. Barton, eu farei Joel Dasco dever muito e ainda mais para o senhor. Além de passar um bom tempo na prisão, é claro. – Rosolen garantiu e fez o empresário sorrir.

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― Não precisava ter se dado ao trabalho de me trazer em casa. Já foi bastante ter me tirado da cadeia. – Joel disse assim que ele e Lívia desceram do carro dela.
― Antes de ser sua advogada, sou sua amiga. – a loira disse. – Você pode me oferecer uma bebida e ficamos quites. – ela disse e piscou para ele.
― Vamos ver o que tem. – ele disse e abriu o portão.
Do outro lado da rua, em um carro estacionado, um dos homens de Barton observava com interesse a chegada de Joel e Lívia. Ao abrir a porta de sua casa, o réu se deparou com um cenário incomum.
― Por que não estou surpreso? – Joel disse ao ver a bagunça da sua sala.
― Espero que essa não seja a sua decoração usual. – Lívia disse depois de se recompor do choque.
― Não. – o ladrão respondeu e abriu caminho com os pés. – Esse é o jeito do Barton dizer ‘bem vindo de volta’. – Joel ironizou.
― Você está querendo bater de frente com um peixe muito grande, Joel. – a advogada disse e pegou um porta retrato do chão. – Mulher e filho? – disse e mostrou-o a Joel.
― Sim. – ele respondeu e conseguiu chegar na cozinha.
― Por acaso, eles não estavam... – ela começou a dizer.
― Não. – Joel completou, aliviando-a. – A May foi para a casa da mãe dela na noite do primeiro roubo, quando vim me despedir deles. – o ladrão falou, lembrando.
― Seria muito bom ter o testemunho dela e do seu filho. – Lívia disse e olhou para o amigo.
― A May odiava o fato de eu roubar. Ela nunca falaria comigo e nem aceitaria me ajudar nessa situação. Diria que estou tendo o que mereço. E não estaria errada. – Joel disse e deu um copo de água a amiga.
― Bom, para que servem as amigas, não é mesmo? – ela disse e tomou um gole de água.


― Muito obrigado por nos receber. – Facada disse. – Embora ainda seja estranho estar na casa do Crioulo Doido. – o atirador disse sobre a construção grande, bonita e cara demais para a favela em que fora feita.
― Relaxa! Eu a uso apenas como depósito de armas, munição e drogas. Além do que, se você não tivesse fugido do Crioulo, hoje você estaria morando aqui como braço direito dele e seria meu inimigo mortal. – Polaco Azedo disse e ficou olhando Facada bem de perto por alguns segundos.
― Garantimos que não ficaremos por muito tempo. – Charger disse.
― Espero que não estejam confundindo as coisas. – o traficante falou. – Eu não estou pagando nenhum favor, estou fazendo. Caso não se lembrem, ficamos quites em nosso último encontro. Vocês me ajudaram a ganhar a guerra contra o Crioulo e eu os ajudei a resgatar Facada e seu dinheiro.
― Está bem, quanto você quer? – Charger perguntou.
― Oh, eu não quero seu dinheiro. Não quis daquela vez e não quero agora, mas se vão se refugiar na minha área, vão ter que trabalhar para mim. – Polaco disse.
― Trabalhar? – Taís repetiu sem entender.
― Sim, usem suas habilidades para me ajudar. – o traficante loiro disse. – Você e o novo líder podem cuidar dos carros, o CDF de óculos pode aumentar a tecnologia do meu negócio e o Facada cuida da administração do depósito. A maioria dos meus homens é péssima em conta. – Polaco disse. – O Crioulo tinha um grande território, ainda estou tendo problemas para comandar tudo. Hoje, tem muito menino preferindo ir à escola do que traficar, pode uma coisa dessa? – o traficante disse e os quatro amigos se entreolharam. – Mas não precisam se preocupar, vou dar um dia para se recomporem e se ajeitarem. Vejo vocês amanhã. – Polaco disse e foi embora.
― Foi um erro ter vindo aqui. – Tecno Léo disse.