quarta-feira, 14 de maio de 2014

Conspiração Temporal T03C02

2. AS CRIATURAS


― O Dr. Cintra está vivo? – Jess perguntou com os olhos brilhando.
― Isso está muito suspeito. Como conhecem ele? Como sabem da gente? – Nanda devolveu sem se abalar e os dois homens se olharam e sorriram.
― Ele avisou que seria assim. – Edgar disse sorridente. – A morena é mais emotiva e praticamente choraria, enquanto a loira não acreditaria e pediria por provas. – ele disse surpreendendo-as.
― Parece coisa do doutor mesmo. – Nanda disse também sorrindo e se convencendo.
― E então? Qual das duas beldades vai querer ir comigo aqui atrás? – Angu perguntou e recebeu silêncio e olhos arregalados como resposta.
― Ele está brincando, tem lugar para as duas na cabine. – Edgar disse e as duas deram a volta para o outro lado.
― O que eu fiz de errado? – o arqueiro quis saber.
― Você forçou. Lembre-se: não se deve forçar uma mulher a nada, você deve fazer com que ela tenha vontade de fazer. Quando isso acontecer, ela será sua. – o mais velho disse.
Com todos a bordo, o carro se pôs em movimento. Por onde passava, o barulho atraía as criaturas do local, mas apenas por um instante.
― Como nos encontraram? – Nanda perguntou.
― O doutor criou um aparelho que pode dizer quando há alteração na energia temporal ou alguma coisa assim. – Edgar respondeu. – Olha, sei que vocês devem ter muitas perguntas, mas não poderei ajudar muito nessa parte física do negócio. – ele avisou.
― Muito bem, então nos fale sobre essas criaturas. – Nanda pediu. – O que são elas?
― São mortos-vivos. Zumbis. Mordedores. Comedores de cérebro. É só escolher um. – o motorista disse.
― Como isso é possível? – Jess quis saber.
― Nunca subestime a perversidade da mente humana. – Edgar disse.
― E deixe eu adivinhar: você também não vai falar mais sobre isso. – Nanda disse e o motorista sorriu.
Após alguns minutos, Jess começou a perceber que estavam indo para o oeste da cidade. A situação nos bairros não estava diferente do centro. As ruas estavam cobertas de areia, as residências estavam quebradas e havia criaturas por todo lugar.
Então, eles chegaram em uma área repleta de prédios nos dois lados da rua. Ali, havia alguns trechos sem areia, pois a rua estava subindo e logo, era apenas asfalto.
― A areia acabou. – Jess notou.
― Sim. Nós estamos chegando. – Edgar avisou.
No bairro em que estavam havia muita área verde. No lado esquerdo da rua, Jess conseguiu ver que tinha alguns prédios baixos construídos e se lembrou do que havia naquele lado da cidade.
― Estamos perto da Universidade Positivo, não? – ela perguntou.
― Não só estamos perto como é para lá que estamos indo. – Angu disse colocando seu rosto na janelinha de ligação entre a cabine e a caçamba.
― Uau! – Jess exclamou.
Edgar pegou um aparelho de comunicação que estava em um suporte no painel do carro.
― Grisalho para Torre. Grisalho para Torre. Câmbio. – ele disse e esperou até que uma voz feminina respondeu.
― Torre na escuta, Grisalho. Está pronto para entrar? – perguntou a voz.
― Samara? – Edgar perguntou. – Não sabia que era seu plantão hoje.
― Não era. Eu pedi para esperá-lo. Você demorou, tio Ed. – a voz o repreendeu.
― Eu sei, me desculpe. – ele pediu. – Agora abra o portão e vigie, enquanto entramos. – ele soltou o botão de falar e se dirigiu às moças. – Era minha sobrinha Samara.
― Percebemos. – Nanda disse.
― Ela é uma das melhores atiradoras de elite que temos. – informou o motorista.
― Ela parece jovem. – Jess comentou.
― E é. É o nosso prodígio, tem 13 anos. – Edgar contou e surpreendeu as viajantes do tempo.


Um grande portão com grandes espinhos de metal se abriu bem antes do carro se aproximar. Alguns zumbis tentaram entrar, mas foram atingidos por tiros vindos da torre de vigilância, que ficava em frente à entrada.
A Universidade Positivo era um vale, com um lago em seu fundo. Suas ruas circundavam todo o campus. Edgar virou à direita e seguiu até ser obrigado a virar à esquerda. Deste ponto a estrada começou a descer, o veículo foi até seu limite e então subiu novamente. Ao fim, virou à esquerda novamente. Edgar foi até o fim dessa rua também. Quando estava na metade da última rua, ele entrou em um estacionamento.
Assim que o veículo parou, seus ocupantes desembarcaram. As duas viajantes do tempo esperaram pela liderança do mais velho, enquanto Angu descia da caçamba.
― Angu, guarde a caminhonete para mim. Eu vou levá-las até o Dr. Cintra e já te encontro na cozinha. – Edgar disse e o arqueiro assentiu.
― Até mais, senhoritas. – Angu se despediu e saiu com o carro.
O mais velho levou as duas amigas até a entrada do que um dia foi o bloco de laboratórios físicos, químicos e biológicos da universidade. No andar térreo, havia uma sala em que foram colocados vários sofás e poltronas. Na parede externa foi construída uma lareira, de onde crepitava um tímido fogo.
Na poltrona mais próxima do calor, estava confortavelmente sentado um homem velho, vestindo uma camisa velha e uma calça social, lendo um livro. Ao verem seu querido amigo, as amigas não aguentaram.
― Dr. Cintra! – Jess foi a primeira a chamar e avançar para o cientista.
― Oh! Vocês chegaram! – ele disse ao ouvir, levantar e ser preso em um forte abraço da morena de jaqueta de couro.
― Sentimos sua falta, doutor. – Nanda disse abraçando também.
― Vou deixá-los à vontade. – Edgar disse e saiu.
― Obrigado, Edgar! – Cintra agradeceu.
― Nos desculpe, doutor, nós falhamos em nossa missão. – Jess disse tirando os óculos e limpando as lágrimas.
― Jess está certa, fomos ao passado para melhorar a nossa época, mas acabamos piorando tudo. – a loira disse com pesar.
― Acalmem-se! Para tudo dá-se um jeito. – ele disse em tom paternal.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Caos Urbano T02C03

CAPÍTULO 3 – NÚMERO UM

Nicole Wiczek era uma mulher alta; magra e atlética; treinada em krav maga, jiu-jitsu e muay thai; seus olhos eram castanhos cobre, um tom que era quase vermelho; seus cabelos eram laranjas natural, curtos e ondulados.
Ela era conhecida por seu temperamento e gênio forte. Apenas um homem conseguiu quebrar o gelo ao redor do seu coração. Bastou uma missão juntos para que Baltar e Nicole se apaixonassem. Após isso, eles ficaram muito unidos e se tornaram parceiros de missão. Uma discussão sobre detalhes estratégicos acabou com a parceria. Eles decidiram trabalhar sozinhos para manter o relacionamento.
Como Baltar era mais extrovertido e simpático, a espiã se soltou mais com os colegas. Até aceitou ser chamada de Nikki, apelido que Baltar criou para ela.
― Mas tem que ser com dois K. É mais estiloso. – ele havia dito.
Devido à vida que levavam, os dois ficavam muito tempo sem se ver, pois nem sempre seus horários batiam. E por vezes, era comum Baltar ou ela ficarem 3 ou 4 dias sem dar notícias no trabalho. Imprevistos acontecem. Nikki sempre sabia sobre o que seu namorado estava investigando. Em uma de suas missões mais longas, ele lhe mandou um email.
Um email que mudaria tudo, mas que só foi visto sete dias depois. Todos os espiões da AgEsp sabiam como Nikki ficava quando estava nervosa, por isso Krusma sentiu um calafrio ao vê-la se dirigindo a sua sala. A espiã só ia até o escritório do chefe quando estava nervosa com relação a algo.
― O Baltar sumiu! – ela disse ao abrir a porta bruscamente.
― De novo? – Krusma perguntou sem ligar. – Você namora o cara há dois anos, não se acostumou ainda? – ele devolveu.
― Dessa vez é diferente. – Nikki disse batendo com as duas mãos na mesa e jogando um envelope na direção do chefe.
― O que é isso? – Krusma quis saber.
― Fotos do caso em que ele estava trabalhando. – ela respondeu. – Só vi hoje, mas já faz uma semana que foi enviado. Ele já deveria estar de volta. – a espiã ponderou.
― É verdade. Com essas fotos, eu poderia liberar uma equipe para ele. – o chefe disse.
― E agora, você vai liberar para mim. Para encontrá-lo. – Nikki disse.
― Não é tão simples assim. Preciso ver se tem alguma equipe livre. – ele disse e mexeu no computador. – Ah, você está com sorte. Tem um grupo disponível. – Krusma disse animado.
― E qual é? – ela perguntou curiosa.
Nikki saiu da sala do chefe mais furiosa do que quando entrou.
― De todas as equipes, tinha que me sobrar justo a Equipe Z.É. – ela bufou antes de entrar no elevador.
Desde que Zé Mané e seus amigos foram admitidos na AgEsp, Nikki nunca os aceitou. Para ela, todos eram muito jovens e os sucessos de suas missões haviam sido por pura sorte. A única que ela respeitava um pouco era Érica, mas ainda assim mal cumprimentava. Com Duda, a relação era de ódio, desde que um dia as duas esbarraram e o café que Nikki segurava, caiu nela.
Nikki respirou fundo e surgiu à porta da sala de lazer. Os rapazes jogavam videogame, sentados no sofá, por isso estavam de costas para a porta. As mulheres estavam sentadas à mesa, tomando suco e conversando. Érica foi a primeira a ver a visitante.
― Ah, oi, Nikki! – a morena levantou e cumprimentou educadamente.
Ao notar a espiã mais velha, Duda também levantou.
― Está perdida, Laranja Irritante? – a loira provocou e recebeu um olhar furioso. – Não tenho medo dos seus olhares. – ela disse.
Nesse momento, os rapazes pausaram o jogo e se levantaram para ver quem havia chegado.
― Olá, Agente N! – Zé cumprimentou animado e pulou o sofá.
― Agente N! – Rob e Joca disseram em uníssono.
Os dois amigos admiravam a espiã número 1, mas ao mesmo tempo morriam de medo dela.
― Eu preciso de sua ajuda, Zé Mané! – Nikki disse séria. – De toda a sua equipe. – ela disse e olhou para todos.
― Como é que é? – Duda disse antes do namorado. – Pode repetir, por favor? Você precisa da nossa ajuda? – a loira pediu.
― Sim, eu preciso de sua ajuda. – Nikki repetiu fuzilando Duda com o olhar.
― Desculpa, eu ainda não entendi. Pode dizer mais uma vez? – a loira pediu novamente.
― Amor, já chega. – Zé disse de modo sério para Duda. – Como podemos ajudá-la, Agente N?
― O Baltar está sem dar notícias há uma semana. Se o pior não aconteceu... – ela disse e engoliu em seco. – Ele está sendo mantido refém por bandidos em algum lugar.
― Como assim? Explica isso melhor, Nikki. – Érica pediu.
― Quero saber se vocês vão me ajudar antes. – a espiã ruiva disse e olhou para Zé.
― Nós vamos te ajudar. – Zé disse à espiã número 1.
― Ótimo! Então vamos, não temos tempo a perder. – Nikki disse a todos.
― Espera aí! – Zé disse e a espiã o olhou surpresa. – Não é assim que funciona. Você veio nos pedir ajuda. Não estamos jogados aqui esperando por suas ordens. Assumimos e resolvemos missões importantes. Então se quiser nossa ajuda... Se quiser encontrar o Baltar, terá de seguir nossa liderança. – o Agente Z disse. – Quem decide as coisas aqui somos eu e a Érica. Você pode sugerir, você pode opinar, mas nunca decidir. Você entendeu?
Nikki engoliu novamente em seco e olhou para o grupo com a maior raiva do mundo, mas então relaxou e fechou os olhos. “As coisas que eu não faço por você, Levi”, ela pensou e respirou.
― Tudo bem. Eu entendi. – ela respondeu calmamente.
Érica estava chocada com a cena. Após as palavras de Zé, ela achou que a espiã número um fosse para cima do rapaz, lançando umas de suas sequências de krav maga e ninguém conseguiria impedir.
― Veja se a sala de reuniões está livre. Estaremos lá em 5 minutos. – Zé disse para Nikki.
Ela apenas assentiu com a cabeça e saiu. 


A sala de reuniões possuía uma mesa com mais de dez lugares, que era de alta tecnologia. Todo o móvel funcionava como um grande computador com tela sensível ao toque. À frente de cada lugar, havia um quadrado que representava a área de trabalho pessoal dos espiões. Uma das funções mais utilizadas pelos membros da AgEsp era arrastar fotos, vídeos, planilhas e textos ao centro da mesa para que todos pudessem ver. Outro recurso muito usado era arrastar um arquivo do centro da mesa para seu próprio usuário.
Quando a Equipe Z.É. chegou ao cômodo, Nikki já havia logado seu usuário e aberto algumas janelas em sua área de trabalho. Zé se acomodou em frente à espiã número 1, no móvel circular. Os outros preencheram o vazio entre os dois. Assim que todos estavam logados, a reunião começou.
― Conte-nos com detalhes tudo o que sabe. – Zé pediu à Nikki.
― Sei que o Levi estava investigando a diferença de preços dos serviços oferecidos pelos hospitais públicos e particulares. – a ruiva disse. – Parecia algo simples, mas então ele ficou 5 dias sem dar notícias, o máximo que ele já havia ficado. Quando fez uma semana, eu fiquei preocupada e só então fui ver que ele me mandou um email com várias fotos de um local com três homens suspeitos. – ela concluiu e arrastou as fotos ao centro da mesa.
― Entendo. – Zé disse olhando as figuras. – Rob, invada o usuário do Baltar e refaça toda a investigação dele.
― Vai demorar um pouco. O Baltar é o espião número 1, tenho certeza de que seu computador é bem protegido. – o nerd disse.
― Quanto tempo? – o líder quis saber.
― Cinco minutos. – Rob respondeu.
― Tenta em quatro. – Zé disse e olhou para o outro nerd. – Joca, descubra o último local que o rastreador do celular do Baltar marcou.
― Certo. – Joca disse e começou sua tarefa.
― Érica, Duda, vamos identificar quem são os caras das fotos. Eu fico com o que parece um adolescente. – Zé disse e enquanto mexia em seu navegador, se dirigiu à Nikki. – É bom considerarmos que os bandidos que sequestraram Baltar sabem da existência das fotos.
― Concordo, mas não tem como eles saberem do email. – a ruiva devolveu.
― Na verdade tem, Laranja Irritante. – Duda disse. – O magrelo é um pirata de computador chamado Everton Benck, que foi preso há dois anos por cúmplice de assassinato em série. Pelo que está escrito aqui, esse cara é do nível do Rob, do Joca e dos Detetives Virtuais juntos. – a loira informou. – Ah, diz aqui que ele está foragido há três meses.
― Sendo assim, não há motivos para eles manterem Baltar refém. – o musculoso ponderou. – A não ser que ele tenha dito quem é, mas nesse caso já teríamos tido notícias.
― Levi nunca faria isso, mas tenho certeza de que ele lhes deu um motivo para mantê-lo vivo. – Nikki replicou.
― O garoto se chama Douglas Timeti, seu pai era dono da rede de Supermercado Timeti, mas também era traficante de droga. O rapaz viu seu velho ser assassinado pelo Motoqueiro das Trevas há dois anos. – Zé contou. – Não importa o que o Rubens pensa dele, eu ainda não concordo com os métodos desse Motoqueiro. – ele opinou.
― O de jaleco é o Doutor Galvão Terom, preso há dois anos por assassinato em série. – Érica começou. – Parece que ele estava cortando partes do corpo de mulheres para remontar e ressuscitar sua falecida mulher, que ele mantinha em estado criogênico. Isso é insano. – ela opinou. – Após sua prisão, ele passou a ser chamado de Doutor Morte. Fugiu da prisão há três meses.
― Agora, que você falou, foi esse médico que Benck ajudou. Eles devem ter fugido juntos. – Duda disse.
― Sim. – a morena concordou. – Ah, e antes de tudo isso, Terom fundou e dirigiu por muitos anos o Hospital Amadeu Polvilho. – ela disse.
― O que disse? – Rob e Joca perguntaram ao mesmo tempo deixando todos espantados.
― Depois de verificar vários hospitais, Baltar se focou no Amadeu Polvilho, pois seus preços estavam muito acima do mercado. – Rob explicou.
― E esse é o mesmo lugar em que o rastreador dele esteve ativo pela última vez. – Joca emendou.

― Bom trabalho, pessoal! – Zé elogiou. – Acho que já temos o suficiente para começar. Vamos fazer um trabalho de campo. – ele disse com um sorriso.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Popularidade T02C02

CAPÍTULO 2 - RÁDIO OU JORNAL

O Colégio Isaac Newton possuía duas sedes: a matriz, na qual havia os 9 anos do ensino fundamental; e a filial, na qual ficavam os alunos do ensino médio. Devido ao menor número de alunos e ao diferente foco, a filial era menor com relação à matriz.
O prédio principal era por onde os estudantes entravam. Ele era composto por três andares. No térreo, ficavam as salas dos professores, da diretoria, secretaria e tesouraria. Nos primeiro, segundo e terceiro andar, ficavam as respectivas séries. Dos lados do prédio principal havia alguns bancos para os alunos relaxarem enquanto lanchavam.
No centro e à esquerda, ficava a imensa biblioteca do colégio, que mantinha mais de cem mil títulos dos mais diversos livros. À frente dela e do lado direito do terreno, encontrava-se a cantina, com uma área externa e coberta cheia de mesas e cadeiras. Ao fundo, havia uma casa, que não era usada há muito tempo.
Alex sentava-se na penúltima carteira da fila do meio de uma sala de 30 alunos. Atrás dele, havia Solano. Na fila ao lado, mas bem mais a frente, estava Diana com Manu à frente dela. A primeira aula do ano deles foi física com Afonso, um professor jovem de apenas 26 anos.
― E aí, todo mundo animado para mais um ano? – ele perguntou ao entrar na sala e recebeu várias risadas e respostas engraçadas. – Muito bem, então para conter tamanha empolgação, vou fazer um anúncio antes de começar a matéria. – ele ironizou antes de ficar sério. – Os alunos novos não devem saber, mas há uma casa nos fundos do terreno do colégio que não tem função por um bom tempo. Esse ano, o diretor decidiu mudar as coisas. – Afonso disse e despertou o interesse da turma. – Aquela pequena construção será a sede do jornal e da rádio do Isaac Newton. – mal o professor terminou a frase, o alvoroço começou. – Acalmem-se, todos! – ele pediu. – Os alunos interessados devem deixar seus nomes na secretaria até o fim da semana. O critério para definir os escolhidos será a partir do seu histórico escolar, mas não pensem que apenas as notas irão contar. O desempenho de cada um em sala, nas atividades extracurriculares e nos eventos do colégio terá bastante peso. – o docente finalizou e deu alguns minutos para os alunos discutirem as informações.
Os olhos de Alex brilhavam. Assim que o professor acabou de falar, ele se virou para conversar com Solano.
― Você ouviu isso? – ele perguntou.
― Ouvi. – o jogador de futebol respondeu sem a mesma animação do amigo.
― E não está empolgado? – Alex tentou de novo.
― Por que estaria? – Solano devolveu.
― Você não vê? Essa é a oportunidade de fazermos algo juntos de novo e sermos mais populares ainda. – o da frente argumentou.
― Por que isso é tão importante para você? Popularidade. – o jogador quis saber.
Antes que Alex pudesse responder, Afonso chamou a atenção de todos e começou a explicar a primeira matéria do ano.
A cantina lotou poucos minutos após o sinal para o intervalo tocar. Graças a mensagem de texto que Alex enviou, Ciano e Hugo correram para o local, juntaram duas mesas e reservaram oito cadeiras.
― Bom trabalho, rapazes. – Alex elogiou os dois que já estavam sentados.
Hugo sentou em uma das pontas, do seu lado esquerdo estava Ciano, e ao lado dele, Caramello, em seguida, Diana e Manu na outra ponta. Do outro lado de Hugo, sentou Solano seguido por Alex e Patricinha fechando a mesa.
Depois de cada um comprar um salgado e uma bebida, Alex iniciou o assunto que lhe estava consumindo.
― Me diz que alguém está tão empolgado quanto eu com esse negócio de jornal e rádio. – ele disse em tom desesperado.
― Eu! – Diana foi a primeira a responder, sendo seguida por Ciano, Manu e Patricinha.
― Ufa! – Alex ficou aliviado. – E então, o que vamos fazer? Rádio ou jornal? – ele quis saber.
 Seja o que for que escolhermos, o que o faz ter tanta certeza de que seremos escolhidos? – Paty quis saber.
― Simples: nós salvamos esse colégio. Impedimos de ser destruído e de ir à falência no mesmo dia. Graças a isso, toda a popularidade que o Isaac teve depois aumentou tanto o dinheiro em caixa que possibilitou a construção dessa filial. – Alex explicou.
― Faz sentido. – Diana concordou.
― Então, quem mais vai se inscrever para o jornal? – Alex perguntou e Diana, Manu e Patricinha levantaram as mãos. – Rádio? – Hugo e Ciano levantaram as mãos. – Solano? Caramello? – ele chamou.
― Sou péssimo em escrever e falar em público. Meu negócio é jogar futebol. – Solano explicou.
― E o meu é dançar. – a morena emendou.
― Pois vocês seriam muito úteis na Rádio Força Gravitacional. – Ciano disse e espantou a todos. – É, eu já até pensei em um nome. – ele disse e riu.
― Eu achei muito bom. – Alex elogiou. – O Ciano tem razão. Solano, toda rádio tem um programa de esporte e ninguém melhor para falar disso do que você.
― E, maninha, você podia falar sobre a sua dança e quando sua equipe se apresenta. Além de indicar outros eventos culturais para a galera. Até ponho aquelas músicas clássicas, que você tanto gosta, para tocar. – o mano disse.
― Ah, sério? – Caramello se animou. – Tô dentro.
― Eu também. – Solano emendou.
― Sabe, podemos estar separados por nossas preferências. – Alex disse e olhou rapidamente para Patricinha. – Mas algo me diz, que este ano estaremos mais unidos do que nunca. – finalizou com um sorriso.


Todos os professores estavam se preparando para irem embora, quando Afonso decidiu falar algo que o estava incomodando desde cedo.
― Brasílio, por que demos aos alunos a opção de se inscrever em rádio ou jornal se você disse que só temos como bancar um? – ele perguntou ao diretor. – Não era melhor fazer uma votação para decidir antes?
Um silêncio tomou conta do cômodo. Então o alto diretor, com seus cabelos grisalhos caindo sobre sua testa, se pronunciou.
― Porque estou com uma ideia para conseguir verba para manter os dois. – Brasílio disse alisando seu bigode bem cuidado.
― Que ideia? – perguntou Renan, o magro e alto professor de química.
― Nós vamos fazer um baile, no qual os próprios alunos irão angariar fundos. – o diretor disse. – Estava pensando em chamar de Baile de Abertura.
― E como exatamente vai ser isso? – quis saber Michelle, a professora de matemática.
― Bom, vou convidar todos os empresários filantropos da cidade, e, claro, os pais dos alunos. Assim que decidirmos os escolhidos de cada setor, explicaremos o que fazer aos alunos. – o diretor começou a explicar. – Eles terão um mês para criar a primeira edição do jornal, que será entregue para todos os convidados.
― E a rádio? – Afonso perguntou.

― Ora, não é óbvio? – Brasílio sorriu. – Vai tocar durante o baile.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Caos Urbano T02C02

CAPÍTULO 2 – PONTOS DE VISTA

 Fazia uma bela tarde de sol, por isso os cuidadores do Asilo Ipiranga decidiram levar os residentes para o jardim. Osmar Copi foi o último a sair, pois estava terminando de ouvir um dos CDs de Jazz que ganhara de sua amiga e frequente visitante, Raquel. Assim, quando ele saiu, a maioria já havia voltado para dentro. O ex-detetive lia um livro policial embaixo de algumas árvores, enquanto sentia o vento bater em seu rosto. Após alguns minutos, sua visita chegou.
― Vejo que está lendo o livro que eu te dei. – Raquel disse e sentou-se ao lado do mais velho.
― Seus presentes são sempre úteis e prazerosos. – Copi devolveu.
― Que bom que você gosta. – a detetive disse. – Como tem passado?
― Bem. E você? Conseguiu resolver o último caso?
― Sim, graças a você. Sua dica foi excelente. – a morena informou.
― Você teria conseguido sem mim. Nesses dois anos em que tenho te aconselhado, você evoluiu muito. Nos últimos as deduções finais foram praticamente todas suas. – o velho emendou. – Logo, não precisará mais de mim.
― Não diga isso. – ela pediu. – Nossa relação pode ter começado comigo precisando da sua ajuda, mas mesmo que um dia não precise mais, não pararei de vir te ver. Já não consigo mais. – Raquel confessou e sorriu.
― Eu fico muito feliz com isso. – o velho disse também com um sorriso, mas então fechou sua expressão. – Alguma notícia do Doutor Morte?
― Nada ainda. – ela respondeu desanimada. – E já faz três meses. Eu sei que ele ainda está na cidade, porque todos os meios de saída estão sendo vigiados, mas não sei mais onde pode estar. Já vimos todos os lugares óbvios. – Raquel desabafou.
― Uma hora ou outra ele vai aprontar e se você não o encontrar antes disso, tenho certeza de que estará pronta para enfrentá-lo novamente. – Copi disse tentando animá-la. – Mas me diga, ainda tem se encontrado com aquele motoqueiro?
Desde que se encontraram pela primeira vez, a Detetive Raquel Marins e o Motoqueiro das Trevas se esbarraram várias vezes durante os dois anos que se seguiram. Em algumas situações, a moça o impediu de matar e em outras, foi o justiceiro da noite que convenceu a policial. A aliança ainda se mantinha porque os dois compartilhavam o mesmo objetivo, apenas possuíam diferentes pontos de vista.
― Sim, mas faz tempo que não o vejo. – ela respondeu. – Ainda bem.
― Você sabe o que eu penso sobre ele, não é? – o velho disse. – Eu já estive onde você está agora, mas hoje penso que se fizéssemos como esse motoqueiro tem feito, essa cidade estaria bem melhor.
― Mas a que custo? – a morena devolveu.
― A um custo bem menor de vidas inocentes. – Copi disse e teve um acesso de tosse. – Bom, acho que essa é a minha deixa. – ele disse e acenou para a cuidadora que estava a poucos metros de distância.
― Você sabe que eu o considero como um pai para mim, não é? – ela perguntou enquanto a cuidadora o ajudava a levantar.
― O sentimento é recíproco. – ele sorriu. – Você me visitou mais em dois anos do que meus quatro filhos fizeram em quinze. – Copi disse e seguiu com a cuidadora para o casarão do Asilo.
A Detetive Raquel Marins caminhou para a saída do local. O bairro era tranquilo, havia pouco trânsito, ouvia-se apenas o canto dos passarinhos e o fraco uivo do vento. A morena puxou seus cabelos para trás da orelha e pegou a chave do carro, que estava na bolsa. Ela precisava atravessar a rua para chegar ao veículo. Quando alcançou a metade, ouviu uma explosão atrás de si e o impacto causou um tremor que a empurrou até colidir com seu carro, que teve os vidros quebrados.
Raquel virou-se rapidamente e arregalou os olhos não acreditando no que via. Ao notar que era real, ela surtou.
― NÃÃAAAAAOOOOOOOO!!! – a detetive gritou e correu em direção ao asilo, mas mais explosões ocorreram e a empurraram para trás.


Após as explosões, o fogo consumia todo o casarão do Asilo Ipiranga. Não havia gritos, nem movimentos. A explosão matou a todos de uma vez. Um homem que se aproximava do local ligou para os bombeiros, enquanto outra pessoa chamou a polícia. E no meio disso tudo, Raquel chorava ajoelhada no asfalto.
Logo as viaturas chegaram e em seguida, o corpo de bombeiros. Um policial conseguiu tirar a detetive do chão e levá-la à ambulância que também estava ali. Os bombeiros apagaram o fogo, mas a busca por sobreviventes foi em vão. Ninguém sobreviveu à explosão.
Então, chegaram mais viaturas. De uma delas, um policial saiu e foi em direção à Detetive Marins.
― O que é isso? – ela perguntou ao receber um envelope.
― Deixaram na delegacia para a senhora. – o rapaz disse.
― Não estou com cabeça para isso agora. – Raquel disse tentando parar de chorar e devolveu o envelope ao policial.
― A pessoa que entregou insistiu para que eu entregasse, disse que era do seu médico. – o oficial disse e a detetive o encarou.
― Médico? – ela repetiu e então entendeu. – Me dê isso. – disse e pegou o envelope.
Abriu o pacote e retirou uma carta de dentro. Aos poucos, enquanto lia, suas lágrimas foram secando.
“Olá, Detetive Marins! Se está lendo esta carta é porque meus planos estão dando certo. Eu notei que você não me visitou muito nos últimos dois anos. Fiquei muito sentido. Senti sua falta. Quando fugi, há três meses, pensei em te procurar, mas decidi esperar mais um pouco, sabe? Para não fazer a coisa errada. Quando finalmente tive tempo, resolvi procurar saber o porquê de você não ter me visitado. Então, descobri que você passava muito tempo nesse asilo. Em seguida, investiguei o passado daquele que você visita. Confesso que fiquei surpreso, mas ao mesmo tempo foi bem explicativo. Enfim, detetive, o motivo dessa carta é que não quero que você perda tempo tentando elucidar o caso da explosão. Eu te digo, fui eu. Por que? Muito simples: estou com um grande plano em andamento e quanto menos gente estiver tentando impedir, melhor. Eu sei que você vai tentar me impedir e eu quero que isso aconteça, porque temos negócios inacabados. Entretanto, não coloque a carroça na frente dos bois, na hora certa, você saberá de tudo. Estou lhe pedindo isso, porque se assim fizer, só estará adiantando a sua morte. O meu Caos Urbano logo será uma realidade e não há nada que você possa fazer.

                       Atenciosamente, Doutor Morte.”

O ódio tomou conta da tristeza. Raquel não estava mais chorando. Seu cenho estava franzido. Aquela expressão era nova para os seus colegas. Eles ficaram assustados, mas o que os assustaria mais seriam as palavras que se seguiriam.
― O responsável por essa explosão foi o Doutor Morte! – ela gritou para que todos a ouvissem. – A partir de hoje, vamos dobrar o número de policiais que o estão procurando. Prender esse criminoso é prioridade máxima. Todos entenderam? – ela perguntou ao concluir, e várias cabeças assentiram. Ela pegou a carta e a entregou para um policial. – Entregue isso aos peritos, quando eles chegarem. Eu vou voltar para a delegacia. – ela disse e foi até o seu carro, que estava cheio de cacos de vidros.

A detetive limpou os que estavam no banco do motorista e entrou. Seu olhar estava firme e determinado. Nem parecia que havia perdido uma pessoa querida há tão pouco tempo, mas diante dos fatos, Raquel não tinha tempo a perder. O luto teria de ficar depois.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Conspiração Temporal T03C01

CAPÍTULO 1 – FUTURO MORTO-VIVO

Nanda recolocou a data, da qual haviam chegado, na máquina do tempo. Jess fez o mesmo, mas quando o ativaram, ambos os dispositivos falharam.
― O que aconteceu? Por que não funciona? – Jess perguntou ao mesmo tempo em que apertava repetidamente o botão de ativação.
― Deve ter tido algum defeito na nossa viagem de volta. – Nanda supôs. – Precisamos descobrir o que houve com essa época. Mais do que isso, precisamos sobreviver. – a loira disse.
O vento soprava forte e uivante, criando pequenas nuvens de areia que flutuavam por alguns instantes. No entanto, o vento era o único barulho que as duas amigas ouviam. Nem carro, nem passos de pessoas, pássaros ou ruídos de qualquer espécie. Elas estavam no centro de uma das capitais com mais barulho que já haviam conhecido.
Começaram a andar para explorar o novo futuro. A cada passo que davam suas botas afundavam alguns milímetros na areia e deixavam uma nítida pegada para trás. Passaram duas quadras, alcançando uma das maiores avenidas da cidade. A Avenida Marechal Floriano Peixoto passava ao lado da Praça Carlos Gomes, que ficava a duas quadras da Praça Rui Barbosa, local em que as viajantes do tempo surgiram.
A Carlos Gomes também estava soterrada por areia. O pouco que haviam visto de Curitiba, fazia-a parecer uma cidade morta no deserto. Elas seguiram a Marechal se afastando do centro. Os sentidos de Nanda faziam-na perceber o mínimo distúrbio no momento. Foi assim que ela ouviu passos após andarem uma quadra na avenida.
― Finalmente alguém apareceu. – Jess se animou e ia se aproximar, mas foi impedida pela amiga.
― Espere. – a loira disse.
Conforme o indivíduo chegava perto, elas puderam notar os detalhes que o tornavam ameaçador: seus passos eram arrastados, como se não conseguisse andar mais rápido; não havia pálpebras em seus olhos e nem lábios em sua boca; sua pele era cinza e ressecada; por toda a sua roupa velha tinha manchas de sangue; seus cabelos eram ralos.
― Há algo de muito errado com ele. – Jess disse.
Nanda pegou sua arma e atirou na cabeça do indivíduo.
― Não há dúvida sobre isso. – ela disse.
 As duas ficaram olhando para o corpo inerte no chão, quando muitos passos foram ouvidos juntamente com ruídos que lembravam rosnados.
― Acho que o barulho atraiu mais deles. – a morena supôs.
― O que são essas coisas afinal? – a loira perguntou intrigada.
― Parecem pessoas. – Jess disse.
― Só parecem. – Nanda devolveu. – É melhor sairmos daqui.
As amigas começaram a correr na direção em que estavam, quando viram outro grupo se aproximarem delas. Então, elas viraram à esquerda.
― Olha ali! O portão parece aberto. – a morena baixa apontou para um local com um portão duplo entreaberto.
Elas entraram e empurraram as grades, prendendo-as com uma corrente enferrujada que ali estava. Logo, as criaturas se juntaram tentando empurrar o portão.
― Acho que isso nos dá um tempo para pensar. – a loira alta concluiu.
― Hã... Nanda? – a morena chamou.
Ao se virar, ela viu onde estavam: um estacionamento. Além do espaço para entrada e saída de carros, havia um grande espaço em que os veículos ficavam guardados. Uma rampa levava ao andar de cima, mas este apenas beirava a parede, não havendo piso no centro. O mesmo valia para a cobertura do local.
― Podíamos usar um dos carros. – sugeriu Jess.
― A areia bloqueou as portas dos debaixo e não acredito que nenhum dos de cima consiga andar nesse terreno arenoso. – Nanda disse. – Te digo o que faremos: vamos subir, escolher um carro e descansar um pouco. – ela decidiu.
Jess escolheu um Prius prata, abriu a porta do carona e jogou sua mochila no banco do motorista. Inclinou o máximo possível o seu banco, tirou os óculos e sem perceber dormiu profundamente. Nanda fez o mesmo com um Vectra. Entretanto, ao contrário da amiga, ela não dormiu logo. Ficou com os ouvidos atentos, mas eventualmente, ela também adormeceu.


O sol estava se pondo quando a loira despertou. Seu primeiro instinto foi olhar para o portão e ao fazer isso viu que a corrente não estava mais aguentando. Um dos seres já conseguia passar seu braço por entre os portões. Ela saiu do Vectra, pegou sua mochila e começou a procurar um jeito de sair dali. Não havia outra saída por baixo, por isso a única solução vista por ela foi ir por cima.
― Jess! Acorde! – ela chamou a amiga.
― O que foi? – a morena perguntou assustada.
― Precisamos ir. – Nanda disse.
A morena pôs seus óculos e pegou sua mochila. Antes de seguir a amiga, ela também olhou para o portão e entendeu a pressa.
― Como vamos sair? – Jess quis saber.
― Vamos usar a cobertura. – a mais alta disse.
Nanda pegou sua arma e mirou na cobertura de metal que havia sobre os carros. Com a energia emitida, ela cortou uns três metros da parte que fazia ligação com a parede. Quando acabou, ela mudou a direção em 90 graus e cortou até acabar, fazendo com que a parte de metal pendesse no ar. Devido a superfície lisa, as duas precisaram tomar impulso para poder subir até onde ainda era firme.
Quando chegaram lá ouviram um grande barulho vindo de baixo. Deram a volta para ter uma visão melhor e viram que as criaturas haviam conseguido passar pelo portão.
― Foi por pouco. – a morena disse.
― É. – Nanda concordou. – Agora precisamos decidir para onde ir e como descer daqui.
Ao olharem ao redor, viram o Shopping Estação, ou pelo menos o que sobrou dele.
― Olha! O Estação! – Jess disse. – Vamos ver como estão as coisas lá. – sugeriu.
― Por que não? – Nanda disse e as duas foram na direção do shopping.
 O Shopping Estação era um dos mais antigos da cidade de Curitiba. Seu nome foi dado porque ele foi construído onde havia o museu ferroviário da cidade. Na realidade em que as duas amigas nasceram e cresceram, o local era o ponto de encontro dos jovens e grandes empresários. Elas não tiveram tempo de ver como era no passado e não faziam a mínima ideia de como seria na realidade em que se encontravam.
A Avenida Sete de Setembro cruzava a Marechal Floriano, passando na frente do Estação. Ela também era uma das avenidas com as estações tubos e canaletas. Quando as viajantes do tempo a alcançaram não viram mais que as estruturas metálicas curvas dos tubos. A areia praticamente os encobriu por completo.
Elas não precisaram entrar no shopping para saber que não havia nada lá dentro além de areia e destroços do que um dia foi um dos melhores lugares de lazer de Curitiba.
― Puxa, eu gostava tanto do Estação! – Jess disse sentida.
― Eu sei, eu também. – Nanda emendou. – Vamos em frente.
― Para onde vamos? Está quase escuro e não sabemos o que está acontecendo com essa época. – a morena argumentou.
― Vamos seguir a Marechal até São José dos Pinhais. Em uma cidade menor, talvez encontremos alguém. – a loira disse.
― A Marechal é gigante. Vamos demorar muito tempo andando. – Jess disse assustada. – E tem essas criaturas, não sabemos quantas delas ainda tem.
― Eu sei que a situação não é das melhores, mas precisamos nos mover. – Nanda disse aumentando o tom de voz. – Nós não conseguimos consertar o futuro, o Dr. Cintra está morto e essa maldita máquina do tempo não quer funcionar. Então, se você uma ideia melhor que a minha, por favor, me diga, que eu estou aberta a opções.
Jess ficou em silêncio e, logo, as lágrimas começaram a sair dos olhos da morena. A mais alta perdeu a raiva do momento e abraçou a amiga.
― Não chora, Jess. – Nanda pediu enquanto passava a mão nos cabelos da mais baixa. – Precisamos ser fortes agora. Eu preciso que você seja forte agora. – a loira disse e então notou algo se mexendo a sua frente e caminhando em sua direção. – E quando eu digo agora, é agora mesmo. – ela disse enquanto se soltava da amiga e pegava sua arma.
O feixe de energia estourou a cabeça da criatura, mas logo surgiram outros e as duas se viram cercadas. Nanda continuou a atirar. Jess também detonava algumas cabeças. O sol estava praticamente posto, e pouquíssima luz era emitida. Isso já estava começando a dificultar a batalha das amigas.
― Precisamos de um abrigo, Nanda. Não dá tempo de pegar as lanternas. – Jess lembrou.
― Eu sei. – a loira disse e se movimentou, mas nesse momento dois pontos de luz surgiram no fim da rua em que estavam. – Aquilo é...?
Com a iluminação dos faróis, as viajantes do tempo puderam ver flechas voando de onde estavam as luzes, todas acertavam em cheio as cabeças das criaturas. A aproximação lhes confirmou que se tratava de um carro e que estava bem rápido. O veículo atropelou todo o grupo que as cercava e parou de travessado para elas.
Era uma caminhonete, uma Hilux modificada. Suas rodas e pneus eram próprios para o terreno arenoso e em sua frente havia espinhos de aço para acertar quem quer que estivesse no caminho. O motorista era um homem com cabelos grisalhos, que aparentava ter 50 anos. Na caçamba, estava um rapaz que devia ter a idade das duas amigas. Ele portava um arco longo e uma aljava cheia de flechas.
― Vocês são Jéssica e Fernanda? – perguntou o motorista.
― Como você sabe nossos nomes? – Jess perguntou espantada.
― Quem quer saber? – Nanda perguntou intrigada.
― Eu sou Edgar e esse na caçamba é o Augusto, mas podem chamá-lo de Angu. – disse o motorista.

― Podem relaxar, gatinhas! Nós somos amigos. Viemos buscá-las a pedido do Dr. Cintra. – o arqueiro informou.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Caos Urbano T02C01

CAPÍTULO 1 – O ESPIÃO

O apartamento estava cheirando a homem solteiro. Caixa de pizza aberta sobre a mesa, com pedaços inteiros ainda não comidos. Latas de cerveja jogadas pelo chão, juntamente com farelos de pão e salgadinhos. Já fazia dois meses que Baltar estava naquela vida.
Ele começou a pesquisar os preços e gastos dos hospitais particulares da cidade para comparar com os hospitais públicos. Foi então que, ao olhar os números do Hospital Amadeu Polvilho, ele percebeu que estava muito acima dos demais. Assim, Baltar decidiu investigar mais a fundo.
O espião descobriu que o dono e fundador se tornou um assassino em série e foi preso três anos antes. Em uma recente fuga em massa do presídio em que estava, o ex-médico virou um fugitivo. Com essas informações, a mente de Baltar criou uma teoria e com base nela, ele alugou um apartamento em que a janela da sala dava direto para a frente do hospital. Nos dois meses em que já estava lá, o espião não notou nada de anormal na rotina do local. Entretanto, naquela noite, isso iria mudar.
Com um potente telescópio, Baltar conseguiu ver dentro de um carro quando o motorista abriu a janela para entrar no hospital. Lá estava ele, no banco do carona, com óculos escuros e chapéu, tentando esconder sua identidade.
― Não devia ter abaixado o vidro antes. – o espião disse a si mesmo.
Baltar já estava preparado para quando isso acontecesse. Pegou sua maleta e um jaleco e entrou pela porta da frente do hospital. Ninguém prestou atenção nele, pois era comum os médicos entrarem de jaleco por ali. Ao entrar no elevador, precisou pensar um pouco para decidir onde ir.
― Se eu fosse um assassino em série foragido da cadeia e resolvesse me esconder no hospital que eu fundei e dirigi por anos, onde me esconderia? – perguntou a si mesmo, quando viu o botão de sub-solo. – Te achei! – disse e apertou.
Quando a porta se abriu, Baltar se viu em um local com iluminação baixa. Ele seguiu o corredor e silenciosamente abriu as portas que apareciam, até que virou a esquerda e viu uma luz emanando de uma sala com a porta aberta. O espião ficou de costas para a parede bem perto da entrada, ajustou a câmera frontal de seu celular e avançou sua mão com o aparelho para a área iluminada, tirando inúmeras fotos, enquanto ouvia a conversa.


― E então, Benck, já temos o suficiente para começar? – o médico fugitivo perguntou.
― Ainda não, doutor. Acredito que mais algumas semanas devam suprir o que falta, mas precisaremos aumentar os preços dos serviços em 80%. – disse Benck, um homem com voz fina e estridente que estava sentado em frente a um computador.
― Por que não começamos com isso? Já dá para fazer um bom estrago. – disse um rapaz que aparentava ter menos de vinte anos.
― Ora, jovem Timeti, é porque quero que seja perfeito e que todas as gangues da cidade participem. – o doutor respondeu. – Não quero ninguém de fora, todos os bandidos e malfeitores da cidade participarão do Caos Urbano que eu, Doutor Morte, irei provocar. – o médico disse com um sorriso no fim.
Baltar não estava gostando nada do rumo daquela conversa, mas já tinha provas suficientes para Krusma liberar uma equipe tática. Ele guardou seu celular e foi voltar pelo caminho que veio, quando esbarrou em um vaso. Praguejou em voz baixa e ouviu seus alvos pararem de falar. O espião correu como nunca para chegar ao elevador, mas antes de alcançá-lo sua porta se abriu revelando um homem com quatro pacotes do Burger King.
Ao ver o invasor, ele soltou o que segurava e pegou sua arma de imediato, mas Baltar já havia avançado e estava perto suficiente para rendê-lo, quando os outros três chegaram. Timeti e Benck apontaram suas armas para o espião.
― Ora, ora, eu não esperava por visitas hoje. – o médico disse olhando para Baltar, enquanto este era seguro com as mãos para trás pelo homem do elevador.
― Se eu não chego agora hein, doutor? – ele disse.
― Agradeço a sincronia de tempo, Dorigan. – Morte disse e encarou o espião. – Agora, quem seria você?
― Levi Baltar, 28 anos. – Benck leu ao pegar a identidade do espião. – Nenhum crachá de trabalho, 50 reais em cédulas de menor valor. Cartões de crédito e débito. Posso descobrir bem mais pelo computador. – comentou.
― Assim espero. – o médico disse.
― Ei, olha, parece que ele gosta de tirar fotos. – Timeti disse e mostrou o celular de Baltar para o doutor.
― Dorigan, amarre-o no meu consultório. Eu preciso examinar o Sr. Baltar. – Morte disse.
― Desculpe, mas eu já tenho médico e estou bem saudável. – o espião argumentou.
             ― Acredite quando eu digo, Sr. Baltar, eu não sou como os outros médicos. – Doutor Morte disse e sorriu.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Popularidade T02C01

CAPÍTULO 1 – A ÚLTIMA SEXTA-FEIRA

Dois anos e três meses se passaram desde que Alex e seus amigos ajudaram a salvar o mundo no episódio que foi chamado de Conspiração Temporal. Depois de recusar a proposta para serem espiões, os adolescentes curtiram muitos seus anos seguintes. Alex decidiu investir em seu corpo e mente. Nesse meio tempo, devido a muitas discussões e desacordos, seu namoro com Manu chegou ao fim.
Os outros rapazes do grupo também decidiram investir no corpo e começaram a fazer musculação. Ciano ampliou seu campo com aulas e treinos de jiu-jitsu, muay thai e boxe. Hugo também acompanhou o amigo nas artes marciais mistas. Eles treinavam todos os dias da semana e era o que faziam na última sexta-feira das férias.
― O Alex já não devia ter chegado? – Ciano perguntou enquanto dava um soco em Hugo.
― Deve estar no caratê ainda. – o garoto maior disse desviando do golpe e rebatendo. Fora do ringue, Solano fazia uma série de exercícios para as pernas.
― Ele e aquela lutinha de menina. Quero ver ele enfrentar eu e o meu MMA. – Ciano disse e defendeu o golpe de Hugo.
Para a mente, Alex decidiu aumentar imensamente seu conhecimento através do mundo virtual. Já o corpo seria exercitado nos dias de musculação com seus amigos e com o caratê. Com um professor particular, Alex conseguiu alcançar a faixa verde em dois anos.
― Você evoluiu bastante, Alex. – o mestre disse sentado de pernas cruzadas.
― Obrigado, sensei. – o garoto agradeceu sentado da mesma maneira.
Como tinha combinado em encontrar seus amigos na academia, assim que acabou o treino de caratê, Alex correu para lá.
Quando chegou, o rapaz viu Hugo e Ciano ajudando Solano em uma sequência de supino.
― Muito bem! Assim que eu gosto de ver. – Alex disse. – Desculpem o atraso.
― Até que enfim, hein, maninho. – Ciano disse enquanto colocava a barra no lugar.
Alex cumprimentou os amigos. Solano sentou na ponta do banco em que estava deitado e ao seu redor os outros ficaram em pé. Hugo anda era o maior do grupo, mas o que antes era gordura, havia se transformado em músculos, e há muito tempo seus cabelos não eram cortados. O jogador de futebol era o segundo em altura e musculatura; ao longo de dois anos, seu estilo de cabelo se manteve, com uma franja caída para o lado.
Ciano era o mais magro, mas parecia que tudo nele era músculo; só era mais alto que Alex; decidiu manter seus cabelos raspados ao começar a treinar MMA. Alex era o mais baixo do grupo; manteve seus cabelos loiros caídos para frente repartidos em duas franjas.
― Seguinte, tenho algumas opções de como passar nossa última sexta-feira das férias. – Alex disse.
― Opa, manda aí. – Solano pediu.
― Primeiro, podemos ir lá para casa e ficar jogando vídeo game até amanhecer. Ou podemos ir à casa do Hugo e ficar jogando pôquer até amanhecer. Ou... – Alex disse e tirou quatro cartões do bolso da calça. – Podemos ir à algum bar/balada com essas identidades falsas que eu criei. – ele disse sorrindo.
― Esse é o meu maninho. – Ciano disse e enganchou o pescoço de Alex com o braço direito e coçou sua cabeça com a mão esquerda fechada, enquanto todos riam.



O quarto de Patricinha era grande, maior que a sala da casa de muita gente. Possuía uma cama de casal próxima à janela; um espaço vazio com um grande tapete redondo entre a cama e o guarda-roupa; um sofá se encontrava ao lado da porta; havia uma cômoda cheia de cremes, perfumes e maquiagens, próxima ao guarda-roupa; na parede em frente à cama, oposta à janela, havia um grande espelho, e entre eles, estava a porta do banheiro.
A rica menina loira de olhos azuis chamou suas três melhores amigas para passarem a última sexta-feira das férias em sua casa, para uma festa do pijama. 
― Que tal um ‘Verdade ou Consequência’ para animar a noite? – Paty sugeriu.
― Eu topo. – Diana disse.
― Vamos lá. – Manu emendou e Caramello também concordou.
As quatro fizeram um pequeno círculo sobre os colchões que foram colocados perto da cama da anfitriã. Patricinha pegou uma garrafa de água vazia, a colocou no centro do círculo e a girou. Após algumas voltas, ela parou com a tampa apontada para Caramello e o fundo para Diana.
― Você pergunta, Di. – Paty lembrou a amiga.
― Verdade ou consequência? – Diana perguntou.
― Verdade. – Caramello escolheu.
― Alguns dos seus objetivos esse ano envolve um namorado? – a nerd perguntou e todas encararam a bailarina.
― Não. Vou me focar nos estudos e em meus ensaios. – Caramello respondeu, pegou a garrafa e a girou.
Dessa vez, a tampa apontou para Manu, enquanto o fundo estava na direção de Paty.
― Verdade ou consequência? – a mais rica perguntou.
― Verdade. – Manu decidiu.
― Hum, deixa eu pensar. – Patricinha disse e coçou o queixo. – Ah, já sei. Pretende voltar com o Alex esse ano?
A pergunta deixou Manu em silêncio por alguns segundos. Caramello e Diana notaram o clima tenso e ficaram olhando de uma loira para outra.
― Não. – Manu respondeu enfim. – Quando terminamos, fiquei confusa, abalada e perdida, sem saber o que fazer e sem entender o que aconteceu. Mas hoje, posso dizer que o superei. Não estou dizendo que nunca ficarei com ele novamente, entretanto não vou mais correr atrás e nem sofrer por isso. – a loira de olhos verdes respondeu. – Satisfeita, Paty?
Vendo a reação silenciosa da amiga, Manu pegou a garrafa e a girou novamente.

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A frente do Colégio Isaac Newton estava lotada. Cada vez mais alunos chegavam para o seu primeiro dia de aula. Alex foi o primeiro a chegar do seu grupo, mas não demorou muito para que todos se reunissem.
Fazia um ano que os oito amigos não estudavam juntos. Isso porque Patricinha, Caramello, Ciano e Hugo estavam uma série atrás dos outros. O clima entre Alex e Manu ainda estava claramente abalado, nem amigos eles eram direito, apenas se cumprimentavam educadamente.
― Esse ano, popularidade não será um problema, afinal, metade de nós já nos firmamos bem aqui. – Alex informou aos amigos novos alunos.
― Essa sempre foi uma preocupação só sua, Alex. – Paty disse enquanto acenava de volta para um grupo de patricinhas que passava por eles.
― De qualquer maneira, somos muito melhor juntos do que separados. – Diana emendou.
― Isso é verdade. – Caramello concordou.
― Então, todos prontos para um ano incrível? – Alex disse e estendeu seu braço em diagonal para baixo.
― Prontos. – todos responderam e, um a um, colocaram suas mãos sobre a de Alex, e então todos empurraram seus braços para cima.
Assim, os oito membros do antigo Grêmio Estudantil Abalo Sísmico entraram no colégio para mais um ano letivo.