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quinta-feira, 1 de outubro de 2020

Caos Urbano T02C26 - Capítulo Final da Temporada

CAPÍTULO 26 – ATÉ A PRÓXIMA! 

“Ambulâncias, caminhões de bombeiros e viaturas policiais infestaram o centro cívico. É claro que Raquel se tornou o centro das atenções, todos tinham perguntas para ela. No entanto, isso não livrou Carla e eu de sermos interrogados também. Antes fomos examinados pelos paramédicos. Assim que nos liberaram, precisamos ir até a delegacia prestar nossos depoimentos oficiais.”

— Você está péssima! – Rubens disse chegando com Carla perto da ambulância em que Raquel estava sentada recebendo curativo.

— Devia ver o outro cara. – a morena devolveu.

— Nós vimos. – a jornalista disse e os três riram.

O interrogatório durou horas, pois os delegados e detetives estavam tendo dificuldades de acreditar na história relatada, chegando até a desconfiar dos jornalistas. Essa era a última parte do plano do Zé. Antes de partirem para o ataque, Raquel, Carla e Rubens tiveram de repassar todo o combinado para que não houvesse nenhum furo.

Já era de madrugada quando foram liberados do distrito policial, coincidentemente ao mesmo tempo.

— Então, imagino que vão te dar alguns dias de folga. – Carla disse à detetive.

— Sim. Uma semana. – Raquel confirmou. – Queriam me dar um mês, mas eu disse que era muito tempo. – ela disse e olhou para o casal. – Vocês estão com uma cara estranha.

— Normalmente escreveríamos a matéria e já voltaríamos para São Paulo, mas faz um tempo que não tiramos férias e nós dois queremos conhecer mais Curitiba. – Rubens disse.

— E queremos que venha com a gente. = Carla disse animada. – E caso já tenha ido nos lugares, você pode ser nossa guia.

— Estou lisonjeada, mas não posso aceitar. Vocês provavelmente querem um tempo a sós. Vou estragar o passeio romântico de vocês. – Raquel disse.

— Teremos outros passeios só para nós dois. Nesse queremos você junto. – Rubens insistiu.

— Tudo bem, então. Vai ser bom uma distração antes de voltar à realidade. – a morena disse aceitando.

Os jornalistas voltaram ao hotel e passaram boa parte da madrugada escrevendo sua matéria. Depois de dormirem algumas horas se encontraram com Raquel para iniciarem seu passeio. Foram ao Passeio Público, Ópera de Arame, Parque Barigui, Parque Tingui, Parque Tanguá, Bosque do Alemão e, por insistência da morena, Jardim Botânico.

Apesar do acontecido ela não quis privar o casal de conhecer o maior ponto turístico da cidade. No outro dia, ela foi até o hotel deles para se despedir.

— Isso é um adeus, então. – a detetive disse enquanto o taxista colocava a bagagem dos jornalistas no porta-malas.

— Não seja tão radical. Isso é no máximo um “até a próxima!”. – Rubens disse rindo.

— Exatamente! Não vai se livrar tão fácil de nós, dona moça. – Carla disse abraçando a morena.

Rubens fez o mesmo e o casal foi se encaminhando para o carro.

— Muito bem. Até a próxima! – Raquel disse.

— Até! – Carla devolveu acenando e sorrindo.

— Cuide bem de Curitiba, detetive. – Rubens disse e piscou para ela enquanto fechava a porta do veículo.

— Cuidarei! – a morena devolveu sorrindo com um olhar determinado.

“Soldados renegados dos Comandos do Alfabeto Grego, motoqueiros vigilantes e um grupo de espiões. Já os tinha encontrado antes, mas essa foi a primeira vez que os vi numa situação tão grave com repercussões catastróficas. Curitiba precisará se reerguer agora, contudo não demorará muito, pois há muitas pessoas boas que amam a cidade lá. Por fim, aprendemos que onde há fumaça, realmente há fogo, pois começamos cobrindo o incêndio de um asilo e acabamos presenciando o maior evento de caos urbano de nossas vidas.”

                                                        Rubens Fonseca e Carla Lamarca.


 

A semana passou voando e Raquel tentava dormir para voltar ao trabalho no dia seguinte. Ela iria para um novo distrito, teria um novo chefe, novos colegas e conheceria muitas pessoas novas. No entanto ela nunca iria esquecer daqueles que a ajudaram a chegar ali.

— Copi, Jorge, Ana, Mateus! Vocês morarão para sempre no meu coração. – ela disse ficando de barriga para cima e olhando para o teto. – Focarei toda minha energia para impedir que outras pessoas tenham o mesmo destino que vocês. Suas mortes não serão em vão, podem ter certeza.

Com toda essa adrenalina, Raquel demorou um pouco, mas enfim pegou no sono.

terça-feira, 29 de setembro de 2020

Caos Urbano T02C25

CAPÍTULO 25 – HORA DE IR 

O grupo saiu do meio da rua e seguiu para a entrada do palácio do governo. Ao mesmo tempo, os furgões militares chegaram intactos após atravessarem a avenida em meio às explosões. Os soldados desceram dos veículos e ficaram de prontidão.

— Érica, me conta tudo o que aconteceu. – Zé insistiu.

— Zé, não sei se é o melhor momento. – ela devolveu e um barulho foi ouvido.

— Tem alguém vindo. – um membro do Comando Alfa disse e todos apontaram as armas para a porta.

— Não atirem! É o Joca. – Rubens disse ao reconhecer o espião.

Zé olhou para o amigo procurando suporte, mas encontrou uma sensação pior.

— Cadê o Rob? – ele perguntou com medo da resposta.

— Zé, o Rob, ele... ele...

— Não, por favor, não. – o líder disse já com lágrimas escorrendo.

Os dois amigos se abraçaram e um silêncio se estabeleceu entre todos. Enquanto isso, Raquel continuava seu embate com Dr. Morte.

Depois de acertar dois golpes e desviar de um, a morena socou o vilão fortemente na barriga, o que o fez arquear. Ela passou a outra mão no bolso dele e pegou o controle. Ajeitou a postura e acertou a parte de trás do joelho do oponente, que caiu no chão. O ex-médico virou para olhar para cima no mesmo momento em que a detetive desativava o ímã, recuperava sua arma e apontava para ele.

— Vamos! Atira! – Dr. Morte disse.

— É o que eu deveria fazer, mas a morte é muito pouco. Você precisa sofrer. – ela devolveu.

— Eu nunca vou parar, você sabe. E se eu matei seus melhores amigos e causei todo esse caos na cidade dessa vez, o que será que farei da próxima? – ele provocou.

— Não muito, já que vou tirar aquilo que te permite fazer as coisas. – ela disse e atirou na mão direita do vilão e em seguida, na esquerda.

— Você continua a me surpreender, detetive. – Dr. Morte disse entre risos e grunhidos de dor. – Já decidi, a próxima vez será muito pior!

— Estarei preparada! – ela devolveu e levantou a arma.

— Raquel! Está tudo bem aí? Ouvimos tiros. – Rubens perguntou pelo comunicador.

— Sim, agora está tudo bem. Pelo visto os rapazes venceram o hacker inimigo. – ela comentou vendo que o comunicador estava funcionando.

— Sim, mas só um deles sobreviveu. – o jornalista disse.

— Oh! – Raquel se espantou. – Sem querer parecer insensível, mas você pode chamar uma ambulância? – ela pediu.

— Acho que não será preciso. – Rubens disse e sirenes foram ouvidas.


A detetive saiu do prédio e viu muitas expressões murchas, além de uma Carol muito preocupada com Ian. Nesse mesmo momento, uma van surgiu vindo do leste e uma moto, do oeste. Maurição parou o veículo perto do grupo e desceu mancando cheio de hematomas e sangrando. O Motoqueiro não estava muito melhor. Sendo carregado por Borba, ele mal tinha forças para ficar em pé. Sua namorada correu a seu encontro. As sirenes foram ficando mais altas.

— Pra onde vocês vão? – Raquel quis saber.

— Nós deixamos algumas coisas no galpão então teremos que ir para lá. – o coronel informou.

— Sim, vamos todos para lá. Assim podemos cuidar dos feridos. – Érica disse.

— Obrigada a todos! – a detetive agradeceu. – Seria impossível sem a ajuda de vocês. Curitiba está devendo uma para vocês.

— Só fizemos nossa parte, detetive. Como sempre. – Leonel disse enquanto os membros dos comandos voltavam para os veículos.

— Zé! – Raquel chamou se aproximando dele. – A primeira vez que te vi, te achei esquisito e idiota. Bem, ainda acho isso, mas agora vejo que você também é incrível. Não teríamos chegado aqui sem sua liderança e estratégia. Então, meu muito obrigado. – ela finalizou.

O rapaz manteve a cabeça baixa e ficou em silêncio. Achando que não receberia resposta, a morena começou a se virar.

— Obrigado você, detetive. – Zé disse se recompondo. – Obrigado por cuidar da nossa cidade. A força policial precisa de mais profissionais como você. – ele disse e recebeu um sorriso da detetive. – Agora, vamos! Essas sirenes estão ficando muito altas. – ele falou olhando para os outros.

— Rubens! – Leonel e Zé chamaram ao mesmo tempo e se entreolharam.

— Eu sei! Qual é, pessoal? Não é minha primeira vez. – o paulista disse.

Com isso, todos saíram restando apenas a detetive e os jornalistas.

— E agora o que? – Carla perguntou.

— Nós esperamos. – Raquel respondeu enquanto os três olhavam para a destruição a sua frente.

quinta-feira, 24 de setembro de 2020

Caos Urbano T02C24

CAPÍTULO 24 – EXPLOSÕES PARTE 2 

Estava sendo mais difícil do que os espiões imaginaram. O código era gigantesco, com milhares de linhas e centenas de comandos. O firewall possuía camadas e camadas de defesa, mas Rob estava firmemente avançando. Enquanto isso, Joca criava um programa que funcionaria como um vírus destruindo todos os programas do inimigo.

O pirata de computador tinha a vantagem, mas os dois amigos estavam resilientes e não pensavam em desistir. Enquanto Benck repreenchia suas defesas no firewall para anular o trabalho de Rob, o vírus de Joca foi finalizado. Foi então que a virada começou: os programas do inimigo foram desativando.

— Não! Não! Não! – Benck se desesperou. – Vocês vão pagar por isso. – ele disse e pegou um objeto com gatilho.

Ele atirou um disco que grudou no laptop de Rob. O outro espião notou e, quando o segundo dispositivo veio em sua direção, ele desviou e viu o disco atingir a parede. Então, o equipamento de Rob explodiu, matando-o instantaneamente. Joca ficou de olhos arregalados e se lembrou do que havia desviado. O espião protegeu sua cabeça enquanto a parede explodia ao seu lado.

Assim que acabou, ele abriu seu laptop e se certificou de que a armadilha da sala havia sido desativada. Após confirmar, Joca correu até o pirata. Este atirou outro disco, mas o espião se protegeu com seu equipamento e o jogou pelo caminho. Ao dar a volta na mesa, ele pulou com tudo em Benck e os dois caíram.

Joca não era uma pessoa violenta, mas estava fora de si. Ele apertou o pescoço do inimigo até que este desmaiou. Ao notar o pirata imóvel, o espião se desesperou por um momento, mas se tranquilizou ao ver que Benck respirava. Joca iniciou um processo de formatação nos computadores do inimigo, apagando todos os dados. Em seguida chegou perto do corpo do amigo, mas não conseguiu ficar muito tempo. O pirata de computador Benck foi derrotado e não era mais um problema, mas o preço pago foi alto demais. 

Para se tornar uma investigadora, ela precisou passar por um teste de aptidão física. Mesmo despois de nomeada, continuou treinando para manter seu corpo ativo. Apesar de usar mais sua mente em seu trabalho, era sempre bom estar preparada. O gosto de sangue não era um problema, mas Raquel nunca imaginou que um homem com mais de 40 anos e rosto de bolacha lutasse tão bem.

Socos na barriga e no rosto, chutes, joelhadas e cotoveladas, Dr. Morte estava usando todo o seu arsenal. Lembrando do que estava em jogo, Raquel se concentrou mais e começou a conseguir desviar dos golpes do adversário. Não demorou muito para acertar também. Com uma sequência de socos, em que o ex-médico bamboleou, parecia que seria a grande virada. Prestes a dar o golpe derradeiro, tremores, barulhos e luzes chamaram a atenção da detetive para a janela.

Ela não acreditava no que seus olhos viam. Prédios e mais prédios iam, um a um, explodindo na Avenida Cândido de Abreu. Um sentimento de fracasso surgiu em seu peito. Um pesar pelas novas pessoas que entraram em sua vida nas últimas horas. Enquanto lágrimas escorriam automaticamente misturando com sangue em seu rosto, ela viu algo que a fez sorrir e se sentir renovada e estimulada.

— Era inevitável, detetive. Não havia nada que você pudesse fazer. – Dr. Morte disse indo na direção de sua adversária.

— Sobre isso eu não sei, mas em uma coisa você estava certo, doutor. – ela começou e fez uma pausa antes de continuar. – Eu fiz mesmo amigos interessantes. – ela disse com um largo sorriso.

Então, o ex-médico olhou por cima do ombro de Raquel e notou. Dois veículos militares atravessavam a avenida no meio das explosões. Na frente do palácio, cinco pessoas estavam reunidas. Provavelmente eram os que tinham ido desativar os outros dois servidores. Aquilo realmente o deixou surpreso e por um segundo ele ficou imóvel. Foi só o que foi preciso.

— Vamos acabar com isso! – Raquel disse e avançou contra o vilão de olhos arregalados.

terça-feira, 22 de setembro de 2020

Caos Urbano T02C23

CAPÍTULO 23 – EXPLOSÕES 

— Vocês não me pegam, só comem marmelada! – Zé cantarolava enquanto fugia encolhido em uma cadeira giratória dos bandidos atirando.

Ao verem essa cena, os jornalistas ficaram boquiabertos.

— Parece que ele está se virando bem sozinho. – Carla comentou. – Como esperado do incrível Zé Mané! – finalizou.

— É, mas ele não vai durar muito tempo assim. Temos que ajudá-lo. – Rubens disse e foi saindo agachado da sala do servidor.

— Como vamos fazer isso? – a loira perguntou chegando do lado dele.

Nesse momento, um dos bandidos decidiu cercar o espião. Apesar do susto inicial, em uma fração de segundos, Zé reagiu da melhor maneira possível. Chutou o inimigo no meio das pernas e girou-se na cadeira, fazendo com ele levasse os tiros dos próprios aliados.

— Atirando no amiguinho não é nada legal. – Zé disse e chutou o bandido morto na direção dos outros, o que lhe deu mais velocidade quando girou a cadeira novamente. – Uhuuu! – ele gritou de emoção, mas foi parado por Rubens.

— Se divertindo aí, amigão? – o paulista perguntou.

— Até que sim. Rubens, você tem que andar numa dessas cadeiras. É muito legal. – o espião disse.

— Talvez outra hora. Agora precisamos ir. Ainda tem dois homens armados e vivos querendo nos acertar. – o jornalista devolveu.

— Certo. – Zé concordou e saiu da cadeira abaixado e seguiu os outros até a porta de saída.

Correndo por suas vidas eles desceram as escadas, passaram por onde entraram, pela rampa circular e seguiram até saírem do campo de visão da porta.

— Ei, ali é o Palácio Iguaçu! – Zé disse ao perceberem que tinham dado a volta no prédio em que estavam e se encontravam na Praça Nossa Senhora de Salete.

Foi então que uma grande explosão aconteceu e os empurrou para frente. Ainda no chão, eles se viraram para ver o prédio em que tinham acabado de fugir se transformar em um mar de chamas.


— Tudo certo. – Carol disse ao voltar da sala do servidor.

— Ótimo! Então vamos! Logo teremos companhia. – Érica disse e ligou sua mochila a jato.

O prédio da assembleia tinha um espaço vazio entre os andares e as janelas, em que as pessoas podiam visualizar o lado de fora através do elevador. No térreo, foi feito uma fonte nesse espaço. A única maneira de fugir do 12º andar seria voando. Por sorte, Érica sempre mantinha duas mochilas a jato para emergências na van.

— Carol, você vem comigo. – Duda falou.

A advogada abraçou a espiã loira e elas alçaram voo. Érica foi na frente e atirou no vidro para abrir caminho. As outras estavam voando para a saída quando tiros acertaram a mochila de Duda. Vários homens armados chegaram no 12º andar e começaram a atirar da beirada. Nos andares surgiram mais inimigos também.

— Duda! – a espiã morena gritou ao ouvir os tiros.

— Érica! – a loira tentava avançar, mas o motor de sua mochila começava a falhar.

Érica chegou perto e segurou em seus braços. Carol ficou entre elas e os tiros continuaram vindo.

— É muito peso, Érica. Sua mochila não vai aguentar. Pegue a Carol e me deixe. – Duda disse.

— Nunca! Sairemos as três daqui. – a espiã morena disse.

— Sabe que é impossível. Por favor, diga ao Zé que eu... – Duda falava quando um tiro lhe acertou a cabeça.

O baque do acontecido e o peso de um corpo morto fizeram Érica perder altitude. Com isso, ela teve poucos segundos para tomar uma importante decisão. Soltou Duda e segurou no braço da advogada. Voou o mais alto que pôde, até tocar o teto.

— Suba em mim. – Érica disse.

Carol fez isso, com um pouco de dificuldade, e as duas ficaram frente a frente, com os rostos bem próximos.

— Agora, coloque sua cabeça do meu lado esquerdo e segura firme. – a espiã disse. – Se puder puxe seu cabelo também.

Quando a advogada fez o pedido, Érica desceu em zigue-zague e atirou nos bandidos até acabar sua munição. Cada tiro dado foi um bandido morto. Ela guardou sua arma e saiu pelo buraco que abriu na janela. E nesse instante, uma grande explosão aconteceu no prédio e empurrou-a pelo ar, fazendo-a perder o controle. Logo, ela conseguiu recuperá-lo, mas olhou para trás atônita.

Pousando na rua em frente ao Palácio Iguaçu, as duas mulheres se separaram e respiraram um pouco. Então, viram Zé, Rubens e Carla se aproximarem. O espião perguntou de sua namorada e quando sua amiga demorou para responder, percebeu o que tinha acontecido. Nem teve tempo de sentir algo pois em seguida várias explosões ocorreram ao longo da avenida, em seus principais prédios: Banco Central, Shopping Mueller, Prefeitura e outros.

Imprevistos já tinham acontecido em seus planos antes, porém aquilo era demais. As coisas tinham saído completamente do controle. Sua namorada tinha morrido e vários prédios explodido. Pela primeira vez, o líder dos espiões perdeu suas forças e não soube o que fazer.

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

Caos Urbano T02C22

CAPÍTULO 22 – DISPUTAS ACIRRADAS 

Sua moto era bem protegida e reforçada, porém levando tantos tiros, eventualmente algum acertaria. Ian parou perto da entrada do bosque Papa João Paulo II. Seu tanque foi atingido e o combustível acabou ao escorrer pelo caminho. Antes que ele pudesse pensar no que fazer, dois carros surgiram na esquina. O Motoqueiro correu para trás de um veículo estacionado.

Ao todo, dez homens armados desceram dos dois automóveis. Entre eles estavam Dorigan e Timeti, dois bandidos que Raquel impediu Ian de matar.

— Ele está perto. Espalhem-se! – Dorigan mandou.

No instante seguinte um barulho se fez ouvir e quando todos olharam para sua fonte, uma bomba de luz explodiu cegando-os momentaneamente. Os líderes sabiam o que viria então se abaixaram e correram para o outro lado da rua. Ian saiu de onde estava e acertou os oito homens que demoraram para reagir. Com o fim do efeito da luz, o Motoqueiro foi para trás do carro de Dorigan, que o viu logo antes de se abaixar.

O traficante então pegou um lança-granadas compacto e atirou no carro que protegia seu inimigo. Ao ouvir o vidro quebrar, Ian levantou rapidamente para olhar e só teve tempo de começar a correr antes do impacto lhe acertar. Ele foi arremessado e precisou reunir todas as suas forças para levantar e entrar no bosque.

Ao seguirem o Motoqueiro, os bandidos viram o capacete e a jaqueta de couro pelo caminho. Com as armas erguidas, avançaram e apontavam para todos os lados. Um barulho do lado esquerdo os fez virar imediatamente, mas foi do lado direito que saiu o tiro que acertou Dorigan na cabeça. Timeti virou-se novamente e atirou ao mesmo tempo em que foi atingido no ombro e na perna. Largando a arma e caindo no chão, ele viu o assassino de seu pai se aproximar.

— Eu acertei o Motoqueiro das Trevas. – o rapaz disse sorrindo ao notar que o outro sangrava pelo ombro esquerdo.

— É, parabéns por isso! – Ian disse e atirou na cabeça de Timeti.

O ex-advogado pegou sua jaqueta e capacete, e andou até uma árvore, na qual se encostou e escorregou para sentar no chão. Cansado e com dor, Ian fechou os olhos e não conseguiu mais se mexer.

 

Quem disse que não se deve julgar algo ou alguém pelo tamanho estava absolutamente certo. Maurição sempre malhava para manter seus músculos, mas fazia tempo que não treinava seriamente, enquanto seu oponente tinha alto nível de técnica, velocidade e força.

Apesar de Maurição ter acertado alguns golpes, eles pareciam não surtir efeito. Butijão estava com muita energia e avançou com o intuito de finalizar a luta. Por pouco, o espião não recebeu um golpe em cheio no queixo, o que com certeza o teria nocauteado. Desesperado, o rapaz investiu com um soco de direita, mas seu adversário desviou e acertou-lhe na barriga fazendo-o arquear. Em seguida, segurou nas roupas do espião girou-o e jogou-o no meio da rua.

O homem grande levantou e ficou de frente para seu oponente. Seus olhos estavam cheios de raiva, mas também de serenidade. De repente voltou-lhe todo o espírito de lutador de muay thay. Maurição se aproximou e atacou com a esquerda. Seu adversário desviou facilmente e mirou no corpo do outro. Prevendo isso, o espião baixou o braço e curvou o corpo para bloquear o golpe. Butijão então usou o outro braço para atacar na cabeça. No entanto, os instintos de Maurição também previram isso. Ele segurou o soco que veio e então conseguiu ficar na posição que queria. Ele sorriu e com um movimento rápido acertou uma joelhada no queixo de Butijão. Sua cabeça curvou para trás e seu corpo caiu inerte no chão.

— Ufa, essa foi difícil! – o espião disse arfando. – Como será que as meninas estão indo? – ele indagou e olhou para o prédio da assembleia

No segundo seguinte uma grande explosão destruiu o edifício e jogou o rapaz para longe.

terça-feira, 15 de setembro de 2020

Caos Urbano T02C21

CAPÍTULO 21 – PALÁCIO IGUAÇU 

Os bandidos que guardavam a entrada do Palácio Iguaçu viam seus colegas largarem seus postos para enfrentar os soldados que apareceram perto do shopping. Eles, porém, não podiam sair de onde estavam pois precisavam proteger os líderes. Devido a isso, quando um helicóptero surgiu no céu e avançou atirando, eles não tiveram tempo de reagir nem para onde fugir.

Baltar e Nikki ficaram de dar cobertura aérea, já que ambos eram exímios pilotos. A primeira leva de tiros abriu caminho para Raquel, Rob e Joca entrarem no prédio. Os três já esperavam do lado pelo momento. Tudo que precisaram fazer foi desviar dos corpos caídos.

— Que ótima ideia essa de usar o helicóptero para abater os guardas do palácio. – Rob elogiou.

— Sim. O Zé é demais! – Joca emendou.

Num primeiro momento, Raquel não entendeu como o espião de camisa xadrez era o líder daquele grupo, mas quando ele contou seu plano de ataque, ficou claro que ele sabia o que estava fazendo. E após lembrar outros momentos do rapaz, ela se perguntou como alguém poderia ser tão inteligente e tão idiota ao mesmo tempo.

— É aqui que nos separamos, detetive. – Rob disse ao chegarem em um corredor no andar superior.

— Muito bem! Boa sorte, rapazes! – ela desejou.

— Você também, detetive. – Joca devolveu e seguiu para uma porta com Rob.

Ao entrarem no cômodo, notaram um grande espaço vazio se estender até uma mesa preenchida com vários monitores e no meio deles, atrás de um notebook, puderam ver a cabeça de Benck. Os espiões avançaram um pouco, mas foram impedidos por seu adversário.

— Eu não daria nem mais um passo se fosse vocês. – ele disse e apontou para o teto, onde haviam lâminas prontas para cair em quem decidisse passar determinado limite da sala. – Bem, o que estão esperando? Peguem suas armas.

Os dois amigos tiraram das mochilas os laptops e olharam ferozmente para o inimigo.

— Benck, seu maldito pirata de computador! – Joca disse.

— Hoje, nós vamos acabar com você! – Rob completou.

Benck soltou sua risada fina e estridente.

— Maravilha! Me deem um desafio. – ele disse com olhar determinado.

 

Ao abrir a porta, viu um homem em pé e de costas para ela olhando para fora. Esse era o mesmo homem que havia criado o caos em sua cidade e matado seus melhores amigos. Ali estava o Dr. Morte.

— Você cresceu muito desde nosso último encontro. – o vilão disse sem se mexer. – As coisas que fez para chegar até mim, até exato momento, jamais me passaram pela cabeça.

— Coloque as mãos na cabeça e vire-se devagar. – Raquel disse apontando-lhe a arma.

— Você não vai atirar em mim. – ele disse se virando.

— Ah, é? E por que não?

— Por causa disso. – ele disse e apertou um botão de um controle ativando um objeto que se encontrava à esquerda de Raquel. No instante seguinte a pistola da detetive voou até o ímã. – Você fez interessantes amigos, me pergunto se consigo matá-los também. – disse e apertou outro botão.

— O que você fez? – ela perguntou.

— Ativei as bombas que eles pensam que são servidores de dados e todas as outras ao longo da avenida. Para desativá-las é só apertar esse outro botão aqui. – ele contou e apontou para o controle que logo em seguida pôs no bolso do jaleco.

— Zé, Rubens? – ela chamou pelo comunicador e Dr. Morte riu.

— Achou mesmo que deixaríamos você se comunicar com eles? – ele disse e levantou os braços em posição de luta. – Você tem dois minutos.

Raquel juntou toda a raiva que estava acumulada e avançou contra o inimigo.

quinta-feira, 10 de setembro de 2020

Caos Urbano T02C20

CAPÍTULO 20 – ASSEMBLEIA LEGISLATIVA 

Depois de passar pelo caminho aberto por Borba, Érica parou a van a duas quadras de onde precisavam ir. Percorreram o resto do percurso a pé. Para evitar os bandidos de guarda na frente, o grupo decidiu pular o muro de trás do prédio. Ao chegarem perto, um homem começou a atira com uma metralhadora.

As mulheres correram para atrás do muro do outro lado da esquina, enquanto Maurição levou todos os tiros. Abaixou os braços que protegiam a cabeça e olhou para o atirador. Um homem careca de baixa estatura estava de olhos arregalados.

— Quem é você? – ele perguntou.

— Eu sou Maurição, minha roupa toda é à prova de balas e meu corpo é forte suficiente para aguentar o impacto. – o rapaz respondeu e o outro homem gargalhou.

— Que maravilha! – o careca disse e jogou a arma longe. – Sou conhecido como Butijão. Venha me enfrentar. As garotas podem ir. Só quero uma boa luta. – disse sorrindo e levantando os braços.

— Opa! Por essa eu não esperava. – o espião disse olhou para atrás. = Érica?

— Vê se não perde, hein! – ela disse enquanto ajudava Carol a escalar a grade de cima do muro.

— Muito bem! – Maurição disse encarando seu adversário. – Vamos nessa, Butijão!

 

Duda abriu silenciosamente uma das portas de acesso ao prédio. Sem fazer barulho, as três mulheres foram até as escadas. Enquanto subiam, aproveitaram para se comunicarem.

— Os rapazes fizeram uma análise de altitude do servidor e descobriram que está no último andar, o 12º. 

— Por que não usamos o elevador mesmo? – Carol perguntou.

— O inimigo tem um poderoso pirata de computador no time dele. Rob e Joca foram enfrentá-lo, mas até que ele seja derrotado, entrar num elevador seria pedir para que nos matasse. – Duda explicou.

— Ah, certo. Bom, pelo menos assim eu já fecho a aeróbica da semana. – a advogada disse e provocou risos nas espiãs.

No topo da escadaria, Érica abriu a porta e saiu devagar para avaliar o local. Chamou as outras duas e seguiu para a ponta do corredor. Dali elas viram dois homens com automáticas guardando uma porta.

— Achamos. — Duda vibrou em um sussurro.

— Carol, você está com o bloqueador de sinal? – Érica perguntou.

— Sim. – a advogada confirmou.

— Então fique preparada, assim que dermos o sinal, você corre pra sala.

— Certo. – Carol assentiu determinada.

As espiãs colocaram óculos de visão noturna e rolaram duas granadas de fumaças na direção dos bandidos. Quando eles já não viam mais nada ao redor, elas avançaram e os renderam. Érica assoviou imitando um pássaro e Carol correu para entrar na sala.

terça-feira, 8 de setembro de 2020

Caos Urbano T02C19

CAPÍTULO 19 – PALÁCIO DAS ARAUCÁRIAS 

No caminho aberto pelo Motoqueiro das Trevas, um carro seguia acelerado.

— Nossa! Nem acredito que estou num carro indo pra uma missão com o incrível Zé Mané. – Carla disse animada do banco de trás.

— Incrível, é? – o espião repetiu gostando do termo.

— Ela ficou fascinada quando contei sobre os eventos da conspiração temporal. – Rubens explicou.

— E como não ficar? Vocês salvaram o mundo. – a jornalista disse.

— É, nós salvamos mesmo. – Zé disse sorrindo.

— E agora estamos para salvar a cidade. – Rubens emendou.

— Se pensar isso é um retrocesso. – o espião disse.

— Mas de alguma forma é ainda mais difícil. – o paulista complementou.

Após algumas quadras, eles chegaram ao seu destino. Para não alertar os possíveis guardas, Zé parou o veículo a uma certa distância. Andando abaixados, eles subiram a rampa circular de entrada e não encontraram ninguém vigiando a porta. Endireitaram a postura e entraram no Palácio das Araucárias.

— Muito bem! O sinal do servidor está vindo desse ponto aqui a oeste. – Zé disse apontando para o tablet. – Provavelmente nos andares superiores. Vamos ficar juntos para o caso de encontrarmos algum bandido no caminho.

— Certo! – os jornalistas disseram e começaram a subir as escadas.


No segundo andar, eles se aproximaram de uma porta.

— É pra estar nessa sala. Estão prontos? – Zé disse em voz baixa e o casal assentiu.

O cômodo possuía várias fileiras de mesas e no fundo uma sala com paredes e porta de vidro onde se encontrava um grande cubo preto.

— Ali está ele. Só precisamos ir até lá e... – o espião falava, mas teve sua boca tapada por Rubens.

O jornalista o puxou para trás da primeira mesa ao mesmo tempo em que um homem armado surgia em seu campo de visão.

— Vocês ouviram alguma coisa? – ele perguntou aos companheiros.

— Não. Você tá paranoico. Ninguém teria coragem nem sequer conseguiria entrar aqui. – um deles respondeu.

Através de sinais, os três combinaram de irem engatinhando atrás da última fileira de mesa até a sala do servidor. Ao chegarem na última ponta, Rubens pegou um grampeador e jogou na porta pela qual entraram. Isso atraiu a atenção dos bandidos que saíram de seu local para verificarem a fonte do barulho. Aproveitando a brecha, Carla avançou, empurrou a porta de vidro e entrou ainda rastejando. Rubens a seguiu e logo eles foram para trás do servidor e sair do campo de visão dos inimigos. Ele pegou o aparelho dado por Rob e Joca e grudou no grande equipamento. Ligou-o e, após alguns segundos, viu a mensagem “sinal bloqueado”.

— Pronto! Agora é só sairmos daqui. – o jornalista disse e no instante seguinte tiros se fizeram ouvir. – Eita! Cadê o Zé?

— Ah, não! – Carla disse ao notar que o espião não estava ali.

quinta-feira, 3 de setembro de 2020

Caos Urbano T02C18

CAPÍTULO 18 – INVESTIDA 

A praça 19 de dezembro se tornou um dos postos avançados de vigia do território dominado por Dr. Morte no Centro Cívico. Havia pelo menos vinte homens armados no local. Alguns ficavam em pontos fixos, enquanto outros caminhavam pelo perímetro. Nenhum deles, porém, viu uma figura esguia avançar por entre os carros parados na rua.

— Granada! – um dos bandidos gritou, mas poucos reagiram a tempo.

No mesmo momento, dois grandes furgões militares surgiram na rua e pararam de modo transversal para servir de barricada. Os soldados saíram e se espalharam procurando proteção atrás dos veículos.

— Bom trabalho, Bassanessi! – elogiou o Capitão Zurique.

— Obrigada, senhor! – a soldado devolveu enquanto atirava nos inimigos.

Em pouco tempo, o Comando Épsilon dominou a praça e se estabeleceu lá. Enquanto isso, o Comando Alfa avançou até o entorno do Shopping Mueller para manter posição e atacar os bandidos que surgiam para atacá-los.

Protegido atrás de uma estátua da praça, o Coronel Macedo decidiu que era um bom momento para cumprir a próxima parte do plano.

— Sr. Rampinelli e Sr. Borba, já estamos chamando atenção na porta da frente. Os flancos são de vocês. – Leonel disse pelo comunicador.

— Obrigado pelo aviso, coronel. – Ian disse e então se dirigiu a Borba. – Está pronto, amigão?

— Opa! Com certeza! Agora eu sei como você se sente. – ele devolveu.


O plano de Zé era dividir e conquistar. Para isso precisariam de mais veículos do que possuíam. Foi então que Baltar abriu a porta dos fundos do galpão e revelou uma garagem com vários carros e motos, e um helicóptero. Borba pegou uma moto e seguiu com Ian para os lados leste e oeste, que equivaliam às laterais do Palácio Iguaçu.

Carros atravessados bloqueavam as ruas nos limites do perímetro. O Motoqueiro diminuiu o zoom dos seus óculos e acelerou. Pelas imagens de satélites que Rob e Joca conseguiram, os motoqueiros já sabiam o que iriam encontrar. Devido a isso, tiveram tempo de traçar uma estratégia.

Os guardas da rua demoraram para reconhecer a moto que chegava em alta velocidade. Ian virou com tudo e jogou uma granada no meio dos veículos. Seguiu cruzando as outras ruas e conforme passava, jogava um explosivo para abrir caminho. Depois da quinta quadra, ele deu meia volta até a primeira e passou por entre a fumaça da explosão.

— Borba, como está aí do seu lado? – Ian perguntou.

— Tranquilo, acabei com as defesas do inimigo e entrei em seu território. – o amigo respondeu.

— Ótimo! Então vamos acabar com esses caras. – o Motoqueiro disse e sorriu.

terça-feira, 1 de setembro de 2020

Caos Urbano T02C17

CAPÍTULO 17 – INFORMAÇÕES 

Levou a manhã inteira para Ian, Borba e o Comando Alfa retornarem. Ao mesmo tempo, Rob e Joca levantaram o máximo de informações que conseguiram. Antes de almoçarem, Zé reuniu todos ao redor da mesa improvisada que montaram. Raquel, Ian, Rubens, Leonel, Zé e Érica ficaram sentados. A detetive e o espião ficaram de frente um para o outro no móvel redondo.

— Bom, pessoal, imagino que temos muitas informações novas. Então, quem quer começar? – Zé disse e notou o Coronel Macedo assentir com a cabeça para o Motoqueiro das Trevas.

— Descobrimos que o Morte e as gangues estão no centro cívico e transformaram o Palácio Iguaçu em seu QG principal. E parece que há um grande número de bandidos protegendo o local. A outra parte está guardando as fronteiras da cidade. – Ian reportou.

— Hum... Não dá pra negar, preparado ele está. – Zé pensou alto. – Rob e Joca?

— Muito bem! – Rob começou se aproximando da mesa e ligando o projetor 3D que haviam instalado no centro do móvel. – Como foi dito, nossos inimigos estão no prédio do governo e estão com guardas espalhados em um raio de 2km. – nesse momento uma imagem de satélite do local foi projetada para todos verem.


— Mas isso é só parte do problema. – Joca continuou. – Nosso novo nêmesis, o pirata de computador Benck, está impedindo entrada e saída de informação da cidade através de três servidores localizados em diferentes locais: no Palácio das Araucárias, na Assembleia Legislativa e no próprio Palácio Iguaçu. Senão destruirmos esses equipamentos, não poderemos falar com ninguém de fora da cidade.

— Por isso que não conseguimos nada nem com nossos aparelhos militares. – Leonel comentou.

— Exato. – Rob confirmou. – Isso é tudo de nossa parte. – disse e se afastou da mesa.

— Obrigada, meninos. – Érica disse.

Fez-se então um momento de silêncio. Zé olhava para o mapa e, às vezes, para os presentes no galpão. Rubens e Leonel trocaram olhares. E, por fim, a impaciência de Raquel quebrou a quietude.

— Tá e agora o quê? – ela perguntou para o espião a sua frente.

— Hã? – ele devolveu surpreso. – Ah! Eu estava pensando. – emendou com uma risada. – Normalmente, os planos surgem bem rápidos na minha cabeça, só que esse é de maior magnitude e complexidade, por isso preciso analisar todos os detalhes e considerar todas as variáveis, mas acho que já consegui. – ele finalizou.

— Ele é sempre enrolado assim? – Raquel perguntou para Ian.

— Não sei. É minha primeira vez trabalhando com ele também. Eu o encontrei brevemente no passado. – o Motoqueiro disse.

— Atenção, todo mundo! – Zé disse alto e ficou de pé. – O plano é o seguinte...

quinta-feira, 27 de agosto de 2020

Caos Urbano T02C16

CAPÍTULO 16 – DOMINAÇÃO 

Depois do abraço coletivo, Raquel foi acomodada na melhor poltrona do galpão. Duda lhe serviu uma caneca com café passado na hora. Enquanto bebia um gole, a detetive via o espião de camisa xadrez tomar o controle da situação.

— Atenção, pessoal! Não podemos deixar que essas mortes tenham sido em vão. Precisamos preparar nosso ataque, para isso é necessário ter informação. – Zé dizia e todos estavam atentos. – O Dr. Morte não está mais no Jardim Botânico e é imperativo que saibamos sua localização. Rob e Joca, procurem em todos os meios eletrônicos alguma menção do Morte, usem satélite, hackeiem sistemas, façam o que for preciso. – ele disse aos amigos que assentiram na hora. – Ian, sei que está perigoso sair pelas ruas, mas imagino que você tenha contatos e informantes pela cidade e ele seriam muito úteis agora. – o Motoqueiro concordou admirando e se espantando com a seriedade e inteligência de Zé Mané. – Leve um dos comandos com você como cobertura. Coronel amigo do Rubens e o comando que ficar, usem seus equipamentos militares para fazerem contato com o resto do país. O Brasil e o mundo precisam saber o que está acontecendo aqui. – o espião finalizou e, inspirados por sua liderança, todos começaram a se mexer.

— Esse é o Zé líder, inteligente e estratégico que eu conheço. – Rubens disse. – E nós, hein? – ele perguntou e Zé sorriu.

— Espiões, jornalistas e namorada do Ian. – o espião disse e olhou para Érica. – Vamos transformar esse galpão em um centro de operações decente. – ele disse e os dois co-líderes sorriram. 

A cabeça de Ana estava conservada criogenicamente em um recipiente. Só faltava o tronco para Dr. Morte montar o corpo perfeito para sua mulher. Esse sempre foi seu objetivo principal, mas depois de ter sido preso sabia que iria precisar de aliados, por isso teve a ideia do caos urbano, afinal os outros não poderiam saber de seu verdadeiro desejo.

O próximo passo de seu plano era tomar a sede do governo do estado, o Palácio Iguaçu.

— O prédio está todo cercado. – Dorigan informou pelo celular.

— Mate todos menos o governador. Podemos precisar dele depois. Estou a caminho. – Morte disse do conforto do seu carro.

O palácio foi facilmente rendido, os seguranças não esperavam pelo poder de fogo que lhes atacou. Quando Dr. Morte chegou, estava tudo livre. Sem perder tempo, ele chamou os líderes das gangues para uma reunião.

— Senhores, agora chegamos a uma parte muito importante: assegurarmos nossa posição. Quero uma forte proteção ao redor do palácio em um raio de dois quilômetros.

— Serão necessários muitos homens para isso. – um dos líderes observou.

— Sim, serão. – o ex-médico concordou sem se abalar. – Precisamos ficar vivos para alcançarmos nosso objetivo.

— E que objetivo é esse mesmo? – outro perguntou.

— Dominação, é claro! Um lugar que será regido por nós, com nossas regras e leis. – Dr. Morte disse e todos os presentes sorriram maliciosamente.

terça-feira, 25 de agosto de 2020

Caos Urbano T02C15

CAPÍTULO 15 – ESCOLHA IMPOSSÍVEL 

Para garantir a segurança de todos, foi decidido que seriam realizados turnos de vigia. Os espiões já iam definir suas escalas, quando os comandos intervieram e insistiram em fazerem o serviço.

Pouco antes do nascer do sol, Érica já estava desperta. Quando levantou, era o Cabo Maki, do Comando Épsilon que terminava seu turno. Além dele, ela notou Rob e Joca ativos em seus computadores.

— Vocês não dormiram, né? – ela disse se aproximando dos amigos.

— E como poderíamos? Havia muita coisa a se fazer. Não se preocupe, temos um bom estoque de energético, chá, refrigerante, café e cafeína em pílula. – Rob respondeu.

— Olhamos em todos os noticiários e não há nenhuma menção sobre ontem. Nossa aposta é que o Dr. Morte tomou conta da mídia local para manter em segredo o que tá fazendo até cumprir seu objetivo, seja lá qual for. – Joca disse.

Nesse momento, uma tela de vídeo sobrepôs todas as outras nos computadores dos espiões. E nela apareceu o Dr. Morte. De imediato, Érica gritou para que todos acordassem, enquanto Rob jogava o vídeo para a grande televisão que tinha ao lado.

— Olá, Curitiba! Meu nome é Galvão Terom, mais conhecido como Doutor Morte. Esse apelido me foi dado pela Detetive Raquel Marins, a mulher que me prendeu. Tudo bem, são águas passadas, eu superei isso e segui em frente. Fiz novos amigos, defini um novo objetivo e tracei um plano para atingi-lo. – o ex-médico falava deixando apreensivos todos os que estavam no galpão. – Eu sei que vai tentar me impedir novamente, mas para pouparmos nosso tempo, quero que você venha até mim, sozinha, para conversarmos e resolvermos tudo sem derramamento de sangue. Caso ache que estou pedindo muito, trouxe alguns amigos seus como incentivo. – a câmera se afastou e mostrou Dr. Morte apontando para três pessoas ajoelhadas, com os braços amarrados para trás, no caminho acima da fonte à frente da estufa do Jardim Botânico.

— Jorge, Ana, Mateus! – Raquel gritou para a tela.

— Você tem uma hora, detetive. Se não estiver aqui até o fim do prazo, eles morrem. – Dr. Morte disse e o vídeo acabou.

— Muito bem! Ian, me dá uma carona até perto do Jardim Botânico? – Raquel pediu.

— Claro! – ele respondeu sem pensar.

— Pode contar com a gente também. – Leonel disse e todos os soldados assentiram.

— Ei, aonde pensa que vai? Você ficou doida? – Zé perguntou em alto tom de voz para Raquel. – E por que vocês estão apoiando ela? – ele se dirigiu aos comandos e o Motoqueiro.

— Como é que é? – a detetive devolveu com olhar fuzilante. – Olha aqui, garoto, não sei quem você pensa que é, mas eu não vou ficar de braços cruzados e deixar meus amigos morrerem.

— Pois é exatamente isso que você deve fazer. Se bem que a posição dos braços é por sua conta. – Zé disse e provocou muitas reações contrárias e a fúria de Raquel.

— Calma, calma! – Rubens interveio entre os dois. – Eu tenho certeza de que o Zé tem um excelente motivo para ter dito o que disse. – ele tentou acalmar os ânimos. – Você tem, né, Zé? Diz que tem. – falou mais baixo perto do amigo.

— O que o Zé quis dizer é que estamos diante de uma escolha impossível. – Érica tomou a palavra. – Olha, é... Raquel, posso te chamar de Raquel? – a detetive assentiu e ela continuou. – Não posso imaginar o que está sentindo. Se meus amigos estivessem lá, talvez eu agisse igual a você se ninguém me falasse o que vou te falar: seus amigos estão mortos. E não há nada que você possa fazer a respeito. – a espiã disse e deixou a detetive sem palavras.

— Exatamente. – Zé emendou. – Para esse tipo de operação nós precisamos de conhecimento sobre contra o que estamos lidando. Só sabemos que ele está no Jardim Botânico e que está esperando. Existem três cenários possíveis. Primeiro, você vai sozinha, ele te prende, mata seus amigos na sua frente e depois te mata. Segundo, nós vamos com você e ele já deve uma guarda gigante nos esperando, no momento em que te vir, ele mata seus amigos antes mesmo de você ter alguma chance de salvá-los. E o terceiro é o mais triste, mas também o melhor a ser feito. Ficamos aqui e nos preparamos para derrotar esse psicopata assassino para que as mortes dos seus amigos não tenham sido em vão. – o espião finalizou.

Com isso, os comandos, Ian e Raquel entenderam que Zé e Érica tinham razão. O prazo dado por Dr. Morte passou e então ele reapareceu na TV.

— Voltei! O seu tempo acabou, Detetive Marins. E como você não está aqui, seus amigos irão morrer. Confesso que não previ isso.

Com um sinal, os capangas do ex-médico cortaram as cabeças de seus prisioneiros. Suas cabeças e corpos caíram na fonte pintando a água de vermelho. Dr. Morte falou mais alguma coisa e encerrou o vídeo. Raquel estava paralisada. Num primeiro momento não quis acreditar e seu corpo enrijeceu. Então viu que era real e sentiu suas forças se esvaindo. Quando a primeira lágrima passou pelo seu rosto e chegou ao chão, seus joelhos cederam e ela caiu sobre suas pernas. Lágrimas jorravam de seus olhos e ela gritava com todas as forças.

Rubens e Carla se entreolharam e souberam exatamente o que fazer. Ficaram na frente da detetive, se abaixaram e abraçaram-na. Os espiões, Ian e Carol seguiram o exemplo dos jornalistas e logo Raquel estava no meio de um grande abraço coletivo. Os soldados dos comandos e Borba ficaram em pé ao redor e tiraram seus bonés e boinas em respeito ao ocorrido.

quinta-feira, 20 de agosto de 2020

Caos Urbano T02C14

 CAPÍTULO 14 – OS COMANDOS 

Já estava de noite quando chegaram ao seu destino. Ao desligarem o motor, notaram um veículo se aproximar na direção deles.

— Por que esse carro tá na contramão? Será que tá bêbado? – o Sargento Santana indagou. – Ih, agora apagou os faróis.

— Vamos usar os óculos de visão noturna. – disse a Tenente Nikolofski.

Assim que colocaram, eles viram um veículo igual ao deles com dois soldados vestidos iguais a eles e usando os mesmos dispositivos para enxergar no escuro. Ao perceber que estavam sendo vistos, ambos mostraram os dedos do meio.

— Ah, droga! – Santana praguejou. – Capitão, o Comando Alfa está aqui. – ele avisou seu superior.

— O quê? Como assim? O que eles estão fazendo aqui? – questionou o Capitão Renan Zurique, que abriu a porta lateral e saiu nervoso.

— Qual é o problema do Comando Alfa estar aqui? – Carla perguntou para Leonel.

— Nenhum. – ele respondeu. – Mas existe uma rivalidade entre os comandos e são muito sérios quanto a isso. É até engraçado de ver por um tempo. Jeller e Bassanessi ainda não foram completamente infectados porque entraram depois. – o coronel explicou.

Do lado de fora, os capitães dos comandos se encontraram enquanto os outros membros saíam dos veículos.

— E aí, Z! – cumprimentou o Capitão Malton Xisto, do Comando Alfa.

— O que está fazendo aqui, X? – Zurique quis saber.

— Viemos te ajudar, oras. – Xisto respondeu com deboche.

— E quem disse que eu preciso da sua ajuda? – Zurique devolveu com olhar fuzilante.

— Eu disse! – o coronel disse e ficou entre os dois. – Essa operação contra o Dr. Morte vai requerer mais de um comando. Eu teria chamado os outros três, mas eles já estão em missões igualmente importantes. – ele finalizou e os capitães se acalmaram.

Nesse momento, a porta do galpão se abriu e um rapaz com camisa xadrez saiu.

— Ah! Eu sabia que o exército brasileiro não ia nos deixar na mão! – Zé Mané disse com animação.

— O que foi que você disse? – todos os membros dos dois comandos se viraram com raiva e apontaram rifles e pistolas contra o rapaz, que levantou os braços automaticamente.

— Zé, tá tudo bem? – Rubens perguntou assim que passou pela porta, seguido por Ian. – Eita! – ele se espantou ao ver as armas apontadas.

— Rubens? – Carla quis confirmar.

— Carla? – ele devolveu reconhecendo a voz.

— Ian? – Carol fez o mesmo que a jornalista.

— Carol! – Ian falou animado ao ver que os espiões não tinham se enganado.

— Ian? – uma voz masculina chamou do lado do Comando Alfa.

— Borba? – Ian e Carol falaram ao mesmo tempo.

— Rubens, você conhece esses soldados? – Zé perguntou com os braços levantados e medo na voz.

— Conheço sim. – o jornalista respondeu com um sorriso. – Leonel, está tudo bem. Estamos entre amigos.

— Abaixem as armas, soldados! Vocês ouviram o homem! – o coronel mandou e todos obedeceram de imediato.

Com isso, os casais se abraçaram, Borba abraçou seus amigos, Zé abaixou os braços e os comandos relaxaram e foram convidados a entrar no galpão com seus veículos. Rubens contou para Zé que aqueles eram dois dos remanescentes comandos do alfabeto grego, que foram traídos pelo governo e por isso se irritaram pela suposição dele de serem ligados ao órgão.

Feitas as apresentações, Zé e Érica assumiram a liderança e arranjaram lugares para todos passarem a noite, pois não havia mais nada que pudesse ser feito naquele momento.

Raquel foi deitar perto de Ian, pois era o único que ela realmente conhecia. Apesar de que se o Motoqueiro das Trevas confiava naquelas pessoas, elas não deveriam ser ruins. De qualquer forma o seu corpo pedia por descanso e não demorou para ela cair no sono. Até porque no dia seguinte alguma ação teria de ser tomada. E ela faria isso com ou sem a ajuda das pessoas presentes no galpão.

terça-feira, 18 de agosto de 2020

Caos Urbano T02C13

 CAPÍTULO 13 – LOCALIZAÇÃO 

Tanto na van dos espiões quanto na moto de Ian só cabia mais uma pessoa, mas nenhum deles pensou duas vezes quando receberam a mensagem de Rubens pedindo resgate para ele e mais uma pessoa.

O Motoqueiro imaginou que seria Carol, por isso se surpreendeu ao ver Raquel. Se ele não a conhecesse também não teria aceitado levá-la até o galpão dos espiões. A detetive mal desceu da moto e Ian já começou a manobrar para sair.

— Espera, Ian! – Rubens pediu segurando no guidão da moto.

— Sai da minha frente, Rubens! – Ian disse sem paciência.

— Você não pode sair assim. Fica um pouco. Esfria a cabeça. – o paulista disse.

— Um assassino psicopata resolveu instaurar o caos na cidade. Tem bandidos em todas as ruas e minha namorada está sei lá onde. E você quer que eu esfrie a cabeça? – o Motoqueiro devolveu irritado.

— Eu sei que está preocupado, mas se ela foi até o hotel me procurar, então deve ter encontrado a minha namorada. – Rubens tentou acalmá-lo.

— Nós podemos encontrá-la. – Rob disse.

— Como é? – Ian questionou.

— Só precisamos de alguns dados como nome completo e número de celular. Não é, Joca?

— Si-sim. Se ela estiver carregando o celular, é claro. – Joca confirmou.

— Muito bem. – Ian desceu da moto, tirou o capacete e foi para perto dos dois espiões. – Quero ver vocês fazerem essa mágica.


Passada essa tensão inicial, Rubens apresentou Raquel aos espiões e também foi apresentado para Nikki e Baltar, que se afastaram para cuidarem dos ferimentos do espião número um.

— Então vocês são mesmo espiões? – a detetive falou.

— Sim. – Zé confirmou.

— E como cruzaram com o Dr. Morte? – ela quis saber.

— Durante uma investigação do nosso amigo ali. – Zé disse e apontou para Baltar. – Dr. Morte sequestrou, torturou e o deixou para morrer, ao mesmo tempo em que explodia nossa base.

— Quer dizer que a explosão de agora há pouco foi a AgEsp? – Rubens perguntou espantado.

— Sim. – Érica respondeu com pesar.

— E o que pretendem fazer agora? – Raquel perguntou.

— Bem, ele nos atacou diretamente e é uma ameaça para toda a cidade. – Zé fez uma pausa. – Nós vamos para cima dele com tudo. – disse com determinação e intensidade.

— Ótimo! Vai ser muito bom contar com sua ajuda. – a detetive disse com um sorriso. – Antes de elaborarmos um plano, vou ligar para o meu chefe para atualizá-lo...

— Não! – Zé e Rubens disseram ao mesmo tempo.

— Por que não? – Raquel quis saber.

— Porque o Dr. Morte não fez o que fez sem ajuda interna. Notou que não passamos por nenhuma viatura no caminho? – Zé apontou.

— Além disso, lembra que os bandidos falaram que ele está te procurando? Seu telefone já deve estar grampeado. – Rubens complementou.

— Vocês têm razão. Mas então o que faremos? O Morte tem todos os bandidos da cidade contra nós. Vamos precisar de um exército de igual potência para enfrentá-los. – Raquel lembrou.

— Achei! – Rob disse.

— Não, eu achei. – Joca corrigiu.

— Não me importa quem achou. Só me digam onde ela está. – Ian disse bravo.

— Ela está... – Rob começou.

— Bem... – Joca continuou.

— Aqui? – os dois falaram ao mesmo tempo e se olharam confusos.

— Como assim aqui? – Ian questionou.

Nesse momento, barulho de motor se fez ouvir do lado de fora e Zé se encaminhou para a porta.

— Ei, pessoal, vocês ouviram um barulho de carro? Eu vou ver quem é.

— Zé, espera! Pode ser uma armadilha! – Érica gritou, mas já era tarde demais.

Zé Mané tinha acabado de abrir a porta do galpão.