terça-feira, 8 de maio de 2012

Interrogatório


– Eu já disse o que aconteceu. Quantas vezes vamos ter que passar por isso? – Bomber perguntou.
– Essa é a última vez. Agora, começa no momento em que você percebeu que seus colegas desmaiaram. – o delegado pediu.
Os paramédicos, os policiais, os detetives, os peritos criminais e o delegado chegaram pouco antes do amanhecer. Na praça de alimentação foi montada uma estação de interrogatório. Todos os seguranças deveriam relatar tudo o que se lembravam da noite anterior. Estava na vez de Bomber.
– Eu os estava abraçando, feliz porque seria nosso primeiro turno noturno juntos, e, de repente, eles ficaram moles e suas cabeças penderam. Nesse momento, eu vi os dardos e girei a cadeira rapidamente, ficando de frente para o ladrão. – Bomber relatou.
– E o que ele estava fazendo que não atirou em você também?
– Acho que estava carregando a pistola com outro dardo. Foi só o que eu pude supor, pois no momento seguinte ele a estava apontando para mim, mas eu avancei e empurrei o braço dele para o lado no último minuto.
– O que explica o dardo que achamos na parede. – o delegado lembrou.
– Exato. – Bomber confirmou.
– E o que aconteceu depois?
– Eu fui dar um soco nele, mas ele me empurrou com a perna após se impulsionar na parede.
– Sr. Ciconatto, o senhor é um homem bem forte. Suponho que esse ladrão também o fosse. – o delegado sugeriu.
– Ele era um pouco menor, mas igualmente forte. – Bomber explicou.
– Foi então que o senhor caiu na sua cadeira?
– Isso. E imediatamente após o impacto ele avançou para mim dando a coronhada que resultou nisso. – Bomber disse e apontou o machucado na cabeça.
– O senhor chegou a ver o rosto dele? – o delegado quis saber.
– Segundos antes de levar o golpe, eu consegui vê-lo, sim. Seus olhos eram azuis. Suas sobrancelhas eram castanho bem claro quase loiro.
– Obrigado por sua colaboração, Sr. Ciconatto. – o delegado disse. – Caso precisemos de mais alguma coisa, entramos em contato.
– Sim, senhor.


Bomber se levantou e, próximo dali, o chefe da segurança do shopping, Davi Soares, o esperava.
– Está tudo bem, Marcelo? – Davi perguntou.
– Sim. Desculpe pelo que houve, não consegui fazer o meu trabalho.
– Ei, não se preocupe com isso, ta legal? – Davi o consolou. – Todos os seguranças vão receber dois dias de folga, mas como sua participação foi mais traumática, decidimos te dar uma semana de folga. Então, relaxe e tenta esquecer o que houve, sim? – o chefe disse.
– Sim, senhor. Obrigado, senhor. – o segurança disse e saiu.
Ainda eram dez horas, quando Bomber chegou em casa. Deixou as sacolas das compras que fez no mercado e deitou. Dormiu pesadamente até seis horas da tarde. Ele levantou e sentiu o corpo melhor, mas ficou feliz por ainda ter mais um dia para descansar, antes do encontro com o grupo.
Bomber cozinhou, comeu e sentou para assistir televisão. Enquanto via o jogo de seu time, bebia uma cerveja. Não foi dormir tarde. Seu corpo ainda não estava totalmente descansado. No outro dia acordou pouco depois das dez horas.
Durante seu café da manhã, ele recebeu uma mensagem no celular, de Joel, avisando-o que a reunião seria às seis horas da tarde na velha mecânica, o centro de operações do grupo. Sua tarde foi tranquila e relaxante. Quando deu o horário, ele estava pronto e a caminho.
Bomber foi o primeiro a chegar, mas logo vieram Joel e Charger, Facada, Taís e Técno Léo. Eles se cumprimentaram e esperaram para que Joel falasse algo. Nesse momento, chegou Olívio Barton, o financiador da operação.
– Boa noite, senhores. Vejo que foram bem sucedidos em sua primeira operação. Meus parabéns!! – ele cumprimentou.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Resgate


Como não sabia atirar, Maurição não recebeu uma arma de fogo, mas sim um colete à prova de balas, caso ocorresse algo errado. Ele tinha terminado de tirar o terno e ficar somente com o uniforme de limpeza, quando o elevador abriu.
– Muito bem, Maurição... hmm... somos só nós dois agora... hmm... o Joca vai auxiliar o Zé. – Rob disse pelo comunicador.
– Por que você está fazendo pausas enquanto fala?
– Estou... comendo! – o rapaz respondeu.
– Ta, para onde devo ir? – Maurição perguntou.
– Só um pouco. – Rob pediu.
No helicóptero, os dois rapazes comiam seus lanches, ao mesmo tempo em que ajudavam Maurição, Zé Mané e Érica na operação. Como chegaram antes do outro grupo, eles já começaram a comer, devido à fome que sentiam. Então, quando a operação teve início eles tiveram que manter as duas coisas.
– Passa o catchup, Joca.
– Ta na mão.
– Humm, assim é bem mais saboroso. – Rob comentou.
– Ei, cuidado para não melar o laptop hein. – Joca aconselhou.
– Eu sei, eu sei. Você também hein. Eu falei para comer a batata antes. – Rob lembrou.
– Hã... pessoal? Que tal um pouco de foco na missão? Onde está a Duda? – Maurição interrompeu.
– Ah, sim, claro. Bem lembrado, Maurição. – Rob disse e olhou na tela de seu laptop. – É sua próxima porta à esquerda.
– Descreva o interior. Quantos homens têm lá dentro?
– Um só. O problema é que ele está atrás de uma mesa do lado oposto da sala. Você não chegaria nele antes de levar um tiro. Duda está amarrada numa cadeira. – Rob explicou.
– O que eu faço então? – Maurição quis saber.
– Espera! Ele está levantando. – Rob disse entusiasmado. – Está indo para a porta. Vai lá, Maurição, e espere meu aviso.
– Está bem. – o rapaz disse e ficou de frente para a porta da sala.


O segurança ficou com vontade de ir ao banheiro e decidiu que não teria problema em deixar uma garota amarrada sozinha alguns minutos. Ele passou por ela e estava a dois passos da porta, quando esta se abriu violentamente contra ele e empurrou-o para trás, fazendo-o bater na mesa.
– Segura para mim? – Maurição disse, entrando e jogando a mochila que carregava.
Num movimento reflexo, o homem segurou o objeto, por isso não viu até que o punho de Maurição o acertasse no rosto, nocauteando-o.
– Você está bem? – ele perguntou tirando a fita adesiva da boca de Duda.
– Sim. Ei! Você é o amigo do Zé, não é? – ela perguntou.
– Isso. Pode me chamar de Maurição. Eu vim aqui te resgatar. – ele disse, enquanto desamarrava as mãos dela.
– Cadê o Zé? – ela quis saber.
– Não diz a verdade! Se ela souber que o Zé ta no prédio não vai querer sair sem ele. – Rob gritou.
– Como você sabe? – Maurição perguntou.
– É melhor prevenir. – o rapaz helicóptero disse.
– Com quem você está falando? – Duda perguntou, confusa.
– O Zé está te esperando. – Maurição respondeu, ignorando a última pergunta e desamarrando os pés dela.
– Ótimo! – ela disse, alegre ao levantar. – Como vamos sair daqui?
– Vista isso! – ele disse e entregou um uniforme da equipe de limpeza para ela.
Duda, já disfarçada, e Maurição saíram da sala. O corredor estava livre, mas assim que o segurança acordasse, eles teriam pouco tempo para sair de lá.
– Rob? – o rapaz musculoso chamou.
Chiga im fente e vire a póxima dieita. – Rob disse de boca cheia.
– Sua mãe não te deu educação, não? – Maurição reclamou seguindo com Duda na direção indicada.
Os dois entraram no elevador de serviço e o rapaz apertou para descer.
– Não se preocupe. Vai ficar tudo bem! – ele disse.
– Ah! Droga! – Rob gritou.
– O que foi? Aconteceu alguma coisa? – Maurição gritou, assustado.
– Aconteceu! Espirrou catchup no meu monitor. – Rob disse com voz chorosa e Maurição revirou os olhos e tapou o rosto com uma das mãos.

domingo, 6 de maio de 2012

Herança


– Toni e eu conversamos ontem à noite e decidimos fazer dois grupos para procurar os tesouros. – Giovanni comunicou a todos, enquanto estavam sentados nos sofás do salão de entrada do hotel.
– Eu não concordo com isso. – Carpo disse.
– Ah, não? – Giovanni repetiu incrédulo por terem discordado de seu plano.
– Não. O tesouro está dividido em três categorias, portanto deveríamos nos dividir em três grupos, otimizando o nosso tempo. – o rapaz explicou.
– O Carpo tem razão, papai. – Ana disse.
– Certo. Então seremos três grupos. – Giovanni recomeçou. – Toni e Bárbara vão atrás das obras de arte; Glória e Lucy vão atrás das jóias; e Carpo, Ana e eu vamos atrás do dinheiro.
– Eu também não concordo com isso, senhor. – Carpo interveio.
– Ah, também não? – Giovanni repetiu tentando manter a paciência.
– Não. A cidade não é muito grande e io parlo italiano troppo. Além disso, devemos lembrar que os Martiniani mandam aqui. Por isso, acho que seria melhor ter um homem em cada grupo. – Carpo explicou.
– Muito bem, rapaz, então... – Giovanni começou.
– O senhor deveria ir com a Glória e a Lucy, papai. – Ana interrompeu.
– O que? – ele repetiu espantado com a sugestão.
– Isso mesmo, tio Giovanni! Venha conosco! – Lucy pediu e abraçou o mafioso fortemente.
De modo relutante, Giovanni aceitou a divisão sugerida por Ana e Carpo. Junto com Toni, ele explicou que cada mensagem continha uma charada em si, e, uma vez resolvida, poderia se saber o local onde estaria a parte da herança. Como Ana e Carpo iriam sozinhos, foi-lhes explicado que o local da parte da qual eles cuidariam era o porão da antiga casa dos Cesca.
Os dois chegaram a grande mansão incendiada, ou o que sobrou dela. A família Martiniani decidiu comprar o terreno e deixar a mostra para servir de exemplo para quem quisesse desafiá-los. Para lembrar que eles derrotaram os Cesca.
Ana e Carpo entraram e, seguindo as indicações dadas por Giovanni, foram até o escritório da casa. Lá, ambos procuraram pelo chão alguma saliência que pudesse ser puxada. Depois de um tempo, o economista encontrou. Eles a puxaram, revelando a entrada de um porão. Usaram as lanternas que levaram para iluminar o caminho, enquanto desciam.
Passaram por algumas estantes velhas e no fim encontraram a parte em dinheiro da herança dos Cesca. Cinco caixas empilhadas, com várias mochilas e sacos ao redor. Ao conferirem, confirmaram que as caixas tinham densas barras e as mochilas e sacos, moedas de ouro. Então, um barulho os tirou do transe de admiração em que estavam.
– O que foi isso? – Ana perguntou assustada.
– Fique aqui. Eu vou ver. – Carpo disse.
– Eu vou com você. – ela decidiu e não o deixou impedi-la.
Devagar, eles saíram do porão e, antes que pudessem sair do escritório, se viram cercados por vários homens armados em ternos risca-de-giz.


Giovanni, Glória e Lucy haviam conseguido pegar as jóias e voltavam para o hotel. Sentaram-se com Toni e Bárbara, que também haviam pegado sua parte.
– Anita e Carpo ainda não chegaram, tio? – Glória perguntou.
– Não, mas não chegamos há muito tempo. Talvez já estejam a caminho. – Toni respondeu.
– Isso é estranho, eles ficaram com a parte mais fácil. Já deveriam estar aqui. – Giovanni ponderou.
– E se não conseguiram carregar tudo o que tinha? Ouro pesa mais que jóias e papel. – Glória comentou.
– Não. Tem algo errado! Toni, venha comigo. Vamos até nossa antiga casa. – ele chamou o irmão. – Vocês vão para os seus quartos e fiquem lá. – ele avisou para as mulheres.
Na casa incendiada, eles não perderam tempo, foram direto ao escritório de Don Cesca. Na mesa usada pelo pai, encontraram um bilhete, que traduzido do italiano tinha o seguinte conteúdo:
“Se quiserem ver a neta de Don Cesca viva novamente, tragam as jóias e as obras de arte adquiridas por sua família tempos atrás e tragam à mansão Martiniani até o meio-dia de amanhã.”

sábado, 5 de maio de 2012

E quem não tem Q.I.?

Você já deve ter ouvido falar do significado dessa sigla, né? Quociente de Inteligência, pois bem, não é dele que eu vou falar nesse post, mas sim de outro que surgiu ao longo dos tempos, o Quem Indica. Hoje, ao se procurar emprego, por muitas vezes só o currículo não é suficiente. É preciso ter um conhecido, uma referência, quem indique. Isso é meio injusto, não acha? Afinal, para que serve o currículo então? Se uma pessoa que tem um péssimo currículo, mas conhece alguém de influência pode pegar a vaga de alguém com ótimo currículo, mas sem nenhum conhecido, para que currículo?

A entrevista é outro ponto interessante. As pessoas fazem um histórico da sua vida, perguntam suas qualidades, defeitos, RG, CPF e cor da cueca, mas na verdade vão escolher o que tiver indicação. Não acontece sempre assim, ainda bem. Algumas empresas escolhem pela universidade, outras pelas experiências anteriores, outras ainda pela performance na entrevista.


As pessoas deveriam ser contratadas por todos esses motivos como um todo e o que melhor se aprouver, fica com a vaga, mas o mercado de trabalho hoje é muito interesseiro. Se você não tem algo substancial a lhe oferecer, você já era. Eu cometi erros, dos quais me arrependo. Hoje, estou no limbo do mercado de trabalho, to empregado em uma área diferente da minha formação e tento voltar para ganhar mais, mas com a pouca experiência que tenho, sem o Q.I. ta impossível.

Não faça como eu, não perca tempo. Se você ainda está na faculdade, faça estágios e contatos, sempre converse com as pessoas e seja simpático (a). Sem perceber, você pode garantir o seu Q.I. e, consenquentemente, o seu emprego no futuro.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Por que não somos como os pandas?

E eu não to falando do fato de eles serem fofos e peludos. Antes de dizer a característica a qual me refiro, diga-me, você sabe por que os pandas correm risco de extinção? Porque eles são preguiçosos. Sim, esse é o real motivo. Sabe o que eles fazem o dia inteiro? Comem e dormem, só. Quando não estão comendo, estão dormindo e vice-versa. Eles tem preguiça até de procriar. Então, repito, por que não somos como os pandas?

Por que não podemos simplesmente acordar e passar o dia inteiro comendo o mesmo alimento como se tivesse um novo sabor a cada mordida e quando cansássemos, voltássemos a dormir por falta de coisa melhor para fazer? O mundo seria tão melhor. Com menos gente, menos violência, menos tudo. Talvez isso afetasse algumas coisas boas como a tecnologia e a medicina, mas enfim.


E se apenas adaptássemos esse estilo de vida? Talvez não seja prático só comer e dormir, mas é muito bem viável não fazer filho. Até mesmo porque, ao contrário dos pandas, não corremos risco de extinção. Na boa, são mais de 7 bilhões de seres não peludos (a maioria) e que fazem mais durante o dia do que comer e dormir. Tem uma frase que é assim: "A vida é simples, a gente (seres humanos) é que complica!" E é verdade, não? Pensa: estava tudo bem na natureza até o homem surgir e complicar tudo.

Não to dizendo para mudarmos totalmente nosso modo de vida e ir morar na floresta. Mas de vez em quando, podemos olhar e aprender um pouco com a simplicidade e o estilo de vida de nossos amigos peludos. Outro fato que podíamos ser iguais aos pandas é ser preto e branco ao mesmo tempo, aí eu queria ver o tal do preconceito. "Ei, você é preto! E branco!" "É, você também!". Fim do problema! (e do post também)


quinta-feira, 3 de maio de 2012

Você gostaria de fazer parte dos Vingadores?

Eu gostaria. Afinal, eles são os heróis mais poderosos da Terra. E com um título desse é preciso ter um filme à altura, não é? Sim, e para a alegria de todos, a Marvel Studios conseguiu fazer jus a esse grupo tão importante na história dos quadrinhos. Bom, não que seja um pré-requisito, mas se você quiser entender detalhadamente a trama, sugiro que veja os seguintes filmes, na ordem: Iron Man (Homem de Ferro), The Incredible Hulk (O Incrível Hulk), Iron Man 2 (Homem de Ferro 2), Thor (Thor) e Captain America: The First Avenger (Capitão América: O Primeiro Vingador). Não esqueça de ver as cenas pós-créditos.

Então, senta que lá vem a história. O vilão da trama, Loki, se apodera de um artefato que serve como portal entre dois mundos. Com seus poderes mentais, ele se alia a uma raça chamada Chitauri e consegue um exército para conquistar e dominar a Terra. Sabendo disso, o diretor da S.H.I.E.L.D., Nick Fury, decide unir os maiores heróis do planeta para recuperar o artefato e impedir a guerra. É claro que isso não acontece e o pau come solto. 

Agora, as críticas. Mesmo que eu não fosse fã, não teria como fazer uma crítica ruim a esse filme. Ele é simplesmente perfeito, ou 99% perfeito. 

A interpretação dos atores está impecável, talvez pela prévia atuação em seus próprios filmes anteriormente, e a química entre eles também está incrível. 

Os efeitos não deixaram a desejar e assistir em 3D é quase uma obrigação. As cenas de luta também são ótimas, tanto as entre os heróis como as deles contra os vilões. 

Além disso tudo, o filme é recheado de cenas engraçadas, mesmo no meio de toda a tensão que é gerada.


Esse é o melhor filme de herói já feito até hoje, mas não é só por isso que você deve vê-lo, pois ele também se encaixa nas categorias: ação; bom filme para se ver em 3D; ótimo filme com várias cenas de ação e comédia; filme que destrói Nova York incomensuravelmente. Esse eu recomendo muito!!!

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Notas


O primeiro semestre passou e as férias acabaram, mas Solano não as aproveitou como gostaria. Por ter tirado notas muito baixas nos dois primeiros bimestres, seus pais o fizeram ter aulas particulares durante as férias. Ele não se esforçou nem um pouco em prestar atenção, mas recebeu uma séria ameaça do pai um dia antes da volta às aulas.
– É bom você recuperar suas notas no terceiro bimestre ainda, porque senão nada de futebol para você pelo resto do ano!
O jovem atleta não sabia o que fazer e, durante a primeira semana de aula, mesmo tentando, não conseguiu prestar atenção aos professores. Ficou bem calado na primeira reunião do grêmio do segundo semestre. Alex notou, mas preferiu não comentar, pois saiu logo que acabou o assunto.
Solano foi o penúltimo a levantar e quando o fez, derrubou alguns papéis de sua mochila, que estava aberta. Diana, que ainda estava sentada, pois havia decidido ficar para fazer umas pesquisas, abaixou para ajudá-lo a recolher. Sem querer, ela pegou o último boletim do rapaz e viu as notas vermelhas. Ao ver o que a amiga tinha em mãos, ele rapidamente pegou, agradeceu e foi embora.
Assim que o artilheiro saiu, Diana começou a procurar pelas notas dos alunos no sistema do colégio. Apesar de apenas confirmar o que tinha visto, a menina ficou surpresa com as notas tão baixas do amigo. Passado o final de semana, ela chamou-o para conversar na sede, durante o recreio.
– Por que não falou nada para gente? – ela perguntou diretamente.
– Do que você ta falando, Di? – o rapaz quis saber.
– Das suas notas, Solano. Elas estão muito baixas. – ela respondeu.
– Ah, isso. – ele resmungou.
– É, ISSO! – ela enfatizou. – O que aconteceu?
Ele explicou que tinha dificuldades em algumas matérias, como: história, geografia, português, matemática e biologia. Não conseguia prestar atenção nas aulas e preferia jogar futebol. Ele também se sentiu à vontade para contar sobre suas férias e a ameaça do pai.
– Então, precisamos fazer algo quanto a isso. – ela disse.
– Precisamos? – ele repetiu.
– Sim, não vou deixar você sozinho nessa. E começaremos hoje mesmo. Prepare-se será puxado. Segundas, quartas e sextas à tarde, iremos estudar na biblioteca. Terças e quintas, você pode jogar futebol. – ela determinou.
– Não é muita coisa? – ele perguntou desanimado.
– Talvez, se a sua única nota boa não fosse em educação física.


Nos dois meses seguintes, os dois amigos passaram as tardes dos dias combinados estudando. Para o rapaz estava sendo uma experiência inédita, pois ele nunca havia estado na biblioteca do colégio. Depois de alguns dias, quando quis emprestar um livro, precisou fazer seu cadastro, pois ainda não o tinha.
Diana também experimentava algo novo. Ela se lembrava de como Alex não entendia nada quando eles estudavam juntos. Com Solano, ela via um progresso. As pessoas acharam muito estranha a presença do atleta na biblioteca.
 No segundo mês, os estudos passaram a refletir em casa também. Nem os jogos de futebol ele via mais. Lendo, escrevendo, contando, decorando. Solano estudou mais naqueles dois meses do que em sua vida toda. E valeu a pena.
A semana de provas chegou e a hora de mostrar resultado. Apreensivo, mas confiante, o rapaz fez os exames e saiu contente de cada um deles. Depois do último dia, Diana quis saber como ele tinha ido.
– Bem até. Consegui responder tudo. – ele respondeu. – Normalmente, deixo metade em branco.
– É um avanço. – ela comentou.
– To louco para estudarmos para as últimas provas, Di.
– É, sobre isso... não vai haver mais “nós”. – ela disse.
– Como assim? – ele perguntou, confuso.
– Olha, Solano, você precisa estudar sozinho, agora. Se sempre estudar comigo, vai ficar dependente e ninguém sabe até quando estaremos juntos. – ela explicou e viu o olhar triste do amigo. – Nada impede de fazermos a revisão para as provas, juntos. – ela terminou e ele sorriu, no momento em que a mãe dele chegou de carro.
– Obrigado por tudo, Di. – ele agradeceu e a beijou na testa.
Enquanto via o rapaz ir embora, Diana sentiu algo que nunca havia sentido antes. Ela não sabia dizer o que era, mas sabia que era bom, era muito bom.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Distração


Juntando todas as suas forças, o segurança recém acordado levantou e retirou o dardo tranquilizante de seu pescoço e se dirigiu à área aberta e destinada aos fumantes, do shopping. Da sacada, tudo que ele conseguiu ver foi um Charger vermelho seguindo a rua na contramão.
– Por que estamos indo nesse sentido mesmo? – Charger perguntou.
– Eu já expliquei, é uma distração. Com o alarme dado, todas as viaturas vão precisar de um alvo, mas na contramão tudo fica mais difícil.
– E pra onde vamos mesmo? Boqueirão?
– Quase, é um barracão lá no Parolin. Vamos pela canaleta, sem os ônibus vai ser muito rápido. – Joel disse.
Depois de passar algumas quadras, o veículo alcançou o terminal do bairro Campina do Siqueira, e logo surgiram os primeiros carros policiais.
– Despiste-os, Charger. – Joel pediu.
– Deixa comigo!
O rapaz ligou o nitro do carro e se distanciou de modo significativo das viaturas. Eles estavam numa subida e ao chegar ao topo, devido à velocidade, o carro saiu alguns metros do chão e bateu estrondosamente ao descer, mas manteve a aceleração. Quando os policiais alcançaram o topo, eles viram o Charger vermelho sumir no fim da rua. Enquanto isso, o Chrysler dirigido por Taís se encontrava do outro lado da cidade.
– Que caminho vamos seguir? – Facada quis saber.
– Vamos até o contorno leste e pegar a entrada para o CIC, de lá vamos dar uma puta volta até chegar ao centro de operações. – Taís explicou. – Léo vai ver o caminho mais rápido para irmos.
– Sim, senhora. – Técno Léo brincou.


No caminho do ônibus, mais duas viaturas surgiram. Por estarem perto da rua onde iriam virar, Joel decidiu intervir. Pegou um rifle, abriu a janela e mirou para atirar.
– No pneu, atira no pneu! Eles nunca fazem isso nos filmes. – Charger lembrou.
– Eu sei, eu sei.
Tentando mirar com o movimento do carro, Joel acertou primeiro os faróis e depois foi baixando a arma até conseguir acertar um dos pneus, o que foi suficiente para o primeiro carro tombar e o segundo bater em seguida.
– É isso! – Joel vibrou.
– IAHUUUUUUU! – Charger gritou e ligou o nitro de novo.
No barracão, eles foram recebidos rapidamente pelos olhares atentos dos funcionários. O local era uma grande mecânica que também funcionava como desmontadora de carros roubados. Charger parou o carro e Joel desceu para ser recebido por um velho amigo.
– Joel, meu amigo! Há quanto tempo. – o dono do local disse.
– Sim, muito tempo. – Joel respondeu abraçando-o. – Charger, você se lembra do Albie.
– Claro que sim! Como vai?
– Albie, preciso que você pinte esse carro para mim antes do amanhecer. – Joel disse.
– Pintar? Como assim? – Charger perguntou, surpreso.
– Charger, já conversamos sobre isso. – Joel disse.
– Qual vai ser a cor? – Albie devolveu para Joel.
– Algo neutro e que seja rápido. – o líder do grupo respondeu.
– Muito bem. Enquanto isso é feito, por que não esperam em minha sala? Tem uns sanduíches e bebidas no frigobar. – Albie disse sussurrando a última frase.
Depois de abocanhar um pedaço de um misto frio, Charger perguntou.
– Por que tudo isso, Joel? Por que não fomos simplesmente para casa?
– Quantos Charger vermelho você já viu soltando nitro pela cidade? – Joel devolveu a pergunta.
– Na verdade, esse foi o primeiro que vi, e eu tava dirigindo.
– Exato. Todos os policiais devem estar atrás de um Charger vermelho agora e é por isso que não podemos estar dentro de um. Você entendeu?
– Sim. E depois o que?
– Deixamos o carro no centro de operações e passamos os próximos dois dias em casa. – Joel explicou.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Virada de jogo


“O plano de Júlia era simples: ela iria dizer ao capanga que estava de guarda que eu fugi para o lado em que o marido dela fazia as cobranças do povo, enquanto eu estaria indo para outro lado. Eu, literalmente, saí correndo da casa, pelo menos por umas duas quadras. Entrei num beco e, ali, recuperei o fôlego.
“Andei mais sossegado depois desse trecho, mas ainda assim de olho em tudo. Ninguém reparava em mim, o que era ótimo. O problema é que eu não sabia como sair dali e não podia perguntar para não levantar suspeita. E a cada minuto que passava, eu ficava mais perto de ser encontrado. Se eu tivesse um veículo seria bem fácil achar a saída.
“Foi quando eu vi um morador estacionar uma moto, desmontar, levar o capacete e deixar a chave na ignição. Ou ele era um dos bandidos e pensava que por isso ninguém ia ter coragem de roubá-lo, ou ele achava que por ser conhecido no bairro não seria roubado. Ledo engano, no Brasil sempre há alguém disposto a roubar. Triste realidade. No meu caso foi a mais justificável necessidade.
“Caros leitores, não me orgulho do que fiz em seguida, por dois motivos. Primeiro: eu roubei um veículo e, isso por si só, já é bastante grave. Segundo: eu saí dirigindo uma moto por um bairro que eu não conhecia, com possíveis pessoas armadas querendo me matar, SEM CAPACETE!”
– ISSO TUDO É CULPA SUA! – Cleverson gritou, empurrando a mulher contra a parede com tinta fresca.
Júlia chorava, temendo a violência do marido.
– O que aconteceu? – ele perguntou mais calmo, mas ainda segurando-a contra a parede.
– Eu voltei do mercado e... o procurei aqui, mas não o encontrei... nem em nenhum lugar da casa... então eu o vi pulando o muro na direção em que você estava. – ela explicou em meio a soluços.
– Droga! – ele praguejou, soltando-a. – Muito bem! Ele está desarmado e a pé. Quero todos os homens atrás dele. O deputado não pode saber disso. – ele disse e seus capangas saíram. – E, você, trate de pintar essa sala. – disse a sua mulher e saiu.



“Finalmente encontrei a rodovia e me senti como um personagem do jogo GTA, passando a toda velocidade com a moto, sem capacete, por entre os carros. Ficou ainda mais parecido quando algumas viaturas começaram a me perseguir. Chegando ao limite do plano piloto, senti-me em casa. Conhecia melhor ali do que Planaltina. Não demorou muito para que eu chegasse à avenida dos ministérios e em seguida ao Congresso.
“Ainda acelerado, para não ser preso antes de meu destino, entrei com moto e tudo no prédio principal de Brasília. É claro que uma porção de seguranças me cercou assim que parei. Os policiais chegaram em seguida. Eu era conhecido ali, por isso não houve problemas maiores quando quis pegar meu gravador e mostrar-lhes que eu havia sido sequestrado pelo “ilustríssimo” senhor deputado.
“Acompanhado por dois seguranças e dois policiais, invadi a sessão do plenário, na qual mais uma vez, o deputado Capelário palestrava. A surpresa em seu olhar ao me ver vivo foi impagável.”
– Senhoras e senhores, meu nome é Rubens Fonseca, sou repórter do jornal Terra da Garoa e há algumas horas fui sequestrado por um parlamentar que se encontra presente nesse recinto. Aliás, ele é o palestrante do momento. – ele disse e uma série de murmúrios tomou conta da câmara.
– Você pode provar o que disse, rapaz? – um parlamentar quis saber.
– Achei que não ia perguntar. – ele disse, sorrindo e acenou para a cabine de som.
Em seguida, o conteúdo do seu gravador tomou conta do local. Desde o momento em que ele foi abordado pela limusine do deputado até o seu quase esquartejamento. Sem perder tempo, Rubens citou as milícias e, com o vídeo e a foto, provou o envolvimento do deputado.
– Agora, senhores, se me dão licença, eu preciso ir. Tenho certeza de que os nobres deputados encontrarão o jeito ideal de punir o Sr. Capelário. – ele disse e ia se virando, mas desistiu e continuou. – Ah, deputado! Eu agradeceria muito se o senhor devolvesse minha mochila com meu equipamento.
“Depois de ouvir detalhadamente minha história, os policiais me liberaram e se prontificaram para devolver a moto ao dono. Parece que o governo vai liberar uma força policial para acabar com as milícias, após investigação confirmando a existência de fato, é claro.
“Não sei o que aconteceu com Júlia, mas eu sinto que ela está bem. Ela é uma mulher muito esperta. O deputado teve seu mandato cassado e muitos processos foram abertos contra ele. Apesar disso, nada, porém, me convence de que essa foi a última vez que me encontrei com Raul Capelário.”

                                                            Rubens Fonseca.

domingo, 29 de abril de 2012

Martiniani


Enquanto voava de volta para a Itália ao saber que suas inimigas haviam decidido ir para lá, Marco Martiniani se lembrava da época em que sua família se tornou a dominante no país.
Após a morte de Don Cesca, Don Martiniani mandou incendiar a casa do inimigo. Sabendo desse fato, as famílias que não fugiram, decidiram se juntar aos Martiniani, assegurando-lhes o poder que tanto queriam. Naquele tempo, Marco estava afastado da máfia a pedido de seu pai, Vincenzo.
Marco tinha um filho de 2 anos e sua mulher já esperava outro. Assim que a situação ficou mais tranquila após a queda das famílias mafiosas, Vincenzo deixou que seu único filho voltasse aos negócios. Com o passar dos anos e a velhice chegando, Don Martiniani adoeceu e faleceu, passando seu título para Marco.
Seus filhos, Bruno e Marcelo, cresceram e tomaram seus lugares nas empresas da família, mas não tinham aquela paixão mafiosa do pai e do avô. Eles ouviram a história de seus antecedentes e sabiam seu papel na família, mas ainda assim, não tinham a empolgação que Marco esperava. Bem por isso, ele mesmo veio para o Brasil encontrar as Cesca.
Ele tomava um copo de uísque quando viu a arquitetura conhecida da Itália pela janela do avião. Estava chegando em casa. E, de repente, aquela mudança de cenário tinha sido boa, afinal aquele era o terreno dele. As Cesca não teriam chance em um lugar em que os Martiniani mandam.


O mais rápido que pôde, Glória conseguiu vistos para todos e eles seguiram, no avião particular da Barbatto Construções, rumo à Itália.
– Você tem bastante recursos, minha sobrinha. – Giovanni comentou.
– Pois é, tio. O divórcio tem suas vantagens. – ela disse.
O grupo aproveitou a viagem para se conhecer melhor, principalmente, as primas entre si. Durante a conversa feminina, os dois ex-mafiosos foram se trocar.
Então, Carpo se viu em uma situação inédita até o momento. Ele estava sozinho em um lugar com as quatro Cesca. Elas entraram num assunto de roupas e cabelo. O rapaz fechou os olhos e tentou dormir. Em seus sonhos, ele ouviu a conversa das primas mudar de rumo e chegar até ele. De repente, elas estavam brigando por ele, mas aí viram que era inútil e o procuraram.
Ele deveria decidir com qual queria ficar, mas não conseguia. No fundo ele queria poder ficar com todas. Sabia que não poderia, mas esperava ter mais tempo para pensar nisso, não com os pais de duas delas no cômodo ao lado. Elas o pressionavam, criticavam umas às outras, fazendo-o suar e se desesperar, quase não querendo nenhuma.
– Carpo! – Ana o chamou, notando o suor e seu sono inquieto.
– AHH! – ele acordou sobressaltado. – O que? Ana! – ele disse se acalmando. – O que houve?
– Acho que você teve um pesadelo, mas está tudo bem agora. – ela disse. – Ah! Uma boa notícia. Estamos chegando! – ela informou com um sorriso.
Giovanni e Toni voltaram vestindo seus ternos pretos risca-de-giz, com camisa cinza e gravata preta e camisa branca e gravata cinza, respectivamente.
– Qual é o plano? – Bárbara perguntou.
– Vamos encontrar a herança que o avô de vocês nos deixou e voltar para o Brasil! – Giovanni respondeu.
               Ao pousarem, dois carros os esperavam. Após embarcarem foram levados para o hotel que ficariam.