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sexta-feira, 5 de abril de 2013

O ponto de ônibus

-Oi.
-Oi.
-Quente hoje, não? - ele tentou puxar assunto.
-Uhum. - ela respondeu sem interesse.
-Indo para casa? - era fim de tarde, ele achou que seria uma opção sensata.
-Não.
-Indo para o trabalho? - ela podia trabalhar à noite, ele pensou.
-Não.
-Para a faculdade? - ela não era muito mais velha que ele e carregava uma bolsa grande.
-Não. - ela respondeu alto, virando as costas para ele.
-Desculpa. - ele disse, baixou a cabeça e se afastou.
-Hã... o que? Pelo que? - ela disse como se eu não estivesse ouvindo ele até então. Virou-se com o celular na mão e ele entendeu.
-Por nada. Deixa pra lá.
-Diz, eu quero saber. - ela insistiu, e ele não soube dizer se por interesse ou por educação.
-Perguntei para onde está indo. - ele disse enfim.
-Já não sei mais. - ela respondeu com um sorriso triste. - E você?
-Estava indo para casa, mas queria mesmo era sair e fazer algo divertido. A semana foi puxada. - ele respondeu se soltando.
-Nem fala, eu bem estou precisando de um pouco de diversão. - ela devolveu.
-Não costumo fazer isso com pessoas com quem conversei por menos de cinco minutos, mas nós estamos bem perto de um shopping, se quiser podemos ir até lá e beber um pouco para relaxar. - ele sugeriu.
-Não costumo aceitar convites de pessoas com quem conversei por menos de cinco minutos, mas acho que hoje vou arriscar. - ela respondeu no mesmo e sorriu.
Eles saíram em direção ao shopping e o ponto de ônibus ficou, mais uma vez, vazio.

2 comentários :

  1. Sei não, mas ainda tou com Jack the ripper na cabeça.

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  2. Genial.
    Acredito na inocência dos dois.

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