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terça-feira, 27 de maio de 2014

Caos Urbano T02C05

CAPÍTULO 5 – PISTAS 

Graças ao treinamento que tiveram, abrir uma porta trancada não era mais um desafio para Rob ou Joca. Por isso, entrar no apartamento que Baltar havia alugado para vigiar o Hospital Amadeu Polvilho não foi um problema. Após dois anos de missões, os três amigos se entendiam muito bem durante o trabalho. Joca foi até o quarto do espião número 1 e encontrou o notebook dele. Rob sentou no sofá e ligou o seu. Zé fez o mesmo, mas parou para olhar pelo telescópio do colega.
― Ele tinha uma visão perfeita daqui. – o rapaz de camisa xadrez disse.
― E também tinha acesso às câmeras do hospital. – Joca disse voltando do quarto com o notebook de Baltar.
― Ótimo! Veja se há algo diferente em alguma delas. – Zé disse ao amigo. – Rob, entre no sistema de segurança de eletrônicos do hospital para liberar as catracas para as meninas. – disse ao outro.
― Certo. – Rob confirmou.
― Equipe de campo, tudo pronto aí? – Zé perguntou pelo comunicador.
― Tudo sim, equipe estratégica. Já podemos ir? – Érica devolveu.
― Positivo. Podem dar início à operação. – o líder disse.
A equipe de campo estava em um furgão na esquina da quadra do prédio. Érica e Duda estavam disfarçadas de médicas, enquanto Maurição e Nikki estavam uniformizados de técnicos de telefonia. A loira e a morena iriam pela porta da frente e passariam pelas catracas.
O furgão já estava pintado por fora com o logo da empresa telefônica. Assim que a loira e a morena desceram do veículo, Nikki seguiu para a entrada do estacionamento do hospital. Pararam do lado da guarita do porteiro.
― Pois não? – o funcionário disse.
― Recebemos um chamado. Estão tendo problemas com o circuito interno do hospital. – a ruiva disse.
― Estranho, ninguém me avisou de nada. Só um minuto. – o rapaz da guarita pediu e pegou o telefone.
Minutos antes, Zé havia redirecionado todas as ligações internas do hospital para o seu notebook. Por isso, foi o espião que atendeu a chamada do porteiro.
― Sim, tudo bem. Entendi. – o funcionário desligou e abriu a cancela. – Podem entrar.
Nikki acenou com a cabeça e desceu com o furgão no escuro estacionamento. Após parar o veículo, a espiã reparou que havia apenas um guarda no local, que já os esperava com um papel para assinar. Aproveitando a falta de pessoal, a ruiva nocauteou o funcionário e, com a ajuda de Maurição, o colocou em um armário que tinha ali.
― Estamos dentro, equipe estratégica. Em direção ao subsolo. – ela avisou pelo comunicador.
― Certo, equipe telefone. – Rob respondeu e chamou pela outra dupla. – Equipe médica, já está pronta para entrar?
― Positivo. Pode liberar as catracas. – Érica disse no momento em que ia passar seu cartão falso.
Com o auxílio de seu amigo, as duas espiãs entraram no hospital. De acordo com o combinado, cada uma seguiu para cobrir uma área diferente. A loira ficou com o primeiro e segundo andares, enquanto a morena foi para o terceiro e quarto. No prédio em frente ao hospital, a equipe estratégica continuava em seu objetivo de descobrir o local de onde Baltar tirou as fotos dos bandidos.
― Há uma grande chance de ter sido no subsolo. O andar está sem ser usado há seis meses. – Zé disse enquanto examinava os arquivos do hospital.
― Eu diria que é 99% de chance, Zé. – Joca disse. – Acabei de notar uma falha nas câmeras há 8 dias. E não é só isso, o conteúdo das câmeras vem sendo alterado há 3 meses.
― Deve ser aquele tal de Benck. – Rob supôs.
― Sim, ele é um desafio a nossa altura, Rob. – Joca acrescentou.
― Bom trabalho, pessoal. – Zé elogiou e chamou as médicas. – Atenção, doutoras, sigam para o subsolo. Obtivemos confirmação de que lá foi o local que Baltar tirou as fotos.
― Positivo, Zé. – Érica disse.
― A caminho. – Duda informou.
Parando para prestar atenção no rapaz ao seu lado pela primeira vez, a espiã número um notou a falta de uma arma de fogo.
― Onde está sua arma? – ela quis saber.
― Eu não gosto de usar. – Maurição respondeu.
― Você não gosta? – Nikki repetiu sem acreditar. – Como faz para cumprir suas missões. E se a coisa esquenta?
― Todo meu uniforme é a prova de projétil. – o rapaz explicou. – Por causa da insistência do Krusma, eu aprendi a atirar, mas não gosto.
― Que seja. Fique atrás de mim, então. – a ruiva disse no momento em que a porta do elevador se abriu.
Parecia um andar normal, suas luzes estavam acesas, mas as salas estavam vazias. Nikki andava com a arma levantada pronta para atirar. Assim que o corredor acabou, eles foram forçados a virar à esquerda. Quando faltava apenas uma sala, receberam o comunicado de Zé.
― O local é realmente o subsolo. Fiquem atentos. As Agentes D e E já estão descendo até vocês. – o líder informou.
A última sala era diferente das demais. Estava totalmente vazia, sem nenhum móvel ou eletrônico. Nada.
― Isso está estranho. – o musculoso disse.
― Foi aqui. – a ruiva disse. – Os bandidos se reuniram aqui e o Levi bateu as fotos dali. – ela disse apontando para a porta. – Zé, estamos no local. Tenho certeza. – informou pelo comunicador.
― Certo. Procurem por qualquer coisa que possa nos levar até onde Baltar está sendo mantido. – Zé respondeu.
Com a ajuda de Érica, Maurição passou a ser muito mais observador e aprendeu muitas coisas que antes não sabia. Por isso, prestou atenção em todos os detalhes do cômodo em que estava.
― Achei algo. – ele disse sem pensar, se abaixando no quanto da sala.
― O que? – Nikki e Zé disseram ao mesmo tempo.
― Um pedaço de chiclete. – o musculoso disse mostrando a goma mastigada para a ruiva, que fez uma careta.
― Boa, amigão. DNA! – Zé elogiou.
Nesse momento, chegaram Érica e Duda.
― Foi daqui que chamaram a perícia? – a loira brincou.


A morena abriu uma maleta contendo vários produtos químicos, luvas, pacotes e envelopes. A Agente D espirrou um líquido no chão da sala e com uma lanterna especial pôde ver o formato de várias pegadas. A Agente E aproveitou para tirar fotos e enviar para a equipe estratégica.
― Vamos seguir as pegadas e ver se encontramos traços dos rastros de pneus também. Saber o carro em que fugiram seria muito útil. – a morena disse.
E assim fizeram. As “médicas” foram na parte de trás do furgão. O veículo parou a uma quadra do hospital para receber os outros integrantes. Nesse momento, Érica pediu para dirigir e trocou de lugar com Maurição. Joca e Rob precisaram de alguns minutos para analisar as evidências, mas não demorou para chegarem a um resultado.
― Vocês estão ficando muito boas nesse negócio de perícia. – Rob elogiou os amigos. – O chiclete que Maurição encontrou foi mascado por um tal de Romildo Dorigan. Há três anos ele assumiu o ponto de tráfico da Vila Torres ao derrotar seu antigo rival em uma emboscada. Nesse mesmo dia, porém, ele foi preso pela Detetive Raquel Marins em uma operação que teve a ajuda do Motoqueiro das Trevas. – o rapaz disse estranhando. – Depois disso, ele foi solto e desde então tem lutado contra seu novo rival pela Vila Torres e também tenta sobreviver ao Motoqueiro.
― Eles fugiram em um Honda Civic modelo novo. – Joca começou a dizer sua parte. – Há sete dias, ele varia sua posição, mas sempre volta para o mesmo lugar. Um endereço no CIC sul.
― Vocês são demais. – Duda elogiou e aplaudiu.
― Os melhores. – Maurição emendou.
― Como descobriram isso? – Nikki perguntou do banco da frente.
― Foi muito simples, na verdade: utilizamos os satélites do Google Earth para ver o movimento de uma semana atrás ao redor do hospital e então encontramos o carro, que descobrimos através das marcas de pneus que vocês viram. Através disso, seguimos o veículo até ele parar. Usando o máximo de aproximação possível, pudemos ver cinco pessoas saindo do carro, uma delas sendo carregada por duas. – Rob respondeu.
― É claro que para isso, tivemos que entrar no servidor central, quebrar umas dez senhas de seguranças, descriptografar cinco códigos mais do que complicados que mudam a cada trinta segundos e, uma vez com acesso, fazer o que precisávamos em menos de dois minutos para não sermos descobertos. – Joca emendou e um silêncio se formou.
― Põe o endereço no GPS então, meninos. Temos um amigo para resgatar. – Érica disse, ligou o motor do furgão e se virou para ver a agente ruiva. – Ainda acha que me uni a um bando de idiotas que só tem sorte?
Antes de responder, Nikki ouviu parte da conversa que os espiões de trás estavam tendo.
― O que? Nós já vamos? – Rob perguntou.
― Claro. Faz uma semana que o Baltar está sumido. – Zé disse.
― Ah, achei que íamos parar para comer alguma coisa. Toda essa operação me deu fome. – Rob disse.
― Imagina como está o Baltar. – Duda rebateu.
― E se a gente pedisse uma pizza? – Joca sugeriu.
― Como vamos pegar a pizza em movimento, gênio? – Rob indagou.
― E se pedíssemos para um endereço próximo ao que vamos? – Joca disse.
― Ótima ideia! – Zé se animou. – Aproveita e pede para o Baltar também.
― Duas gigantes então. – Rob definiu.
― Alguém sabe que sabor o Baltar gosta? – Joca perguntou enquanto já telefonava para a pizzaria.
― Todo mundo gosta de frango com catupiry. – Maurição comentou.
― É verdade. – os outros concordaram.
― Borda recheada? – Joca quis confirmar.
― Claro. – todos responderam.
Após ouvir essa parte, Nikki voltou seu olhar para a Agente E.

― Preciso mesmo responder? – ela disse com desdém e a morena riu sem jeito. 

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