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segunda-feira, 26 de maio de 2014

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CAPÍTULO 3 – CESCA

Com todas as emoções do primeiro dia de aula, Alex chegou bem empolgado para o segundo dia. A primeira coisa que fez foi ir à secretaria e inscrever seu nome para concorrer às vagas para o jornal do colégio. Dali, foi direto para a sala de aula. Colocou sua mochila na penúltima carteira da fila do meio, logo na frente de Solano, que já estava lá.
Em seguida, chegou a professora Ninon, de biologia. Os alunos se sentaram direito e olharam para a frente. A magistrada era baixa; possuía cabelos vermelhos; usava óculos; e já contava com seus 45 anos de idade; era magra. Enquanto Ninon escrevia no quadro negro, alguns alunos conversavam e nesse momento, bateram à porta da sala. Era o diretor Brasílio acompanhado de uma jovem loira.
― Professora, temos uma aluna nova. – ele anunciou dando passagem para a garota, que entrou na sala. Em seguida, Brasílio saiu e fechou a porta.
― Bom dia! – cumprimentou Ninon. – Por que não aproveita e se apresenta para a turma? – perguntou à garota.
― Está bem. – ela concordou e olhou para seus futuros colegas. – Meu nome é Luciana Cesca. Podem me chamar de Lucy. – a loira disse.
― Que sobrenome diferente. – a professora comentou.
― É italiano. – Lucy explicou.
No tempo em que as duas tinham esse diálogo, Alex não conseguia tirar os olhos da aluna nova. Ele nem piscava enquanto a analisava dos pés à cabeça. Lucy tinha altura mediana; possuía cabelos loiros bem claros, longos e lisos; seus olhos eram castanhos. Para o seu primeiro dia de aula, ela usava uma regata bem justa, dando grande destaque para seu decote; sua calça jeans era igualmente justa; para fechar seu vestuário, ela usava tênis.
― Vamos ver onde tem um lugar para você sentar. – a professora disse e olhou pela sala até encontrar uma cadeira e carteira vagas. – Alex! – ela chamou e tirou o garoto do transe.
― Hã?! Sim! – ele disse assustado.
― Tem alguém sentado à sua frente? – Ninon perguntou.
― Não! Não, não, não, não tem não. – ele respondeu e então entendeu o motivo. – Quer dizer... – ele disse e se levantou para abrir espaço entre a cadeira e carteira vazias. – Agora tem a aluna nova! – Alex disse e apontou o lugar com os braços para Lucy.
― Que fofo, Alex! – a professora disse sem animação, enquanto Manu revirava os olhos.
― Obrigada! – Lucy agradeceu e sentou-se.
O rapaz não conseguiu se concentrar na aula. Para copiar o conteúdo do quadro, ele precisou se abaixar um pouco para frente. Ao fazer isso, sentiu de imediato o perfume da aluna nova, mesmo ela estando um pouco abaixada também. Além de sentir seu cheiro, ele também ficou admirando os cabelos da loira. Era o tom mais claro do colégio. Nem Manu, nem Paty, nem mesmo ele, que eram loiros naturais tinha um tom tão claro. Alex não sabia dizer se eram naturais ou não, mas que os cabelos de Lucy eram lindos, isso eram.
Ninon ocupou os dois primeiros horários, deixando a maior parte dos alunos cansados de tanta matéria e posterior dever de casa. Assim que ela saiu, os estudantes começaram a conversar antes de o próximo professor chegar. Alex aproveitou esse momento para falar com a aluna nova.
― Oi! – ele disse ao cutucar o ombro dela.
― Oi. – ela se virou para responder.
― Seus cabelos são bem claros. – ele disse e se xingou por dentro.
― Obrigada. – ela disse estranhando o elogio. – Eu clareei. Sou loira natural, mas decidi clarear mais.
― Ah, sim! – Alex falou enquanto pensava no que falar a seguir. – O que houve que não conseguiu vir ontem? – ele perguntou.
― Estava viajando. O voo atrasou e só chegamos aqui de tarde. – ela explicou. – A julgar pela professora de biologia, eu devo ter perdido muita coisa, né? – Lucy disse com uma careta.
― Até que nem tanto, mas se você quiser, eu posso te emprestar meu caderno. – Alex ofereceu.
― Ah, eu quero sim. – Lucy aceitou sorridente. – Mas não vai te fazer falta? – ela perguntou.
― Não, não, de maneira alguma. Fica tranquila. – ele disse e nesse momento entrou o próximo professor. – À propósito, eu sou Alex. – o rapaz disse antes de a moça virar para frente.
― Eu sei. – ela disse e se virou para olhar o professor.
Alex ficou pensando naquilo por um momento, mas então lembrou que a professora Ninon havia dito seu nome.
A terceira aula passou bem rápido e logo o sinal para o intervalo tocou. A maioria dos alunos saiu apressada. Uma parte ainda ficou guardando o material e pegando o lanche. Manu ficou olhando para Alex enquanto saía com Diana. O rapaz loiro levantou e esperou por Lucy.
Eles desceram as escadas calmamente. Enquanto faziam isso, o rapaz aproveitou para contar sobre as salas e a estrutura do Isaac Newton. Ao chegar no térreo, eles foram direto à cantina, enfrentar uma fila bem grande.
 ― Você deve ser bem conhecido então, já que está há tanto no Isaac. – Lucy comentou.
― Ah, que isso! Sou só mais um aluno. – ele disse rindo e nesse momento surgiram duas garotas com duas agendas e canetas nas mãos.
― Você é o Alex? – uma perguntou.
― O que impediu que a matriz do Isaac explodisse dois anos atrás? – a outra emendou empolgada.
― Sou eu assim. – ele assumiu rindo sem graça e olhando para Lucy.
― Pode nos dar seu autógrafo? – a primeira pediu e o rapaz assinou as agendas das meninas que saíram eufóricas.
― Só mais um aluno, hein? – a loira disse.
― É uma longa história. – Alex disse.
― Estamos em uma longa fila. – Lucy devolveu.
O rapaz começou a contar os acontecimentos de dois antes, sem notar que estava sendo observado. Ciano, Caramello, Manu, Diana e Patricinha estavam sentados a algumas mesas de distância da fila.
― Olha só para ele! Parece uma raposa em cima da nova galinha. – Manu disse.
― Que maldade, amiga. Você nem conhece a garota. – Paty disse.
― Nem você. – Manu devolveu.
― O maninho foi ligeiro. – Ciano observou. – Estou orgulhoso.
― De que lado você está, Ciano? – Manu perguntou.
― Do Alex. – ele respondeu de imediato. – Afinal, que eu saiba vocês dois terminaram há mais de um ano, então ele pode ficar com quem quiser. – o mano argumentou.
― Mas ele não precisava avançar na garota como abutre na carniça. – a loira de olhos verdes disse indignada.
― Se não fosse ele, teria sido outro. – Ciano disse.
― O Ciano tem razão. – Diana concordou.
― Sinto cheiro de ciúmes no ar. – Paty provocou.
― Eu não estou com ciúmes. Não quero voltar com o Alex. O que preciso fazer para você entender isso? – Manu disse quase gritando.
― Você vai ter uma boa oportunidade de provar isso agora. – Paty disse e Alex e Lucy surgiram por trás de Manu.


― Oi, pessoal! Quero apresentar uma pessoa a vocês. – Alex disse. – Di, Manu vocês já a viram. Ciano, Paty, Caramello. Essa é a Lucy. – ele apresentou a aluna nova.
― Muito prazer. – Lucy disse.
― Vamos sentar. – Alex a chamou, puxou uma das cadeiras livres para ela e sentou na outra. – Ah! – ele disse lembrando algo. – Vocês já colocaram seus nomes para concorrer ao jornal e a rádio?
― Ainda não. – Diana disse.
― Ih, esqueci, maninho. – Ciano emendou.
― Eu também. – Caramello respondeu e comeu uma bolacha na boca.
― Temos até sexta, Alex. Relaxa. – Paty disse.
― Estou meio perdida. – Lucy disse.
― Desculpa. – Alex disse. – Eu explico. – ele contou para a aluna nova tudo o que houve no dia anterior. – Quer participar também? – ele convidou.
― Parece interessante. – Lucy disse.
― Vamos lá. Eu me inscrevi para... – Alex foi interrompido.
― Alex, espera! – Manu disse e atraiu todos os olhares. – Por que não deixa ela decidir sem saber qual você escolheu? Você foi a primeira pessoa que ela conheceu aqui, e pelo que vejo, estão se dando muito bem. É meio óbvio que ela vai no que você estiver. – a loira de olhos verdes disse.
― Hã... Está bem. – Alex concordou sem entender direito e olhou para Lucy.
― Bom, eu acho que me sentiria mais à vontade em um jornal. – ela disse.
― No final não fez diferença eu dizer ou não. – Alex disse olhando para Manu.
― Acredite ou não, Alex. Fez toda a diferença. – Manu respondeu de modo sério.
― Ei, cadê o Hugo? – o rapaz loiro quis saber.
― Foi passar o intervalo com a Lara. – Ciano respondeu. – Ela não veio ontem.
― Será que eles finalmente vão se assumir? – Alex indagou. – Já está mais do que na hora.
― Eu concordo. Mas ali é um mais lerdo que o outro. – Paty opinou.
― Bom, eu vou ver o resto do jogo do Solano. – Diana levantou e avisou.
― Falando em pessoas lerdas. – Paty disse baixo.
― O que disse, Patricinha? – a nerd quis saber.
― Nada não, bom jogo. – a mais rica disse.
Não demorou muito e o sinal tocou fazendo os amigos voltarem para suas salas. Ciano, Paty e Caramello se separaram do grupo no primeiro andar. As últimas duas aulas do segundo ano foram de matemática. O professor era o Sérgio Luiz. Ele era alto; moreno; com cabelo bem baixo e penteado para trás; possuía uma voz grave; usava óculos; vestia camisa e calça social por baixo do jaleco.
― Bom dia, criaturas! – ele disse ao chegar. – Todos prontos para aumentarem seus conhecimentos matemáticos? – ele perguntou e os alunos fingiram animação.
Alex não conseguiu prestar atenção em praticamente nada da aula. Só conseguia sentir o perfume, admirar os cabelos e lembrar a voz agradável de Lucy. Devido a essa distração, ele mais tarde acharia os números complexos bem mais complexos do que realmente são.
Quando o sinal final tocou, todos vibraram empolgados. Ao levantar e pôr a mochila nas costas, Alex decidiu tentar uma última coisa para fechar o dia.
― Então, eu estava pensando... – ele disse e Lucy se virou para olhá-lo. – Seria bom você ficar com meu número, para o caso de não entender alguma coisa do garrancho que eu chamo de letra. – o rapaz disse e a moça riu.
― É, acho que é uma boa mesmo. – ela disse pondo a mão no bolso.
― Empresta uma caneta e papel. – Alex pediu e recebeu o celular da garota.
― Salva aí. Me dá o seu também. – Lucy pediu e ele o fez. – É bom você ter o meu número, para o caso de querer falar comigo quando não estivermos em aula. – ela disse enquanto digitava no celular do rapaz. – Pronto. – ela devolveu o aparelho dele e pegou o dela. – Até amanhã, Alex! – ela se despediu e lhe deu um beijo no rosto.
Enquanto descia as escadas, Alex ainda não acreditava em tudo que havia acontecido. Ele estava muito mais empolgado do que quando chegou de manhã.

― Esse ano vai ser demais! – ele falou em voz alta.

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