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domingo, 13 de maio de 2012

Capo


– Qual o seu nome? – Marcelo perguntou.
– Carpo. – o rapaz decidiu dizer a versão resumida de seu nome, pois sabia que acabaria nela de qualquer jeito.
– Capo? – Bruno repetiu.
– É, na verdade...
– De que família? – Marcelo o interrompeu.
– Barreto. – Carpo falou devagar para tentar entender o que estava acontecendo.
– Engraçado, nunca ouvi falar dessa família. – Bruno comentou.
– Nem eu. Vocês são novos? – Marcelo perguntou para Carpo.
Carpo estava amarrado a uma cadeira em um pequeno cômodo da mansão Martiniani. Os dois filhos de Marco tinham sido incumbidos de descobrir a identidade do rapaz que estava com Ana, que havia sido colocada em igual condição no cômodo ao lado.
A resposta que daria àquela pergunta seria crucial e determinante para o economista. Foi então que ele se lembrou de uma matéria de seu curso, história da economia, parte dela consistia no estudo das máfias, que foram importantes de certa forma para a economia italiana da época.
Na hierarquia das famílias mafiosas havia um cargo chamado Capo, logo abaixo de Don. Era muito importante e respeitado. Talvez por ter falado rápido ou baixo, Carpo estava sendo confundido com um mafioso. Ele decidiu usar isso a seu favor.
– Sim, na verdade, estamos nos reerguendo, mas de forma discreta. – ele respondeu. – Por isso vocês não ouviram falar ainda.
– Entendo. E o que você estava fazendo com os Cesca?
– Ora, estou atrás do tesouro perdido deles, assim como vocês. Achei que seria fácil, e estava sendo, mas não sabia que teria concorrência. – Carpo explicou.
– O senhor nos dá licença um minuto, Capo? – Bruno pediu.
Carpo assentiu e os dois irmãos saíram do cômodo. O economista tinha uma ideia do que aconteceria a seguir. Eles voltaram e o desamarraram. Levantaram-no e o tiraram da sala em que estava.
– O Babbo quer falar com você. – Marcelo informou no caminho.
No escritório principal da mansão, Don Martiniani tomava um copo de uísque. Ele esperou Carpo sentar a sua frente e o encarou por um instante.
– Meus filhos me disseram que o senhor é o Capo da família Barreto.
– Sim, senhor. – Carpo concordou.
– Que vocês estão se levantando agora, mantendo a discrição e por isso eu nunca ouvi falar dos Barreto. – Marco continuou.
– É isso mesmo. – o rapaz confirmou.
– Qual o ramo de vocês?
– Economia. – Carpo resolveu não mentir nessa parte para não se complicar mais.
– É uma boa área. – Don Martiniani elogiou. – Também fui informado de que o senhor também está atrás do tesouro dos Cesca.
– Sim, senhor, é verdade.
– Então, como resolvemos isso?
– Não há o que resolver, o tesouro é de vocês. Só peço uma parceria.
– Parceria?
– Sim, entre os Martiniani e os Barreto. Tenho certeza de que as duas famílias poderiam tirar grandes proveitos disso. – Carpo propôs.
– Não é uma má ideia. O senhor acaba de ser promovido de refém a hóspede na mansão Martiniani. – o Don disse. – O seu terno está sujo.
– Tinha bastante sujeira naquele porão. – Carpo explicou.
– Tenho certeza de que sim. Bruno, Marcelo, levem-no ao quarto de hóspedes e arranjem um terno novo para o Capo Barreto. – Marco mandou.
– Sim, senhor. – os filhos responderam em uníssono.


– Como é que é? – Glória disse e um monte de perguntas foi feito aos dois mafiosos.
– Acalmem-se! – Toni pediu.
– O que vamos fazer agora? – Lucy perguntou chorando.
– O que, talvez, devêssemos ter feito décadas atrás: enfrentar os Martiniani! – Giovanni declarou.

4 comentários :

  1. É tipo "capô" de carro?? ^^
    Carpo foi SUPER malandro.
    E é incrível como tu consegue encaixar as coisas direitinho, ligar os fatos.

    Mas onde está Ana??? O.O
    Ela além de sumir das redes sociais não apareceu na história também... Nossa, que medo disso...

    E esse conto tá te rendendo umas boas pesquisas, hein? Hahaha!

    Beijos.

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  2. Rickynho,
    a tua habilidade em lidar com muitos personagens ao mesmo tempo é admirável... diálogo é uma coisa difícil de escrever, quanto mais se tem mais de duas pessoas envolvidas.
    Beijos e ótima semana!

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  3. Uma confusãozinha em uma letra do nome pode mudar tudo! HAHAHA

    to adorando a continuação de Cesca

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  4. Garoto esperto.
    A caneta vence a arma.

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